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Reposição de testosterona em mulheres menopausadas

Antes da menopausa, a mulher produz em média 300mg (1040 nmol) de testosterona diariamente. Quantidades praticamente iguais do hormônio provém das glândulas adrenais e dos ovários. Mulheres que são submetidas a ooforectomia bilateral antes da menopausa apresentam uma queda de aproximadamente 50% dos níveis de testosterona sérica e 80% da concentração de estradiol. A terapia de reposição de estrógeno é pratica freqüente para essas mulheres. Estudos demonstraram que mulheres com menopausa precipitada por cirurgia têm uma diminuição da atividade sexual, diminuição do prazer, e sensação de bem-estar também diminuída. Schifren et al realizaram um estudo para determinar se doses fisiológicas de testosterona seriam seguras e benéficas para mulheres com menopausa induzida por cirurgia.

O estudo incluiu mulheres com idade entre 31 e 56 anos de idade que haviam sido submetidas a histerectomia e ooforectomia bilateral antes da menopausa fisiológica. A cirurgia deveria ter sido realizada pelo menos 1 ano antes da inclusão, mas não mais do que 10 anos antes. Critérios adicionais de inclusão foram níveis de testosterona < 30ng/dL (1 nmol/L), uso de estrógeno oral diário e relação sexual monogâmica, heterossexual e estável por pelo menos 1 ano. As mulheres potencialmente elegíveis para o estudo responderam um questionário breve sobre atividade sexual que avalia 22 itens da sexualidade feminina. Os resultados variaram de -16 (desempenho ruim) até +75 (desempenho máximo). As mulheres que participaram do estudo deveriam ter um resultado < 33,6 (média para mulheres normais).

Após a avaliação inicial, as mulheres foram aleatoriamente designadas para receber 2 adesivos transcutâneos para 2 aplicações semanais. Os adesivos eram ou 2 placebos, ou 1 de 150mg/d de testosterona e 1 placebo ou 2 adesivos de 300mg de testosterona. Cada mulher foi submetida a 2 tratamentos de 12 semanas. Os níveis de testosterona séricos foram medidos na quarta, oitava e décima-segunda semanas de cada ciclo de tratamento. Além disso, níveis de glicose, função hepática e lípides séricas foram regularmente monitorizados. Finalmente, o questionário de índice de atividade sexual foi aplicado no final de cada período de 12 semanas e o humor foi avaliado pelo "Índice Geral de Bem-estar Psicológico". Este último avalia alterações de saúde mental.

Setenta e cinco mulheres foram incluídas no estudo com uma idade média de 47 anos. Sessenta e cinco mulheres completaram satisfatoriamente o estudo, fornecendo dados que foram incluídos na análise de intenção de tratamento. Mulheres que usaram adesivos de 300mg tiveram níveis de testosterona que chegaram próximos ao limite superior da normalidade enquanto as que usaram os adesivos de 150mg tiveram níveis medianamente normais. Os níveis das mulheres do grupo placebo permaneceram baixos ou no limite inferior da normalidade.

Os resultados médios de atividade sexual aumentaram de uma média de 52 na linha de base para 72 no grupo placebo, para 74 no grupo de 150mg e para 81 no grupo das mulheres que receberam 300mg por dia de testosterona. A porcentagem de mulheres que tinham relações sexuais pelo menos uma vez por semana aumentou de 23% na linha de base, para 35% no grupo placebo e no grupo que recebeu 150mg e, no grupo que recebeu 300mg, aumentou para até 41%. O resultado médio do índice de bem-estar psicológico era de 78 na linha de base e aumentou com ambas as doses de testosterona. No entanto, as alterações só foram significativas no grupo que recebeu 300mg de testosterona por dia. Finalmente, não foram encontradas diferenças significativas no grau de acnes, hirsutismo, níveis totais de colesterol, glicemias de jejum ou provas de função hepática.

Os autores concluem que a reposição de testosterona em mulheres submetidas à menopausa induzida por cirurgia produz aumento significativo na atividade sexual e no bem-estar psicológico. Os benefícios são mais evidentes com maiores doses de testosterona.

Ref.: Shifren JL, et al. Transdermal testosterone treatment in women with impaired sexual function after oophorectomy. N Engl J Med September 7, 2000;343:682-8, and Guzick DS, Hoeger K. Sex, hormones, and hysterectomies. N Engl J Med September 7, 2000;343:730-1.

Editora responsável: Dra. Elisabete Almeida - drabetty@lincx.com.br


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