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O papel da ultra-sonografia no diagnóstico de ovários policísticos

Médicos ingleses do North Middlesex and Royal Free Hospitals e da University College Medical School escreveram um artigo de revisão sobre o papel dos recentes avanços em ultra-sonografia (como o Doppler e a ultra-sonografia 3D) na avaliação de pacientes com ovários policísticos (OPC), publicado no British Journal of Radiology. Eles analisaram vários estudos publicados nos últimos 15 anos. A introdução da ultra-sonografia transvaginal de alta resolução vem permitindo a visibilização de pequenos folículos, enquanto avanços na resolução de contraste possibilitam avaliar a ecogenicidade do estroma. Segundo os autores, 'a resolução do exame permite identificar fóliculos com menos de 5 mm de diâmetro, bem como avaliar alterações da ecogenicidade do estroma, que correspondem às alterações histopatológicas características dos OPC, sendo atualmente considerado o método padrão-ouro para o diagnóstico da doença.' Os critérios, descritos por Atiomo e colaboradores em 2000, incluem volume ovariano > 9 cm³, > 10 folículos com diâmetro entre 2 e 8 mm, e hiperecogenicidade do estroma ovariano.

Os autores afirmam que a ultra-sonografia 3D permite calcular melhor o volume ovariano, facilitando o diagnóstico de OPC. O estudo realizado por Battaglia e colaboradores, empregando o ultra-som com Doppler, demonstrou que mulheres com OPC apresentam estroma ovariano com índice de pulsatilidade elevado e índice de resistividade diminuída. Esses autores, entretanto, não encontraram diferença significativa comparando a hemodinâmica ovariana em pacientes com OPC e em mulheres normais. Embora a RM permita uma melhor visibilização dos ovários, os estudos não apontaram um melhor desempenho diagnóstico em comparação com a ultra-sonografia transvaginal, um método que apresenta melhor relação custo-benefício.

A relação entre níveis elevados de LH, OPC e interrupção precoce dagestação permanece controversa, com estudos mostrando resultados diferentes. Em um estudo com 56 mulheres, Sagle e colaboradores demonstraram que 82% das pacientes com três ou mais abortamentos apresentam achados ultra-sonográficos compatíveis com OPC. As pacientes com OPC apresentam risco elevado para condições como a obesidade, resistência à insulina, hipertensão e dislipidemia, motivo pelo qual apresentam maior risco de doenças cardiovasculares. Segundo os autores, 'embora não esteja claro se o risco de problemas de saúde em mulheres com OPC resulte em maior morbidade e/ou mortalidade a longo prazo, as portadoras assintomáticas de OPC devem apresentar maior risco de problemas de saúde relacionados com a doença.

Referência
K Lakhani et al. Polycystic ovaries. The British Journal of Radiology, 2002 (January); 75: 9-16
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Editora responsável: Dra. Elisabete Almeida - drabetty@lincx.com.br


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