As manifestações clássicas
são ciclos anovulatórios, obesidade, hirsutismo e ovários policísticos bilaterais.
O critério diagnóstico para a SOP é a presença de hiperandrogenismo e ciclos
anovulatórios, excluídas outras causas como hiperplasia adrenal congênita, hiperprolactinemia
e neoplasias produtoras de andrógenos.
Mulheres com SOP podem
apresentar uma variada gama de sintomas, mas, geralmente, procuram o médico
por uma das três queixas típicas: irregularidade menstrual, esterilidade e sintomas
associados ao excesso de androgênios (hirsutismo ou acne, os mais freqüentes).
Cerca de 70% das mulheres
afetadas apresentam, após uma menarca normal, irregularidade menstrual progressiva,
levando, geralmente, à amenorréia. Uma menor porcentagem com ovários policísticos
pode apresentar ciclos menstruais normais.
A SOP está, também, associada
a um aumento da resistência à insulina e do risco de desenvolvimento de intolerância
à glicose ou diabetes mellitus tipo 2.
Embora nem sempre presentes
nos estágios iniciais da doença, hiperinsulinemia e resistência à insulina têm
incidência maior nessas mulheres do que em controles normais, pareadas por peso.
A hiperinsulinemia também
está associada à hiperprodução de androgênios ovarianos. A acantose nigricans,
freqüentemente observada em pessoas com alto grau de resistência à insulina,
também pode estar presente nessas pacientes.
Uma proposta para a avaliação
laboratorial de pacientes com hiperandrogenismo e ciclos anovulatórios é mostrada
na tabela abaixo. Esta síndrome tem, primariamente, diagnóstico clínico. A avaliação
laboratorial deve ser individualizada.
Muitas das pacientes com
ovários policísticos apresentam níveis elevados de testosterona, androstenediona,
LH, estradiol, estrona e insulina em jejum. Apresentam, também, uma relação
LH/FSH elevada.
Em relação ao hiperandrogenismo,
o diagnóstico pode ser baseado na dosagem de androgênios circulantes ou nos
sintomas clínicos (hirsutismo e acne).
A secreção inapropriada
de gonadotrofinas tem sido usada no diagnóstico da SOP. Os níveis de LH, FSH
e a relação LH/FSH são usados para facilitar o diagnóstico e alguns pesquisadores
consideram que uma relação LH/FSH de 3:1 é diagnóstica desta síndrome.
A dosagem de gonadotrofina
coriônica (hCG) na urina pode ser feita para se excluir gravidez em mulheres
em idade fértil, com irregularidade menstrual ou amenorréia. Fora do período
gestacional, a gonadotrofina coriônica está ausente ou muito baixa em mulheres
com síndrome dos ovários policísticos.
Embora os níveis séricos
de testosterona possam estar de leve a moderadamente elevados nas pacientes
com ovários policísticos, a dosagem deste hormônio geralmente é realizada para
se excluir a possibilidade de tumores virilizantes, particularmente se o hirsutismo
for rapidamente progressivo. A presença de tumor virilizante é fortemente sugerida
quando a média de 3 dosagens separadas for > que 150-200 ng/dl. Também a dosagem
do sulfato de dehidroepiandrosterona deve ser considerada nos casos de hirsutismo
rapidamente progressivo, para se pesquisar a possibilidade de um tumor virilizante
de adrenal. Níveis superiores a 700 mg/dl em mulheres antes da menopausa são
sugestivos deste tumor.
Em mulheres com excesso
de androgênios, o nível de prolactina também deve ser medido para se excluir
a possibilidade de um prolactinoma. Embora 22% das mulheres com ovários policísticos
possam ter níveis levemente aumentados de prolactina, níveis elevados deste
hormônio indicam uma investigação mais aprofundada.
Os níveis séricos de 17-hidroxiprogesterona
podem servir como screening para a pesquisa de hiperplasia adrenal congênita,
que pode se manifestar apenas na idade adulta e é o principal diagnóstico diferencial
nestes casos. Esse teste deve ser considerado quando a avaliação inicial para
SOP não for diagnóstica em mulheres com hiperandrogenismo e ciclos anovulatórios.
Cerca de 25% das mulheres, que têm o início dos sintomas dessa doença na idade
adulta, também têm hipersecreção de LH. Os níveis séricos de 17-hidroxiprogesterona
devem ser medidos às 8h da manhã. Colhido na fase folicular, um nível sérico
de 17-hidroxiprogesterona > que 5 ng/ml sugere hiperplasia adrenal por deficiência
da 21-hidroxilase. Em contraste, os níveis séricos da 17-hidroxiprogesterona
estão normais nas pacientes com SOP.
Um teste de supressão com
dexametasona pode ser realizado nas mulheres com sinais de excesso de cortisol,
como hipertensão, obesidade, estrias e aumento da gordura cérvico-dorsal e supraclavicular.
Níveis séricos de cortisol < que 5 mg/dl praticamente excluem o diagnóstico
de síndrome de Cushing, mas são o achado rotineiro em mulheres com SOP.
Todas as mulheres obesas,
com hiperandrogenismo e ciclos anovulatórios devem realizar testes para o metabolismo
de glicose, uma vez que a associação de SOP com intolerância à glicose é comum.
Se a glicemia de jejum estiver normal (<110 mg/dl) em 2 amostras, a paciente
deve ter metabolismo de glicose normal. 2 medidas > que 126 mg/dl levam ao diagnóstico
de diabetes mellitus. Glicemia de jejum entre 110 e 126 mg/dl indicam paciente
com intolerância à glicose.
Referência:
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