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Síndrome de ovários policísticos

A SOP deve ser suspeitada sempre que uma paciente não conseguir engravidar e quando amenorréia ou oligomenorréia persistirem por mais de 6 meses sem outro diagnóstico.

A maioria das mulheres afetadas apresenta sinais e sintomas decorrentes de níveis elevados de androgênios, irregularidade menstrual e amenorréia. A síndrome geralmente se inicia na puberdade e tem caráter progressivo.

Sinais clínicos e sintomas

As manifestações clássicas são ciclos anovulatórios, obesidade, hirsutismo e ovários policísticos bilaterais. O critério diagnóstico para a SOP é a presença de hiperandrogenismo e ciclos anovulatórios, excluídas outras causas como hiperplasia adrenal congênita, hiperprolactinemia e neoplasias produtoras de andrógenos.

Mulheres com SOP podem apresentar uma variada gama de sintomas, mas, geralmente, procuram o médico por uma das três queixas típicas: irregularidade menstrual, esterilidade e sintomas associados ao excesso de androgênios (hirsutismo ou acne, os mais freqüentes).

Cerca de 70% das mulheres afetadas apresentam, após uma menarca normal, irregularidade menstrual progressiva, levando, geralmente, à amenorréia. Uma menor porcentagem com ovários policísticos pode apresentar ciclos menstruais normais.

A SOP está, também, associada a um aumento da resistência à insulina e do risco de desenvolvimento de intolerância à glicose ou diabetes mellitus tipo 2.

Embora nem sempre presentes nos estágios iniciais da doença, hiperinsulinemia e resistência à insulina têm incidência maior nessas mulheres do que em controles normais, pareadas por peso.

A hiperinsulinemia também está associada à hiperprodução de androgênios ovarianos. A acantose nigricans, freqüentemente observada em pessoas com alto grau de resistência à insulina, também pode estar presente nessas pacientes.

Diagnóstico laboratorial

Uma proposta para a avaliação laboratorial de pacientes com hiperandrogenismo e ciclos anovulatórios é mostrada na tabela abaixo. Esta síndrome tem, primariamente, diagnóstico clínico. A avaliação laboratorial deve ser individualizada.

Muitas das pacientes com ovários policísticos apresentam níveis elevados de testosterona, androstenediona, LH, estradiol, estrona e insulina em jejum. Apresentam, também, uma relação LH/FSH elevada.

Em relação ao hiperandrogenismo, o diagnóstico pode ser baseado na dosagem de androgênios circulantes ou nos sintomas clínicos (hirsutismo e acne).

A secreção inapropriada de gonadotrofinas tem sido usada no diagnóstico da SOP. Os níveis de LH, FSH e a relação LH/FSH são usados para facilitar o diagnóstico e alguns pesquisadores consideram que uma relação LH/FSH de 3:1 é diagnóstica desta síndrome.

A dosagem de gonadotrofina coriônica (hCG) na urina pode ser feita para se excluir gravidez em mulheres em idade fértil, com irregularidade menstrual ou amenorréia. Fora do período gestacional, a gonadotrofina coriônica está ausente ou muito baixa em mulheres com síndrome dos ovários policísticos.

Embora os níveis séricos de testosterona possam estar de leve a moderadamente elevados nas pacientes com ovários policísticos, a dosagem deste hormônio geralmente é realizada para se excluir a possibilidade de tumores virilizantes, particularmente se o hirsutismo for rapidamente progressivo. A presença de tumor virilizante é fortemente sugerida quando a média de 3 dosagens separadas for > que 150-200 ng/dl. Também a dosagem do sulfato de dehidroepiandrosterona deve ser considerada nos casos de hirsutismo rapidamente progressivo, para se pesquisar a possibilidade de um tumor virilizante de adrenal. Níveis superiores a 700 mg/dl em mulheres antes da menopausa são sugestivos deste tumor.

Em mulheres com excesso de androgênios, o nível de prolactina também deve ser medido para se excluir a possibilidade de um prolactinoma. Embora 22% das mulheres com ovários policísticos possam ter níveis levemente aumentados de prolactina, níveis elevados deste hormônio indicam uma investigação mais aprofundada.

Os níveis séricos de 17-hidroxiprogesterona podem servir como screening para a pesquisa de hiperplasia adrenal congênita, que pode se manifestar apenas na idade adulta e é o principal diagnóstico diferencial nestes casos. Esse teste deve ser considerado quando a avaliação inicial para SOP não for diagnóstica em mulheres com hiperandrogenismo e ciclos anovulatórios. Cerca de 25% das mulheres, que têm o início dos sintomas dessa doença na idade adulta, também têm hipersecreção de LH. Os níveis séricos de 17-hidroxiprogesterona devem ser medidos às 8h da manhã. Colhido na fase folicular, um nível sérico de 17-hidroxiprogesterona > que 5 ng/ml sugere hiperplasia adrenal por deficiência da 21-hidroxilase. Em contraste, os níveis séricos da 17-hidroxiprogesterona estão normais nas pacientes com SOP.

Um teste de supressão com dexametasona pode ser realizado nas mulheres com sinais de excesso de cortisol, como hipertensão, obesidade, estrias e aumento da gordura cérvico-dorsal e supraclavicular. Níveis séricos de cortisol < que 5 mg/dl praticamente excluem o diagnóstico de síndrome de Cushing, mas são o achado rotineiro em mulheres com SOP.

Todas as mulheres obesas, com hiperandrogenismo e ciclos anovulatórios devem realizar testes para o metabolismo de glicose, uma vez que a associação de SOP com intolerância à glicose é comum. Se a glicemia de jejum estiver normal (<110 mg/dl) em 2 amostras, a paciente deve ter metabolismo de glicose normal. 2 medidas > que 126 mg/dl levam ao diagnóstico de diabetes mellitus. Glicemia de jejum entre 110 e 126 mg/dl indicam paciente com intolerância à glicose.

Referência:
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Editora responsável: Dra. Elisabete Almeida - drabetty@lincx.com.br


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