A ultra-sonografia
é bastante utilizada por ginecologistas e radiologistas para identificar
e avaliar doenças ginecológicas.
Muitos especialistas defendem a via transvaginal para uma melhor
visualização dos ovários. O objetivo desta discussão
é analisar as características ultra-sonográficas das massas
ovarianas que podem evitar intervenções cirúrgicas desnecessárias.
Durante um ciclo menstrual normal, a mulher desenvolve um folículo
ovariano maduro, que pode ser visto no meio do ciclo com cerca de 20 mm, chegando
a até 25 mm. Após a ovulação, vários capilares
da teca interna se espalham entre as células da granulosa. Na medida
em que o corpo lúteo, se desenvolve, essa vascularização
abundante pode causar hemorragias. O corpo lúteo, geralmente, apresenta
cerca de 1,5 cm de diâmetro, mas cistos de corpo lúteo podem surgir
após sangramentos.
Cistos pequenos, com até 2,5 a 3,0 cm, são geralmente
considerados compatíveis com um ciclo menstrual normal.Os cistos não
neoplásicos são as massas ovarianas mais comuns. Como regra geral,
as massas ovarianas neoplásicas são removidas mesmo quando apresentam
características benignas.
Por outro lado, a grande maioria dos cistos não neoplásicos
têm resolução espontânea e não precisam ser
removidos cirurgicamente, exceto nos casos de torção ou ruptura,
em que as manifestações clínicas indicam o tratamento cirúrgico.
Os cistos não neoplásicos são freqüentemente
encontrados durante a menacme, mas também podem ser observados após
a menopausa.Com base na anamnese e dados do exame físico, não
é possível diferenciar cistos benignos e malignos.
Na análise de um grande número de peças
removidas cirurgicamente, no fim da década de 30, cerca de 80% se tratava
de cistos não neoplásicos, apenas 6% eram neoplasias, e menos
de 2% eram neoplasias malignas.A literatura ultra-sonográfica é
repleta de artigos relacionados ao “espectro” de alterações
ultra-sonográficas nessa ou naquela entidade patológica.
Entretanto, observa-se uma grande sobreposição
de achados nas doenças neoplásicas e não neoplásicas.
Além disso, vários estudos mostram que o exame
ultra-sonográfico não é suficiente para distinguir neoplasias
benignas e malignas, a ponto de evitar a realização da cirurgia.
O aspecto mais comum nas massas ovarianas é representado pelo cisto unilocular
de paredes finas.
A identificação de unilocularidade é muito
importante e tem implicações na abordagem clínica. Um cisto
unilocular é benigno na grande maioria dos casos.
Isoladamente, a unilocularidade em uma massa cística
é uma forte evidência de que a lesão é benigna, e
cistos uniloculares com paredes finas (sem espes-samento difuso ou focal - nódulos
murais) são praticamente, com certeza, benignos. Deve-se pensar no diagnóstico
de doença maligna, em cistos com septações espessas, áreas
sólidas irregulares ou ascite. Esses critérios têm especificidade
elevada, mas não são muito sensíveis na pesquisa de lesões
malignas.
É comum encontrar evidências de sangramento em
cistos uniloculares. Os aspectos ultra-sonográficos da fibrina, coágulo
e sangue fresco podem gerar dúvidas se a lesão é benigna
e mais provavelmente não neoplásica. Na verdade, o contrário
é verdadeiro. A identificação de sangramento em um cisto
unilocular é uma grande evidência de benignidade.
Os sangramentos recentes ou mais antigos freqüentemente
apresentam achados característicos. Do ponto de vista estatístico,
portanto, massas ovarianas com sangramento ,muito provavelmente, não
são lesões neoplásicas.
Embora o sangramento possa causar dúvidas em alguns casos,
existem padrões ultra-sonográficos característicos de cistos
hemorrágicos e cistos endometriais (endometriomas).
Provavelmente, o teratoma cístico é a neoplasia
ovariana mais comum em pacientes abaixo de 50 anos de idade. Esses tumores apresentam
um amplo espectro de achados ultra-sonográficos. Muitos demonstram alterações
características.
O erro mais comum é diagnosticar essas lesões
como “massas sólidas”, baseado na identificação
de inúmeros ecos de amplitude elevada e na fraca ou na ausência
de transmissão do feixe sonoro em seu interior.
Os cistos dermóides são virtualmente benignos
e o aspecto ultra-sonográfico pode ser confundido com neoplasias sólidas.
Os cistos dermóides (excetuando-se os casos de cistos muito pequenos)
são quase sempre removidos cirurgicamente para evitar algumas complicações
graves, incluindo a torção e a rotura.
O objetivo desta discussão é reconhecer lesões
que são tipicamente benignas e que não precisam ser removidas
cirurgicamente. Alguns pontos relacionados ao diagnóstico das lesões
malignas, entretanto, devem ser lembrados.
A probabilidade de detecção de um câncer
de ovário em um exame de rotina em uma paciente assintomática
é de aproximadamente 1:10.000. Como mencionado anteriomente, no entanto,
esse número depende da idade da paciente.
As massas anexiais em mulheres na pós-menopausa estão
associadas com um risco elevado de doença maligna, exceto nos casos de
cistos pequenos, uniloculares e com paredes finas; ainda assim, é importante
o acompanhamento criterioso dessas lesões.
Existe um interesse cada vez maior na avaliação,
com Doppler, das massas ovarianas, com o objetivo de diferenciar lesões
benignas e malignas. Os carcinomas ovarianos, em geral, são bastante
vascularizados. A angiogênese tumoral resulta na proliferação
de vasos sinusoidais, que não possuem camada muscular lisa em suas paredes
e, portanto, apresentam baixa resistência vascular, que pode ser identificada
na análise da onda espectral.
A forma da onda no exame com Doppler pode ser analisada de várias
maneiras, incluindo a relação sístole/diástole,
o índice de resistividade e o índice de pulsatilidade. Deve-se
lembrar, no entanto, que massas inflamatórias e cistos de corpo lúteo
também podem demonstrar fluxo de baixa resistência no estudo dopplerfluxométrico.
Além disso, existem valores de índice de resistividade que podem
corresponder a lesões benignas e malignas.
Referência
Blaustein, A. Nonneoplastic cysts of the ovary. In: Pathology of the Female
Genital Tract. Ed. Blaustein A. Spri:A ultra-sonografia é bastante utilizada
por ginecologistas e radiologistas para identificar e avaliar doenças
ginecológicas. Em geral, a caracterização dos ovários
por esse método de imagem não é difícil.