Diagnóstico das massas anexiais
O
risco de malignidade de uma neoplasia primária de ovário aumenta de 13% (pré-menopausa)
para 45% após a menopausa. A avaliação ultra-sonográfica das características
da massa é extremamente importante para se proceder à abordagem apropriada.
Além do câncer de ovário ser raro, especialmente em mulheres na pré-menopausa,
o seu diagnóstico é difícil. Para uma abordagem eficiente, utilizam-se os parâmetros
radiológicos e sorológicos para diferenciar os tumores anexiais benignos dos
malignos.
Questões importantes na avaliação de uma masssa anexial:
1. Esta massa precisa
ser removida, ou pode apenas ser observada?
2. Quais as chances de
ser um câncer?
A discussão sobre essas
massas envolvem três faixas etárias. O grupo de adolescentes, constituído de
pacientes desde a menarca até os 20 anos de idade, o grupo em idade reprodutiva,
entre 20 e 50 anos, e o grupo de pacientes na pós-menopausa, com mais de 50
anos.
Adolescente
A maioria das massas anexiais
neste grupo compreendem cistos ovarianos funcionais.
A neoplasia mais comum
é o teratoma cístico benigno; ocasionalmente, essas massas podem sofrer torção
e as pacientes se apresentarem com abdome agudo.
Massas sólidas, com ou sem
cistos, embora raras durante a adolescência, são quase sempre tumores de células
germinativas. Esses tumores incluem os disgerminomas, teratomas imaturos, tumores
do seio endodérmico, poliembriomas e coriocarcinomas.
Para um diagnóstico preciso,
devem-se avaliar as características da massa, levando-se em conta a idade da
paciente. Um cisto unilocular é benigno na maioria das vezes, resolvendo-se
espontaneamente em 70% dos casos. Esse tipo de cisto pode ser acompanhado pela
ultra-sonografia por 6 a 8 semanas, período no qual deve ocorrer a resolução
ou diminuição de seu tamanho. Cistos uniloculares podem ser cistoadenomas serosos,
que não se resolvem espontaneamente. Se houver persistência ou aumento do tamanho
da massa, deve-se considerar a sua remoção - em geral por via laparoscópica.
Os tumores germinativos
sólidos ou mistos são específicos dessa faixa etária.
A determinação dos níveis
séricos de alfafetoproteína, gonadotrofina coriônica humana e desidrogenase
láctica é realizada neste momento, servindo eles como marcadores tumorais.A
preservação do útero não tem nenhuma implicação prognóstica. O outro ovário
deve ser avaliado, tendo em vista que 10% dos disgerminomas são bilaterais.
Caso ele se apresente normal, a biópsia não está indicada. O estadiamento adequado
é realizado, incluindo a dissecção de linfonodos paraaórticos e pélvicos.
Idade reprodutiva
Neste grupo, os cistos funcionais
do ovário continuam sendo o tipo mais comum e os teratomas císticos benignos
constituem a maior parte das neoplasias. Outras massas podem ser cistoadenomas
serosos, cistoadenomas mucinosos e endometriomas. Gravidez ectópica, DIP e fibromas
devem ser considerados no diagnóstico diferencial. Os cistos uniloculares podem
ser acompanhados pela repetição da US em 6-8 semanas.
Os cistos lúteos podem apresentar
aspecto complexo e devem ser acompanhados para monitorar a diminuição de tamanho.
Se persistirem, está indicada a remoção cirúrgica.
A maioria dos cistos dermóides
é menor que 10 cm e em 15% dos casos são bilaterais. Os fibroadenomas são os
tumores benignos mais comuns nessa faixa etária, sendo, em geral, unilaterais.
Ascite e hidrotórax à direita (síndrome de Meigs) podem estar associados e desaparecem
com a retirada da massa ovariana.]
Endometriomas estão freqüentemente
associados à endometriose em outras áreas da cavidade pélvica. Podem ou não
ser sintomáticos e variam de 1mm a 10cm. Sua remoção pode ser difícil, sendo
comum a aderência a estruturas vizinhas, como o ureter.
A torção do ovário é uma
causa incomum mas importante de dor aguda na região pélvica e abdominal baixa.
Os tumores ovarianos são descobertos em 50 a 60% das mulheres com torção ovariana.
Pós-menopausa
Nesse grupo, há maior risco
de malignidade, porém a maioria das massas continua sendo benigna. A presença
de ascite e massas bilaterais são sugestivos de malignidade. 5% dos casos de
endometriose ocorrem na pós-menopausa, particularmente em mulheres que fazem
reposição hormonal. Outras massas não-ovarianas a serem consideradas incluem
os abscessos diverticulares, tumores gastrointestinais, linfomas e o câncer
metastático, em especial o Ca de mama.
A abordagem apropriada das
massas anexiais nas mulheres após a menopausa é essencial. A ultra-sonografia
é o exame mais importante no estudo diagnóstico, podendo indicar se a massa
é cística ou sólida, se o contorno é uniforme ou contém irregularidades e se
possui septações ou vegetações. Essas características podem ajudar a diferenciar
processos benignos de malignos. A dopplerfluxometria colorida é útil na identificação
de sinais de malignidade.
O CA 125 é um determinante
antigênico que está elevado em 80% das pacientes com cistoadenomas serosos do
ovário, mas em apenas 50% com a doença em estágio I. Como uma ferramenta diagnóstica,
a dosagem de CA 125 é mais útil em pacientes pós-menopausa com uma massa suspeita
ao exame ultra-sonográfico. Nesse contexto, níveis maiores que 65 U/mL têm um
valor preditivo positivo de 97%.
Implicações práticas
Conhecer a freqüência e
os tipos de diferentes massas anexiais encontradas nos vários grupos etários
é extremamente importante para o correto diagnóstico. A conduta deve ser determinada
com base na idade da paciente e nas características da massa detectadas pela
US.
A dosagem sérica de
CA 125 só é útil nas pacientes pós-menopausa.
Valores normais de CA
125 não excluem o câncer de ovário.
Embora a incidência
de tumores de ovário aumente com a idade, a maioria dos cistos ovarianos são
benignos em todos os grupos etários.
Referências:
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Editora responsável: Dra. Elisabete Almeida - drabetty@lincx.com.br
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