Infertilidade feminina
Introdução
O processo envolvido na
reprodução dos humanos é, de certa forma, complexo. O sucesso reprodutivo na
espécie depende da saúde de ambos homem e mulher. O sistema endócrino (que produz
os hormônios), deve funcionar em perfeita sincronia, para desenvolver os fenômenos
de maturação dos espermatozóides e óvulo.
Cinco hormônios chaves
tem a função química de controle do sistema reprodutivo. O hipotálamo, uma área
do cérebro, libera inicialmente o GnRH (gonadotropin-releasing hormone). Esta
liberação, estimula a glândula hipófise produzir FSH (follicle-stimulating hormone)
e LH (luteinizing hormone), os quais estimulam os ovários a produzir estrogênios
e Progesterona, completando assim o quinteto hormonal necessário para que ocorra
gravidez.
Os ovários, por ocasião
do nascimento, possuem entre 200.000 e 400.000 folículos (local nos ovários
onde estão os óvulos). Estes folículos possuem o material necessário para produzir
um óvulo maduro, pronto para fecundação. Após a puberdade, com o início dos
ciclos menstruais, o FSH estimula vários folículos até o amadurecimento em um
período de duas semanas até os óvulos atingirem tamanho três vezes maior. Neste
período, o FSH também sinaliza aos ovários a produzirem estrogênios, que atingem
um pico aproximadamente no 14o dia estimulando uma onda de LH. O LH possui dois
importantes papéis: primeiro estimula a ovulação provocando a ruptura do folículo
dominante, liberando seu óvulo em uma das duas trompas. Em seguida, o LH provoca
modificações no folículo transformando-o em corpo lúteo, um tecido amarelado
que produz progesterona. Esta, por sua vez, provoca um espessamento das glândulas
endometriais, iniciando a secreção de nutrientes para alimentar o óvulo fertilizado.
Se o óvulo é fertilizado, este invade o tecido do útero, ou endométrio, e então
inicia o seu desenvolvimento. No local de implantação forma-se a placenta, que
é um espesso tecido de vasos sangüíneos onde um óvulo fertilizado pode prender-se
e desenvolver-se. A placenta inicia a produção de vários hormônios, dos quais
destacamos a gonadotropina coriônica humana ou hCG. O corpo lúteo continua a
produzir progesterona e estrogênio. Se o óvulo não é fertilizado, o corpo lúteo
degenera até corpo albicans, e os hormônios estrogênio e progesterona caem na
circulação. Finalmente, a linha endometrial descama e é eliminada durante a
menstruação.
A fertilização do óvulo
ocorre nas trompas. Após a ejaculação o espermatozóide penetra nas trompas e
sobrevive por ± três dias, e pode fertilizar o óvulo em qualquer época durante
este tempo. O óvulo, a menos que fertilizado, somente sobrevive 12 a 24 horas.
A gravidez ocorre com maior probabilidade quando a relação sexual acontece por
volta do dia da ovulação. Dois a quatro dias depois o óvulo fertilizado move-se
da tuba para dentro do útero onde é implantado no endométrio e inicia seus nove
meses de incubação.
Conceito e frequência
A infertilidade primária
é a incapacidade da mulher conceber após um ano de relações sexuais regulares
e desprotegida. Quando a mulher é capaz de engravidar, porém não consegue levar
esta gravidez ao termo (abortamentos), a essa condição chamamos de infertilidade
secundária. A infertilidade é um problema que acomete um para cada seis casais.
Naturalmente 80% dos casais
concebem em um ano de relações sexuais desprotegidas, sendo que somente 15%
no primeiro mês e cerca de 60% após seis meses. Estimativas mostram que 10.2%
das mulheres com idade entre 15 e 44, ou seja, cerca de 6.2 milhões, possuem
algum impedimento a sua fertilidade e a incidência está aumentando. Outra observação
é que cerca de 25% das mulheres observam, durante sua vida reprodutiva, algum
período de infertilidade. A estes casais recomendamos consultar um especialista
em reprodução humana. Mulheres com 35 anos ou mais, entretanto, podem desejar
iniciar sua investigação em um período mais curto, por exemplo, seis meses.
Cerca de 50% dos casais
que procuram um especialista poderão engravidar no período de dois anos com
o tratamento apropriado da mulher, do homem, ou de ambos. Apesar da ênfase a
infertilidade feminina, é importante da mesma forma examinar o parceiro masculino.
Homens e mulheres são responsáveis por 40% dos casos de infertilidade, o restante,
20%, ou ambos são responsáveis ou a causa é desconhecida.
Fatores de risco
A idade da mulher, ou mais
especificamente, a idade do seu óvulo, desempenha um importante papel na infertilidade.
Aos 25 anos, a chance de engravidar nos primeiros seis meses de tentativa é
75%; aos 40, é somente 22%. Este decréscimo na fertilidade parece ser devido
a uma alta taxa de anormalidades cromossômicas que ocorrem em seus óvulos quando
a idade aumenta.
Os ovários são a maior
fonte dos estrogênios, porém, cerca de 30% é produzido nas células adiposas.
Para o processo de concepção um balanço hormonal normal é essencial, não é surpresa
que o excesso de peso, ou o baixo peso excessivo, podem contribuir para infertilidade.
Níveis de gordura corporal 10% - 15% acima do normal podem contribuir para infertilidade,
com uma sobrecarga de estrogênios lançados no ciclo reprodutivo. Níveis de 10%
a 15% abaixo do normal podem dificultar completamente o processo reprodutivo.
Mulheres com distúrbios alimentares, como a anorexia nervosa ou bulemia, ou
aquelas em regime de muito baixa caloria, são de risco, especialmente se as
menstruações são irregulares. Mulheres totalmente vegetarianas também podem
ter dificuldades se faltarem nutrientes importantes, como as vitaminas B12,
zinco, ferro, ácido fólico. Corredoras de maratonas, dançarinas, e aquelas que
se exercitam muito intensamente, podem perceber anormalidades no seu ciclo menstrual
e impedimento a fertilidade. Diminuição da gordura corporal contribui para irregularidades
menstruais em atletas de competição, porém outros mecanismos estão também envolvidos.
Mulheres que fumam um ou
mais maços de cigarro por dia e aquelas que iniciaram fumar antes dos 18 anos
são de alto risco para infertilidade. Fumantes intensas de maconha tanto o homem
quanto a mulher possuem efeitos adversos sobre a fertilidade. Foi descrito uma
correlação entre consumo de cafeína e infertilidade. A cafeína é encontrada
principalmente no café, chá e muitas bebidas leves como chocolate, e inúmeros
medicamentos comuns. Mesmo a ingestão moderada de álcool (como cinco vezes por
semana) pode impedir a concepção e também possuir efeitos adversos sobre o desenvolvimento
dos fetos. Duchas vaginais regulares podem impedir a fertilidade aumentando
o risco de gravidez ectópica e doença inflamatória pélvica. Hábito sexual como
múltiplos parceiros, sem a proteção com preservativos, aumenta o risco para
DST (doença sexualmente transmissível) que pode evoluir para uma DIP (doença
inflamatória pélvica) e como conseqüência levar a infertilidade.
A profissão da mulher pode
afetar sua fertilidade, particularmente se envolve exposição a níveis altos
de produtos químicos tóxicos, altas temperaturas, radiação, ou "stress" permanente.
Cerca de 15% a 25% das mulheres
engravidaram nos primeiros quatro meses que procuraram ajuda médica, mesmo antes
de qualquer tratamento, sugerindo que o "stress" ou outros fatores psicológicos
podem contribuir como fator de risco para infertilidade. A depressão pode ter
um efeito direto sobre os hormônios que regulam a reprodução.
Etiologia (causas de infertilidade)
Em cerca de 90% dos casos
de infertilidade é possível se estabelecer uma causa, ou mais de uma. Porém,
em 10%, mesmo após exames exaustivos, nunca saberemos. Entre 10% e 30% dos casos
de infertilidade existem mais de uma causa.
A doença inflamatória pélvica
(DIP) é a maior causa de infertilidade no mundo. A DIP engloba uma variedade
de infecções causadas por diferentes bactérias que podem afetar o útero, as
trompas, ovários, apêndice, partes do intestino que repousa em algumas áreas
da pelve, ou nos casos mais graves toda pelve (peritonite). Os locais mais comuns
que provocam infertilidade são as trompas, em uma condição conhecida como salpingite
(inflamação das trompas). A maioria dos casos de DIP podem ser causados pelas
DSTs, embora os abortamentos infectados, o uso de DIU, ou a ruptura de um apêndice
também podem causar este tipo de infecção. A severidade de infecção, e não o
número delas, parecem contribuir mais para infertilidade. Cerca de 20% das mulheres
que desenvolvem sintomas de DIP tornam-se inférteis. A DIP aumenta também o
risco de gravidez ectópica de forma significativa.
Entre 25% e 50% das mulheres
com endometriose possuem infertilidade. Esta doença se desenvolve quando fragmentos
do revestimento endometrial são implantados em outras áreas da pelve. Estes
implantes endometriais respondem as mudanças dos hormônios, aumentando lentamente
em número e tamanho a cada ciclo menstrual e causando eventualmente aderências
e inflamação. Os implantes endometriais nos ovários ou nas tubas uterinas estão
ligados particularmente a infertilidade, mesmo nos casos de endometriose leve
ou moderada.
Devido a intrincada interação
dos hormônios necessários para a ovulação, não é surpreendente que cerca de
33% dos casos de infertilidade podem ser devido a anovulação ou problemas hormonais.
Eles podem resultar na falha na ruptura do folículo ovariano, um folículo vazio,
ou a falta de liberação do óvulo. Várias condições clínicas, fatores relacionados
ao estilo de vida como; exercícios em excesso, distúrbios da alimentação, fumo,
ou o estresse podem mudar o ritmo hormonal normal. Mesmo pequenas irregularidade
no sistema hormonal podem resultar em distúrbios ovulatórios.
Ocorre em 6% das mulheres.
Na SOP, a produção de androgênios aumenta, altos níveis de LH e baixos níveis
de FSH, impedem o folículo de produzir um óvulo maduro. Sem a produção do óvulo,
o folículo é preenchido com líquido folicular formando pequenos cistos. A todo
momento um óvulo é não é liberado pelo folículo, outros cistos se formam, até
o ovário crescer, algumas vezes atingindo o tamanho de uma laranja. Sem ovulação,
a progesterona não é produzida, enquanto o nível de estrogênios permanece normal.
O elevado nível de androgênios pode causar obesidade, hirsutismo (aumento dos
pelos), e acne. Outros sintomas de masculinizantes como; abaixamento do tom
de voz e hiperclitoridia (aumento do clitóris), são raros. A causa da SOP ainda
é desconhecida, embora os pesquisadores percebam que muitas mulheres com SOP
possuem altos níveis de insulina sem que o corpo a utilize eficientemente, condição
conhecida como resistência a insulina.
Não pode ser confundido
com SOP, um cisto de ovário é um folículo cheio de fluido que cresce no ovário.
O fato deles se resolverem dentro de dois ou mais ciclos menstruais, não causam
infertilidade. Se o cisto não desaparece ou não responde a tratamento medicamentoso,
deve ser puncionado ou removido por cirurgia. Um cisto poderá interferir com
a fertilidade, dependerá do seu tamanho e características. Nos cuidados cirúrgicos
para os cistos persistentes devemos nos preocupar se é maligno (uma condição
incomum em mulheres na pré-menopausa). As vezes na remoção do cisto é necessário
retirar o ovário, raramente impedindo a fertilidade se o ovário contralateral
é saudável.
Algumas mulheres podem
ter uma falência ovariana pré-matura devido a supra-renal, a hipófise, ou uma
deficiência da tireóide. Radioterapia e agentes anti-câncer podem levar a cura
de um câncer em sacrifício da fertilidade causando uma falência ovariana pré-matura.
Algumas vezes as razões desta falências são desconhecidas. Em alguns casos de
infertilidade sem causa aparente pode ser devido a perda da função ovariana
causando alterações hormonais sutis que não são percebidas nos exames de rotina.
Mulheres com Síndrome de Turner, doença genética rara, não desenvolve a função
ovariana. Podendo também existir uma variação muito grande entre estas mulheres
com disfunção genética extremo e aquelas aparentemente normais.
A Prolactina é um hormônio
que estimula a mama a produzir o leite.
Níveis altos em mulheres que não estão grávidas ou amamentando, podem inibir
a ovulação e significar a presença de um tumor na hipófise. Algumas drogas,
incluindo os anticoncepcionais, podem também elevar os níveis de PRL. O fluxo
papilar de leite fora da gravidez ou amamentação (galactorréia) é um sintoma
intrigante da hiperprolactinemia e deve ser investigado.
Em alguns casos, as mulheres
possuem anticorpos contra os espermatozóide. Tais anticorpos são agentes no
sistema imune que reconhecem os espermatozóides como uma proteína estranha e
então atacam. A autoimunidade, quando ocorre um ataque do sistema imune a suas
próprias células, em alguns casos pode ser um fator de falência ovariana pré-matura.
Em algumas doenças autoimune, como a tireoidite de Hashimoto, podem causar infertilidade
e abortamentos.
Defeito na fase lútea é
em geral relativo a problemas no corpo lúteo, que resulta em uma produção inadequada
de progesterona. Como a progesterona é necessária na preparação do endométrio,
o embrião falha em implantar-se com sucesso no endométrio. Entre 25% e 60% das
mulheres que tem abortamentos espontâneos de repetição, possuem defeitos na
fase lútea. Porém estes defeitos da fase lútea podem existir em mulheres férteis,
e a falha na implantação ser devido a outros fatores.
São tumores benignos extremamente
comuns nas mulheres no menacme (±30 anos). Em raros caso, eles podem causar
infertilidade por comprometerem a cavidade uterina, bloqueando as tubas uterinas,
ou alterando a posição do colo do útero e impedindo o espermatozóide de chegar
ao útero. Altos níveis de estrogênios parecem estimular o crescimento dos miomas;
hereditariedade pode também ser um fator no seu desenvolvimento.
O tecido cicatricial que
se forma após a cirurgia abdominal ou infecção chama-se aderência, e pode restringir
os movimentos dos ovários e tubas causando infertilidade. Abortamentos freqüentes,
podem provocar infertilidade feminina. Pode ocorrer um enfraquecimento da cérvice
dificultando manter uma gravidez. Aderências podem se formar no interior da
cavidade uterina provocando abortamentos múltiplos ate o completo fechamento
da cavidade, situação conhecida como Síndrome de Asherman. Provocando uma infertilidade
por falha na implantação. As cirurgias endoscópica como laparoscopia e histeroscopia
estão relacionadas a complicações menores.
Outras causas de infertilidade
Aumentam o risco para infertilidade.
Gravidez ectópica que termina sem tratamento parece provocar menor risco para
o futuro reprodutivo. Mesmo quando ocorre uma ruptura das tubas não parece reduzir
a chance para gravidez na maioria das mulheres. Tais eventos podem ser perigosos
e ameaçam o futuro reprodutor. A cirurgia laparoscópica para remoção das tubas
preserva melhor a fertilidade do que a cirurgia tradicional.
Entre as medicações que
podem causar infertilidade temporária estão aquelas usadas para o tratamento
de doenças crônicas, tal como antidepressivos, hormônios, antibióticos, analgésicos,
e mesmo medicamentos como aspirina e ibuprofeno. O uso de acetaminofen (Tilenol)
regularmente pode reduzir os estrogênios os níveis de LH. Na maioria dos casos,
entretanto, a fertilidade após a parada do medicamento retorna.
Infecções do trato urinário
causadas pelo Ureaplasma urealyticum pode aumentar o risco de abortamentos.
Mulheres podem ter sua
fertilidade comprometida por um número de condições médicas, incluindo apendicite,
diabetes, doença renal, tireóidea, e hipertensão. Em um estudo de mulheres com
epilepsia, as taxas de fertilidade foi 33% menor que na população geral, talvez
devido certas drogas anti-epiléticas que aumentam o risco para defeitos ou fatores
sociais, como abortamentos em mulheres idosas.
Diagnóstico
O primeiro passo na investigação
em qualquer caso de infertilidade é uma história clínica completa, a procurar
principalmente dos fatores de risco. O homem deve também consultar-se ao especialista.
Para afastar os defeitos
de fase lútea, falência ovariana prematura, e ausência de ovulação, o médico
pode retirar uma ou duas amostragem do endométrio na fase lútea média e tardia,
para determinar se o corpo lúteo produz progesterona adequadamente. Se uma mulher
possui menstruações irregulares, a dosagem de FSH e LH são necessárias para
detectar falência ovariana prematura (níveis altos de FSH e LH) ou SOP (níveis
altos de LH e baixos de FSH). A dosagem para a PRL e função tireóide também
são medidos . O exame do muco cervical é feito após uma relação sexual por volta
da metade do ciclo (quando a ovulação deve ocorrer) para determinar se existe
boa qualidade de espermatozóides para ultrapassar o colo uterino, se o espermatozóide
é viável e móvel. Este teste é chamado de teste pós-coito. Amostras do colo
podem ser usadas para testar infecção. Doenças auto-imunes, como hipotiroidismo
e diabetes, devem ser considerados em mulheres com recente falência ovariana
não causadas por anormalidades genéticas. O exame de contagem e viabilidade
dos espermatozóides devem ser feitos também no parceiro masculino.
Exames das trompas e anormalidades uterinas
É um método não invasivo
para avaliar o útero e os ovários usando ondas sonoras ao invés de RX, deve
ser o primeiro procedimento. A ultra-sonografia seriada pode ser um método de
grande acurácia para o rastreamento da ovulação. É capaz de avaliar o endométrio,
contar os folículos maduros e mostrar anormalidades como miomas e cistos ovarianos.
Detecta possíveis bloqueios
nas trompas e anormalidades uterinas. Para determinar os bloqueios, o técnico
injeta contraste, com uma sonda, no colo uterino. Este contraste passa pelo
colo, útero e pelas trompas. Se for visto saindo pela extremidade tubária, não
existe bloqueio. O procedimento pode revelar outras condições, incluindo pólipos
endometriais, miomas, ou anormalidades estruturais do útero e das trompas. Em
alguns casos, este exame pode restabelecer a fertilidade, provavelmente pelo
desbloqueio de suaves obstruções. O exame possui taxas significativas de diagnóstico
falso, tanto positivo como negativo. Se o resultado mostrar bloqueio ou anormalidades,
o exame talvez deva ser repetido. Há também um pequeno risco de infecção pélvica,
e o uso de antibióticos pode ser aconselhado antes do exame. Algum desconforto
pode ocorrer.
Cerca de 40% das mulheres
inférteis nas quais a investigação inicial é pouco reveladora, demonstrarão
anormalidades uterinas e nas trompas no exame de laparoscopia. Este exame é
feito por duas incisões pequenas (uma no umbigo e outra acima do púbis). É injetado
Co2 no abdômen, afastando as alças intestinais e favorecendo a visualização
dos órgãos pélvicos. O laparoscópio(óptica, fonte de luz e fibra), é inserido
com uma camera na incisão umbilical. Outros instrumentos (tesouras, pinças e
aspirador) são inseridos na Segunda incisão, permitindo ao médico uma visão
direta da superfície do útero, trompas e ovários. Podemos identificar endometriose,
aderências pélvicas e bloqueios nas extremidades das trompas. Algumas destas
situações podem ser corrigidas durante o exame, que é feito sob anestesia geral.
Somente nos casos de infertilidade
masculina ou abortamentos de repetição.
Tratamento
Algumas medidas em relação
aos fatores de risco podem ser tomadas, como: a) estilo de vida saudável. Apesar
de não existir nenhum alimento em especial ou alguma cura, apenas pelos cuidados
nutricionais, uma vida saudável é importante. Problemas ovulatórios são muitas
vezes devido a obesidade, distúrbios alimentares, certos medicamentos como os
tranqüilizantes, e outros problemas que pode ser reversíveis simplesmente pela
mudança do comportamento. O fumo aumenta o risco para infertilidade. Em alguns
casos largar o cigarro é imperativo para saúde tanto da mulher como do bebê.
Os exercícios são sempre essenciais para uma boa saúde. Embora exercícios muito
intensos podem causar irregularidade menstrual até amenorréia. Para mulheres
que se exercitam exageradamente ou perderam peso de forma exagerada, a simples
adição de calorias na alimentação podem restaurar a normalidade dos ciclos menstruais.
As atletas não devem interromper os exercícios competitivos para o retorno da
sua fertilidade, basta comerem mais. Por outro lado aquelas com sobrepeso, devem
tentar emagrecer; b) temperatura basal. Com freqüência a mulher é orientada
a medir sua temperatura corporal (conhecida como medida da temperatura basal).
A temperatura do corpo aumenta ou diminui de acordo com as flutuações dos hormônios
durante o ciclo menstrual. Imediatamente após a ovulação a temperatura corporal
aumenta. Toda manhã antes de levantar, a mulher mede sua temperatura com um
termômetro e anota o resultado em um gráfico próprio. Ela também deve anotar
os dias da menstruação e atividade sexual. Em cerca de 80% dos casos, os gráficos
mostram, um aumento na temperatura, se ocorrer ovulação. A medida deve ser feita
por vários ciclos, e o casal orientado para sincronizar suas relações sexuais
para aqueles dias em que a fertilidade está aumentada.
Se a mulher não conseguir
restabelecer sua fertilidade com a mudança no seu estilo de vida ou com tratamentos
para distúrbios menstruais existentes ou outras condições clínicas, então o
tratamento pode ser necessário. Escolher uma boa clínica é importante. Aquelas
que oferecem tecnologias em reprodução assistida nem sempre são regulamentadas
pelos órgãos de vigilância sanitária, e pode haver abusos, incluindo a falta
de consentimentos informados, uso de embriões sem autorização, e a falta de
uma investigação rotineira nos doadores para doenças bacterianas e virais. Os
casais devem solicitar as taxas nascimentos (não as taxas de gravidez) para
outros casais com problemas semelhantes. Algumas clínicas de má reputação mostram
taxas de sucesso excluindo as mulheres de mal prognóstico, como aquelas mais
velhas ou que falham na indução da ovulação. Aumentando assim seus resultados.
Uma outra forma de enganar é basear as estatísticas somente nas taxas de gravidez
e não na taxa de nascimentos. Procedimentos avançados e as medicações são extremamente
caros e normalmente não são cobertos pelos seguros de saúde ou órgãos públicos.
Os casais devem ser cautelosos sobre ofertas de descontos no caso de falha;
as clínicas que oferecem são freqüentemente mais caras do que as demais.
Lidar com emoções negativas
durante o tratamento é muito importante. Quase a metade das mulheres que procuram
ajuda, praticam algum ritual de boa sorte, incluindo rezar e usar de sedução
ou jóias especiais. Não há evidências de que estes talismãs aumentem a fertilidade,
mas eles podem ajudar diminuindo a ansiedade e aumentando o senso de controle.
O acompanhamento emocional pode ajudar aumentando a taxa de gravidez nestes
casos.
As vezes não há como prever
qual casal ira eventualmente engravidar; alguns com múltiplos problemas poderão
ter grandes chances, enquanto casais aparentemente férteis falham em engravidar.
Muitos dos novos tratamentos são extraordinários, mas o nascimento de uma criança
nunca é garantido. O "stress" dos fracassos podem destruir mesmo os relacionamentos
mais amorosos. Mesmo sem falha, o caminho para uma gravidez pode ser muito difícil.
Os casais devem ser preparados para muitos sacrifícios, tanto financeiro como
emocional, antes de submeter-se a estes processos. O sucesso depende muitas
vezes de repetidas tentativas. Alguns casais, as vezes viciam no tratamento
a ponto de continuarem até estarem exauridos tanto emocionalmente como financeiramente.
Medicamentos
As drogas podem ser utilizadas
sozinhas, para os tratamentos iniciais de indução da ovulação, ou associadas
a procedimentos de reprodução assistida em um processo chamado de hiperestimulação
ovariana controlada.
Estimula a produção pela
hipófise de FSH e LH, ajudando no crescimento folicular e a liberação do óvulo.
O clomifeno é a droga de escolha em determinadas mulheres por ser usada por
via oral, é relativamente barata, e o risco para gravidez múltipla é menor do
que com outras drogas. As candidatas para estas drogas devem ser escolhidas
com cuidado. Mulheres com SOP e aquelas com irregularidades menstruais são boas
candidatas ao clomifeno. Aquelas que ovulam normalmente ou que possuem falência
ovariana prematura (ex. menopausa precoce) não são boa escolha. Cerca de 75%
das mulheres tratadas com o clomifeno ovulam, mas a taxa de gravidez é somente
cerca de 40% devido a existência de outros problemas, como defeitos no corpo
lúteo ou distúrbios no endométrio. Na metade das mulheres a droga reduz a qualidade
e a quantidade do muco cervical e, portanto, a linha endometrial torna-se fina.
Um outro efeito do clomifeno é a formação de cistos nos ovários, ondas de calor,
náusea, dor de cabeça, ganho de peso e fadiga. Defeitos da fase lútea acontecem
em algumas mulheres, mas podem ser tratados com progesterona ou gonadotropina
coriônica humana (hCG). O risco para gravidez múltipla é cerca de 5% a 10%.
É interessante ressaltar que existe estudos que correlacionam uma alta incidência
de anormalidades genéticas associadas com a indução da ovulação com o clomifeno.
As menotropinas são gonadotropinas
humanas das mulheres na menopausa (hMG), é extraído da urina de mulheres na
menopausa, que possuem altas concentrações de FSH e LH, em combinação ou o FSH
puro. O tratamento com gonadotropinas (ex. Pergonal e Metrodin) ® pode ser eficiente
em estimular a fertilidade em mulheres com problemas ovulatórios, endometriose,
e esterilidade sem causa aparente. Devido seu alto custo e seus riscos, é freqüentemente
prescrito após a falha de outros tratamentos mais simples, embora o hMG pode
ser mais efetivo que o clomifeno na inseminação intra-uterina. O medicamento
deve ser administrado por injeções. Os níveis de estrogênios deve ser monitorizado
com freqüência e a ultra-sonografia realizada de forma seriada, para evitar
o hiperestímulo dos ovários. Isto causa uma superprodução de folículos e aumenta
o risco para gravidez múltipla. Se não houver estes cuidados, o aumento dos
ovários pode resultar em ruptura e sangramento, necessitando assim de hospitalização.
Aproximadamente 50% das pacientes tratadas com hMG engravidarão, e de 15% a
30% terão gravidez múltipla. Cerca de 1/3 das gravidezes terminarão em abortamento
espontâneo, aproximadamente a taxa normal da população.
A versão sintética do LH-RH
ou GnRH, pode ser usado quando o hipotálamo (região no cérebro) não funciona
apropriadamente. Deve ser administrado em forma de pulsos regulares de 60-90'
ou subcutâneo ou endovenoso para indução da ovulação. (Se for administrado de
forma contínua a ovulação é suprimida - "down regulation") pode ser usado em
bombas de infusão; o equipamento é caro e incômodo, e complicações como infecção
distúrbios da coagulação podem ocorrer. Da mesma forma que o hMG, o LH-RH deve
ser monitorizado de perto. A hiperestimulação dos ovários é um risco, da mesma
forma que com o hMG. Gravidez múltipla pode ocorrer em 7% dos casos.
É usada em combinação com
as menotropinas e, em alguns casos, com o clomifeno para indução da ovulação.
Derivada da urina das mulheres grávidas, a droga é semelhante ao LH e imita
a onda de LH do meio do ciclo. O maior efeito colateral é a hiperestimulação
ovariana.
É o FSH extraído da urina
da mulher menopausada. Estimula os folículos e pode ser usado com o hCG para
produzir ondas de LH e FSH que desencadeiem a ovulação. É usado geralmente quando
o clomifeno falha em mulheres com SOP que possuem altos níveis de LH.
O risco de gravidez múltipla
e, como consequência, os RNs de baixo peso aumentam com o uso destas drogas.
Há preocupações em relação ao risco aumentado para câncer de ovário com o uso
destas drogas, em particular o clomifeno e as gonadotropinas humanas. Um crescente
número de trabalhos, entretanto, não encontraram aumento do risco com o uso
destas drogas. Trabalhos conclusivos e de longo seguimento são necessário para
comprovação.
Procedimentos mais comuns em reprodução assistida
Inseminação artificial
A inseminação artificial
intra-uterina (IIU) coloca os espermatozóides diretamente no colo ou no corpo
uterino. Está indicada para a mulheres que possuem muco cervical inadequado,
no caso de doação de espermatozóides, quando existe uma baixa na contagem dos
espermatozóides, ou nos casos de esterilidade sem causa aparente. Em casais
com esterilidade sem causa aparente (ESCA), a taxa de gravidez por ciclo foi
de 4% para inseminação intra-uterina isoladamente e de 8 a 17% quando combinada
com indução da ovulação usando drogas como clomifeno ou gonadotropinas, respectivamente.
A técnica consiste em induzirmos uma ovulação, por ocasião da ovulação o esperma
é preparado por técnicas próprias de lavagem ("Swim up"). O procedimento é feito
pela inserção na cavidade uterina por um cateter dos espermatozóides preparados.
Reprodução assistida
Reprodução assistida (RA)
são procedimentos que usam óvulos de doadores ou técnicas de captação ovular
dos ovários e após fertilizados em laboratório ou não, e são transferidos ao
útero. Uma fertilização pode ocorrer ou no laboratório, na tuba ou no útero.
O procedimento mais comum é a Fertilização in vitro (FIV). Outros incluem o
GIFT (gamete intrafallopian transfer), ZIFT (zygote intrafallopian transfer),
e a ICSI (intracytoplasmic sperm injection). Estatísticas americanas mostram
que mais de 20.000 crianças nasceram por técnicas de reprodução assistida, em
mais 64,000 ciclos (23%). Sendo 25,9% para FIV, 28,7% para GIFT e 30.3% para
ZIFT. Em geral o sucesso em RA é menor em pacientes mais velhas e aquelas com
anormalidades uterinas. A idade, portanto, é a mais importante determinante
em mulheres que usam seus próprios óvulos. O uso de óvulos doados é indicado
para mulheres com idade avançada, mesmo na pós-menopausa. O congelamento permite
guardar embriões por períodos longos e descongela-los, para posterior transferência.
Cerca de 71% dos procedimentos
em RA utilizam a fertilização in vitro com óvulos da própria paciente. As melhores
candidatas a FIV são mulheres com problemas nas trompas, alguns especialistas
acham melhor que a cirurgia reparadora. A FIV pode também ser usada na ESCA
ou para o fator masculino. Primeiro o médico induz uma superovulação usando
drogas, levando a formação de múltiplos óvulos que então são colhidos do ovário
antes de serem liberados pelo folículo. Algumas mulheres preferem tentar ciclos
naturais, neste caso somente um óvulo é aspirado, com taxas menores de sucesso.
A dose ideal para a indução é difícil de ser prevista, por isso existem vários
protocolos para indução da ovulação, certamente um será melhor para uma paciente
em particular. Para coleta dos óvulos utilizamos uma sonda endovaginal com uma
agulha guiada pelo ultra-som. O líquido folicular é aspirado e então obtemos
vários óvulos. Os óvulos e os espermatozóides são colocados juntos em uma placa
de petri. Entre 48 a 72 horas os óvulos geralmente estão fertilizados, resultando
em embriões (o primeiro estágio do desenvolvimento do feto) que são transferidos
ao útero.
Após duas semanas poderemos
determinar o sucesso do processo. As taxas de sucesso da FIV para os primeiros
três ciclos de tratamento são idênticas; caem de maneira reduzida para o quarto
ciclo e significativamente após cinco ciclos. Adelgaçar a membrana do óvulo
fertilizado antes da implantação (incubação assistida) pode aumentar as taxas
de implantação em certas mulheres como as acima de 40 anos.
O GIFT e o ZIFT são adaptações
da FIV. Usado para a mulher que possua pelo menos uma tuba uterina funcionante;
GIFT e ZIFT são usados na ESCA e fator masculino leve. No GIFT, os óvulos são
coletados como na FIV, porém não fertilizados. São misturados com os espermatozóides
e imediatamente injetados dentro da trompa por um cateter próprio. A laparoscopia
é usada para este procedimento. O local de colocação é exatamente onde ocorre
a fertilização natural. A taxa de sucesso é semelhante as da FIV. No ZIFT os
óvulos fertilizados no laboratório, como na FIV, são transferidos para a trompa.
A ICSI é uma técnica altamente
sofisticada que injeta um único espermatozóide dentro de um óvulo maduro usando
um microscópio e instrumentos de micromanipulação. É usado por casais que falham
na FIV tradicional ou nos casos de fator masculino severo, atualmente constitui
cerca de 30% dos ciclos de RA. Para o fator masculino é o tratamento mais efetivo.
Novas técnicas de micromanipulação
estão sendo desenvolvidas para 1/3 de homens inférteis que possuem oligoespermia
severa, uma alta taxa de anormalidades nos espermatozóides, obstrução nos túbulos
seminíferos, ou ausência de ducto deferente. Uma técnica investigativa envolve
a cultura de espermatozóides pobres com o óvulo em uma pequena microcâmara,
assim aumentando as chances deste fertilizar o óvulo. Uma técnica chamada microinjeção
de espermatozóides subzonal, injeta um a quinze espermatozóides abaixo da zona
pelúcida. A dissecção da zona pelúcida é feita por punção e incubação do óvulo
em gotas de 10,000 a 50,000 espermatozóides com alta motilidade. Há o risco
de dano ao óvulo na punção. Há um risco aumentado para defeitos genéticos no
bebê. Uma técnica experimental chamada FASIAR (follicle aspiration, sperm injection,
and assisted follicular rupture) poderá provar ser significativamente o mais
barato tratamento e também reduzir o risco de gravidez múltipla. Após a indução
da ovulação, o médico punciona o folículo e capta o óvulo e o fluido em uma
seringa que também contém espermatozóides. A mistura é então reinjetada próximo
da ruptura folicular. Pode ser feito no consultório. O procedimento chamado
ROSNI (round spermatic nuclear injection) e ELSI (elongated spermatid) usado
para espermatozóides imaturos aspirados do testículo e injetados no óvulo por
ICSI. O espermatozóide pode ser natural ou congelado. Estes procedimentos são
controversos, e proibidos em certos países. Alguns centros desenvolvem técnicas
em FIV que permitem um tempo maior para o embrião se desenvolver em laboratório
(cinco ao invés de dois ou três). Permitindo o embrião atinja o estágio de blastocisto,
o estágio natural de implantação do embrião no útero.
Complicações em reprodução assistida
Por volta de 38% de todos
nascimentos em RA são provindo de uma gravidez múltipla, com 5.8% de triplos
ou mais. A incidência aumentada destes nascimentos colocam em um risco para
complicações, incluindo partos cesarianas RN de baixo peso. Se o tratamento
produz múltiplos embriões a mãe deve decidir se levará todos a termo, com aumentado
risco para saúde tanto dela como dos fetos. Fora o aborto, sua outra opção é
a redução embrionária, onde é removido um ou mais embriões com risco para os
demais. A melhor conduta é limitar o número de embriões implantados. A maioria
dos centros implantam dois ou três embriões por transferência, e o restante
é congelado para uso futuro. Em geral, a chance para o sucesso aumenta quanto
maior o número de embriões transferidos. Após três, entretanto, as taxas de
sucesso aumentam muito discretamente, mas o risco de gravidez múltipla aumenta
significativamente.
Estudos sugerem que o único
risco para as mulheres que engravidam por FIV de uma criança, foi a alta taxa
de infecção urinária antes do parto e maior taxa de cesarianas (41.9% para FIV
vs. 15.5% para concepção natural).Outras complicações associadas com RA incluem
abortamento espontâneo (12.9%) e gravidez ectópica (0.5%).
Embora, em geral, os estudos
indicarem que não há risco aumentado para defeitos nos recém-nascidos com RA,
estudos a longo prazo são necessários, principalmente para os procedimentos
mais novos. Embriões congelados não parecem possuir maior risco para problemas
de desenvolvimento nas crianças, mas estudos de seguimento a longo prazo são
necessários. Estudos recentes indicam que homens com baixa quantidade ou sem
espermatozóides devido a fatores genéticos, que engravidam por ICSI, são de
risco para transmitirem a infertilidade a seus descendentes.
Condições especiais
A laparoscopia ou a salpingostomia
histeroscópica, procedimentos usados no diagnóstico da infertilidade, podem
em alguns casos, ser usados para remover implantes de endometriose, corrigir
problemas estruturais, ou desobstruir algum bloqueio.
A identificação das mulheres
de alto risco para infecção por clamydia trachomatis e o tratamento antes dos
sintomas pode reduzir o risco para DIP em aproximadamente 60%.
Endometriose pode ser tratada
com cirurgia, medicamentos ou ambos, não há evidências conclusivas de que o
tratamento medicamentoso aumenta a fertilidade. Para endometriose mínima cerca
de 20% a 30% engravidarão após seis meses da laparoscopia. As que não engravidam,
devemos considerar a repetição da laparoscopia, ou GIFT, principalmente as de
mais idade. Não está claro se a FIV é útil se a endometriose for severa.
O primeiro tratamento da
SOP é com clomifeno. O GnRH, usado só ou em combinação com o clomifeno ou gonadotropinas,
em alguns casos têm sucesso. Se não houver sucesso com estes tratamentos, cirurgias
ovarianas (ex. cauterização dos ovários) ou RA são usados. As mulheres que não
são candidatas a esses procedimentos, contraceptivos orais, antiandrogênios
podem se usados para diminuir os hormônios masculinos. O Metformin e troglitazone,
drogas usadas para normalizar os níveis de insulina, mostram resultados promissores
em alguns casos, mas possuem sérios efeitos colaterais. A resistência a insulina
na SOP pode ser causada pela deficiência de D-chiro-inositol, encontrados naturalmente
em frutas.
Pacientes com hiperprolactinemia
devido a tumor de hipófise pode ser tratada com bromocriptina (Parlodel)®, que
diminui o tumor, reduz os níveis de PRL e permite o retorno das ovulações. Dentre
os efeitos colaterais destacamos, náuseas, vertigem, dor de cabeça e cansaço;
que podem ser evitados iniciando-se o tratamento com doses baixas e aumento
gradual até a dose ideal.
Pesquisas em fase de teste
removem e congelam (criopreservação) tecido ovariano contendo óvulos para posterior
uso, oferecendo assim esperança para estas mulheres que se submetem ao tratamento
de câncer que provocam total infertilidade.
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