Atualmente,
muitas evidências conectam a presença de infecção cervical por papilomavírus
humano (HPV) ao surgimento de câncer cervical, mas tanto a epidemiologia quanto
a história natural desta infeçcão continuam pouco conhecidas. Um estudo em andamento
no Brasil está investigando os padrões de infecção por HPV em 1.425 mulheres
da São Paulo, local onde as taxas de câncer cervical estão entre as mais elevadas
do mundo.
Amostras cervicais
foram analisadas quanto à presença de DNA de HPV através de técnica de PCR,
com intervalos de 4 meses, durante o período de um ano, e novamente, a partir
de então, a cada 6 meses. Nesta análise a curto prazo, a duração média do acompanhamento
foi de 10 meses, mas algumas pacientes foram acompanhadas por períodos de até
3 anos. A prevalência inicial da infecção por HPV foi de 13.8%, com prevalências
pontuais posteriores de 12 a 15%. Apesar de 25% das mulheres testadas terem
apresentado teste positivo para HPV, em algum momento do estudo, a maior parte
das infeções foi transitória.
Os tipo oncogênicos
tenderam a ser mais persistentes do que os tipos virais não-oncogênicos (média
de duração da infecção, 8.9 meses para os tipos oncogênicos e 7.0 para os não-oncogênicos).
A incidência dos tipos não-oncogênicos não variou de acordo com a idade, apesar
da prevalência ter sido mais elevada em mulheres com menos de 35 anos. Para
as formas oncogênicas, tanto a incidência quanto a prevalência foram quase duas
vezes maiores em mulheres com menos de 35 anos do que em mulheres mais idosas.
O câncer cervical
parece ser o resultado da infecção persistente de tipos oncogênicos de HPV.
Lugares diferentes apresentam diferentes populações virais, mas o padrão caótico
de infecções, aqui demonstrado, ilustra como é complicado o rastreamento e a
prevenção do risco de infecção por HPV.
Ref.:
Franco EL et al.Epidemiology of acquisition and clearance of cervical human
papillomavirus infection in women from a high-risk area for cervical cancer.
J Infect Dis 1999 Nov; 180:1415-1423.