Um
novo índice de avaliação de tumor ovariano, desenvolvido por pesquisadores da
Universidade do Texas, irá auxiliar no diagnóstico acurado de lesões suspeitas,
permitindo a diferenciação entre massas benignas e malignas.
A maioria das
mulheres com tumor de ovário, confirmado através da ultra-sonografia (US), são
portadoras de lesões benignas, conforme revelado no pós-operatório das grandes
cirurgias a que são submetidas. Devido à dificuldade no diagnóstico dessa doença,
muitos médicos acabam por recomendar tratamentos agressivos.
A detecção
precoce do câncer de ovário é um desafio e uma difícil tarefa. O índice, é uma
forma valiosa de interpretar, de forma prática, uma série de achados ultra-sonográficos,
auxiliando o médico a decidir sobre a necessidade de novos exames, de cirurgia
ou conduta clínica.
É possível
que, ao indicar a natureza benigna de uma lesão suspeita, o índice permita optar
por procedimento menos traumático como, por exemplo, uma cirurgia laparoscópica.
A informação gerada também ajudará a decidir sobre a necessidade de cirurgia
ou encaminhamento para serviço especializado.
O
índice ainda poderá indicar quais pacientes se beneficiariam da monitorização
sérica - série de exames de sangue que indicam a presença de células cancerosas
em proliferação. O índice foi desenvolvido mediante avaliação de características
de massas malignas e benignas, realizada com US em tempo real, medidas de fluxo,
medidas estruturais e estudo de vasos por meio de métodos como o mapeamento
colorido. A característica mais definitiva para o diagnóstico é a idade da paciente.
O estudo mostrou uma correlação lógica entre a idade e o risco de doença maligna.
Das 304 mulheres
do estudo, 244 foram acompanhadas na própria universidade, o que permitiu a
correlação entre a evolução das pacientes e os achados do exame ultra-sonográfico.
Entre essas pacientes, 214 foram diagnosticadas como sendo portadoras de massas
não-cancerosas, enquanto 30 receberam o diagnóstico de câncer de ovário. Das
massas não-cancerosas, 85 corresponderam a tumores benignos. Nesse estudo, foram
incluídas mulheres na pré-menopausa, na menopausa e na pós-menopausa.
Conforme já
suspeitado pelos pesquisadores, a idade da paciente e a aparência, tamanho e
fluxo sangüíneo, revelados pelo exame ultra-sonográfico diferiram de forma significativa
nas lesões cancerosas e não-cancerosas. Tumores grandes, vascularizados, de
aparência anormal, apresentavam um risco maior de malignidade. Pacientes jovens
tinham uma chance maior do que as mais idosas de serem portadoras de lesões
benignas.
Os pesquisadores
designaram números que refletissem os achados ultra-sonográficos variados. Foi
adicionada à fórmula a idade da paciente. Os autores comentam que a determinação
de uma probabilidade relativa obtida com o índice é uma alternativa em relação
a valores de corte que diferenciam lesões malignas de lesões não-malignas, além
de ser uma medida mais realista.
Referência:
The Ovarian Tumor Index Predicts Risk for Malignancy. Twickler et al.
Cancer Volume 86 Issue 11 p 2280 - 90. December, 1999.