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Herpes genital

Herpes genital é uma infecção causada pelos vírus HSV-1 ou HSV-2 responsável por ulceração na área genital. Infecções por HSV podem ser confirmadas de acordo com a busca sorológica e virológica. Os tipos de manifestações da infecção incluem: primeiro episódio de uma infecção primária, que é definido pela presença do vírus HSV sem achados anteriores de anticorpos contra HSV-1 ou HSV-2; primeiro episódio de uma não primo-infecção, que é a presença do vírus HSV-2 com anticorpos para o vírus HSV-1 ou vice-versa; primeiro episódio de recorrência, que se define pela confirmação da presença do vírus HSV-1 ou HSV-2 e de anticorpos; e herpes genital recorrente, que é causada pela reativação de um vírus latente. O vírus HSV-1 também pode causar gengivomastite e/ou úlceras labiais. O vírus HSV-2 também causa outros tipos de infecções herpéticas, como herpes ocular; e ambos podem causar infecção do sistema nervoso central (ex: encefalite).

Incidência/Prevalência

Infecção por herpes genital está entre as doenças sexualmente transmissíveis mais comuns. Os estudos de soroprevalência mostram que 22% dos adultos nos Estados Unidos possuem anticorpos contra HSV-2. Na Inglaterra, um estudo mostrou que 23% dos pacientes adultos que freqüentam clínicas de medicina sexual e 7.6% dos doadores de sangue em Londres possuem anticorpos para HSV-2. A soroprevalência do HSV-2 aumentou em 30% (95% IC, 15.8 a 45.8%) entre os períodos de 1976 a 1980 e de 1988 a 1994. Não obstante, deve-se enfatizar que os níveis de anticorpos só conseguem indicar infecções presentes ou passadas, mas não conseguem prever possíveis infecções futuras pelo HSV-2 (ex: genital, ocular). Sendo assim, deve-se tomar cuidado com os números de tais estudos quando direcionados apenas ao herpes genital.

Etiologia/ Fatores de Risco

O HSV-1 e o HSV-2 podem causar um primeiro episódio de infecção genital, mas o HSV-2 causa recorrência mais freqüentemente. A maioria das pessoas com infecção pelo HSV-2 tem sintomas leves e nem percebem que estão com a infecção. Entretanto, essas pessoas não deixam de ser transmissores em potencial para parceiros sexuais e na gravidez.

Prognóstico

As complicações pela infecção do HSV incluem infecção neonatal, infecções oportunistas em imunocomprometidos, ulceração genital recorrente, e morbidade psicosocial. A infecção pelo HSV-2 está associada a um aumento no risco da transmissão e aquisição da AIDS. As complicações neurológicas mais comuns são: meningite asséptica (reportadas em por volta de 25% das mulheres durante a primeira infecção) e retenção urinária (documentada em mais de 15% das mulheres durante a primeira infecção). O risco da infecção neonatal é maior quando a infecção é adquirida perto do momento do parto (41%, 95% IC, 26 a 56%), e menor nos casos de uma infecção já estabelecida (menos de 3%), mesmo nos casos de recorrência. Cerca de 15% das infecções neonatais resultam de transmissão após o nascimento, através de lesões orais de parentes ou dos profissionais de saúde do hospital.

Quais são os efeitos dos tratamentos no primeiro episódio de herpes genital?

Tratamento antiviral oral versus Placebo

Trabalhos mostram que os antivirais orais diminuem a duração das lesões, os sintomas, a disseminação viral, além de reduzirem as complicações neurológicas. Dois trabalhos pequenos não obtiveram evidência suficiente para que se pudesse estabelecer uma comparação entre a freqüência de recorrência no tratamento antiviral oral e no placebo.

Que intervenções reduzem o impacto da recorrência?

Tratamento antiviral oral diário em pacientes com altas taxas de recorrência

Trabalhos demonstraram que a manutenção de um tratamento diário com antiviral oral reduz a freqüência da recorrência da infecção e melhora a morbidade psicosocial comparado ao placebo.

Tratamento antiviral oral ao inicio da recorrência

Uma revisão sistemática e um trabalho subseqüente mostraram que o tratamento antiviral oral administrado ao início da recorrência reduz a duração das lesões, a duração do episódio, a disseminação do vírus, além de aumentar a taxa de interrupção da recorrência quando comparado à administração do placebo. Não há diferenças significativas entre os agentes antivirais. Todos eles possuem eficiência semelhante na redução dos sintomas e disseminação viral comparados ao placebo. Um estudo mostrou ainda que não há diferença entre a administração do valaciclovir por três versus cinco dias.

Bibliografia:

1. Fleming DT, McQuillan GM, Johnson RE, et al. Herpes simplex virus type 2 in the United States, 1976 to 1994. N Engl J Med 1997;337:1105-11.
2. Cowan FM, Johnson AM, Ashley R, et al. Antibody to herpes simplex virus type 2 as serological marker of sexual lifestyle in populations. BMJ 1994;309:1325-9.
3. Benedetti J, Corey L, Ashley R. Recurrence rates in genital herpes after symptomatic first-episode infection. Ann Intern Med 1994;121:847-54.
4. Mertz GJ, Schmidt O, Jourden JL, et al. Frequency of acquisition of first-episode genital infection with herpes simplex virus from symptomatic and asymptomatic source contacts. Sex Transm Dis 1985;12:33-9.
5. Whitley RJ, Kimberlin DW, Roizman B. Herpes simplex viruses. Clin Infect Dis 1998;26:541-53.

Editora responsável: Dra. Elisabete Almeida - drabetty@lincx.com.br


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