Muitos exames e técnicas diferentes têm sido utilizadas para prever ou confirmar
a ovulação em mulheres que desejam engravidar. Os métodos diretos, como a laparoscopia
e a ultra-sonografia transvaginal de alta resolução, são invasivos e de custo
elevado para o emprego de rotina. Vários métodos indiretos foram desenvolvidos,
utilizando a temperatural corporal basal (TCB), a composição do muco cervical
e alterações nos níveis de estrógeno, hormônio luteinizante (LH) ou progesterona
nos fluidos do organismo. Cada método apresenta vantagens e desvantagens, mas
pouco se sabe sobre a confiabilidade de cada um deles. Guermandi e colaboradores
compararam e determinaram a precisão dos métodos mais utilizados.
Os autores
estudaram 101 mulheres acompanhadas em um hospital universitário italiano para
tratamento de infertilidade. As integrantes do estudo tinham entre 18 e 38 anos
de idade (média de 32 anos), apresentavam pelo menos 12 ciclos menstruais consecutivos
regulares com duração entre 26 e 34 dias antes do início do estudo, tinham peso
normal (índice de massa corpórea entre 19 e 24 kg/m²) e eram saudáveis. Níveis
de progesterona sérica no meio da fase lútea maiores ou iguais a 8,0 ng/mL (25
nmol/L) foram critérios de inclusão no estudo, sendo também determinados os
níveis séricos de prolactina, hormônio folículo estimulante (FSH) e LH. Mulheres
com níveis elevados de LH e FSH no início da fase folicular foram excluídas
do estudo, bem como aquelas com níveis elevados de prolactina no meio do ciclo.
Pacientes com evidências de síndrome dos ovários policísticos ou quaisquer achados
intra-abdominais que pudessem dificultar o exame ultra-sonográfico também foram
excluídas.
Cada paciente
foi acompanhada durante um ciclo menstrual com ultra-sonografias, medidas da
TCB, dosagens dos níveis séricos de progesterona e pesquisa urinária de LH.
A ultra-sonografia transvaginal foi realizada no 8o dia do ciclo e, a partir
de então, a cada dois dias até identificar-se um diâmetro folicular médio de
14 mm. Daí em diante, o exame foi realizado diariamente até serem observadas
evidências de ruptura ou desaparecimento do folículo. As medidas da TCB foram
realizadas todas as manhãs utilizando protocolos padronizados. A partir do dia
em que se observou diâmetro folicular médio de 14 mm, a pesquisa urinária de
LH foi realizada diariamente pela manhã e à noite com kits para uso domiciliar.
Essas medidas foram realizadas até dois testes positivos consecutivos serem
obtidos. A dosagem sérica de progesterona foi realizada no 6o, 8o e 10o dia
após a data provável da ovulação, definida como 14 dias antes da data provável
da próxima menstruação.
Com a ultra-sonografia,
foi possível confirmar o desenvolvimento folicular e a ovulação em 97 ciclos.
A identificação de LH na urina foi registrada antecedendo a ruptura folicular
em todos os casos. Em três pacientes, não foi possível demonstrar a ruptura
folicular através da ultra-sonografia, apesar do exame positivo de LH. A duração
média da fáse lútea foi de 13 dias utilizando-se a ultra-sonografia e entre
14 e 15 dias baseado na pesquisa urinária de LH. As informações sobre a TCB
não foram disponíveis em 11 pacientes. Entre as 90 pacientes restantes, 69 (68%)
apresentaram padrão bifásico. Com base nos valores da TCB, 65 ciclos ovulatórios
e 2 ciclos anovulatórios foram confirmados pela ultra-sonografia. A TCB mínima
(nadir) variou bastante. Em comparação com a ultra-sonografia, a TCB identificou
a ovulação com uma sensibilidade de 77% e especificidade de 33%, resultando
em uma acurácia de 74%. A dosagem sérica de progesterona apenas no meio da fase
lútea (seis dias após a data provável de ovulação) e a dosagem seriada apresentaram
os mesmos resultados. Em comparação com a ultra-sonografia, a dosagem única
de progesterona no meio da fase lútea apresentou sensibilidade de 80%, especificidade
de 71% e acurácia de 79%.
Os autores
concluem que a dosagem dos níveis urinários de LH é um método conveniente que
fornece dados precisos para avaliar a data da ovulação. Nesse estudo, a identificação
de LH na urina ocorreu de forma consistente 72 horas antes da ovulação. Por
outro lado, as pacientes relataram que a medida da TCB é inconveniente, mostrando-se
pouco precisa na identificação da ovulação. A ovulação ocorreu desde seis dias
antes do nadir da TCB até quatro dias após essa data. A dosagem única de progesterona
no meio da fase lútea, utilizando um valor limite de 6,0 ng/mL (19 nmol/L),
também foi um método eficiente para a confirmação da ovulação.
Referência
Guermandi E, et al. Reliability of ovulation tests in infertile women. Obstet
Gynecol January 2001;97:92-6.