A miomectomia por histeroscopia
vem sendo cada vez mais indicada em pacientes com miomas e menorragia, em substituição
à histerectomia, particularmente naquelas que desejam preservar o útero. Além
disso, a miomectomia por histeroscopia é amplamente realizada quando a infertilidade
é atribuída a miomas uterinos. Vercellini e colaboradores estudaram o
efeito a longo prazo do procedimento sobre o padrão menstrual e a fertilidade.
O estudo envolveu mais de
100 mulheres que foram submetidas à miomectomia por histeroscopia em um centro
italiano entre 1991 e 1997. A idade média das pacientes foi de aproximadamente
35 anos, e 70% delas eram nulíparas. Para dois terços das mulheres, a menorragia
representava o principal sintoma. Em segundo lugar, encontrava-se a infertilidade.
O tipo mais comum de mioma removido foi o pedunculado submucoso (54), seguido
pelo séssil (30) e, por último, o intramural (24). Em muitas pacientes, observou-se
mais de um tipo de lesão. Apenas uma delas apresentou hemorragia significativa
durante o procedimento, e todas receberam alta hospitalar dentro das primeiras
24 horas após a intervenção. Trinta e quatro mulheres precisaram de mais de
um procedimento para a remoção completa dos miomas.
Após a cirurgia, a perda
média de sangue na menstruação diminuiu significativamente em todas as pacientes,
com elevação importante dos níveis de hemoglobina. Durante o seguimento, o índice
acumulado de recorrência dos miomas foi de 34% em 3 anos. O tipo de mioma não
pareceu influenciar no risco de recorrência. A probabilidade acumulada de menorragia
recorrente em três anos foi de 30%, não sendo também influenciada pelo tipo
de mioma. Entre as 40 pacientes com queixa de infertilidade, 15 engravidaram
durante o período de acompanhamento. Os índices de concepção foram de 46% em
pacientes com lesões pedunculadas, 33% com miomas sésseis, e 16% naquelas com
lesões intramurais. Os autores concluem que a miomectomia por histeroscopia
representa um método seguro e eficaz para o tratamento da menorragia, com uma
taxa de recorrência de aproximadamente 30% em três anos. Algumas pacientes com
infertilidade deram à luz após a intervenção, com índices entre 16 e 46 por
cento, dependendo do tipo de mioma removido.
Os autores recomendam a
avaliação concomitante das pacientes com infertilidade através do exame laparoscópico,
com o objetivo de detectar outros fatores que podem impedir a concepção ou a
implantação.
Referência: Vercellini
P, et al. Hysteroscopic myomectomy: long-term effects on menstrual pattern
and fertility. Obstet Gynecol September 1999;94:341-7.