Doença Inflamatoria
Pelvica
Discussao
de caso
A suspeita
é de doença pélvica inflamatória
(DIP) em paciente de 23 anos, sexualmente ativa, atendida
com dores abdominais e sensibilidade. O teste de gravidez
de urina deu negativo.
O que
causa a DIP?
A etiologia
de DIP geralmente é conhecida por ser uma infecção
polimicrobiana. Uma grande variedade de microorganismos
foi recuperada do aparelho genital superior de mulheres
com DIP aguda, inclusive N. gonorrhoeae, C. trachomatis,
micoplasma genital e bactérias aeróbicas e
anaeróbicas da flora vaginal endógena, como
espécie de Provotella (Bacteróides), Peptostreptococci
sp., Gardnarella vaginalis, Escherichia coli, Haemophilus
influenzae, e estreptococo aeróbico.
É
necessário hospitalizar as mulheres com DIP aguda?
Antigamente,
muitos especialistas recomendavam que todas as pacientes
fossem hospitalizadas. Hoje, a hospitalização
para mulheres com suposta DIP é recomendada se: (a)
uma emergência cirúrgica, como apendicite,
não pode ser excluída; (b) a paciente está
grávida; (c) a paciente não responde clinicamente
à terapia ambulatorial; (d) a paciente não
é capaz de seguir ou tolerar um regime de administração
ambulatorial; (e) a paciente tem uma doença grave,
inclusive náusea e vômito ou febre excessiva;
(f) a paciente tem abscesso tubo-ovariano e/ou (g) a paciente
é imunodeficiente (mulheres com infecção
de HIV com baixa contagem de CD4 ou mulheres que usam medicamentos
imunosupressivos para tratamento de tumores ou transplante
de órgão acompanhado).
Quais
são as orientações para o tratamento
de DIP aguda?
Em reconhecimento
da etiologia polimicrobiana de DIP aguda, orientações
recentes recomendam regimes de antibióticos de amplo
espectro (1). A maioria dos experimentos usou tratamento
parenteral por, pelo menos, 48 horas após a paciente
demonstrar melhora clínica substancial. Em geral,
recomenda-se um total de 14 dias de terapia (1,2). Se a
paciente não melhorar clinicamente em 3 dias apos
o início do tratamento, deve-se reavaliar e revisar
o diagnóstico, se apropriado, ou considerar opções
de administração cirúrgica, se indicado.
Qual
é o padrão-ouro para o diagnóstico de
DIP?
Médicos
suecos introduziram a laparoscopia para o diagnóstico
da doença inflamatória pélvica na década
de 1950. Agora, este método ganhou aceitação
como o padrão-ouro para o diagnóstico de DIP.
Porém, só deve ser realizado quando o diagnóstico
não for correto e depois que outros exames menos
caros e invasivos tenham sido utilizados.
Os critérios
de laparoscopia para o diagnóstico de DIP foram formalizados
em 1969 por Jacobson e Weström (1). Para um diagnóstico
de DIP, as trompas falopianas deveriam ser eritematosas.
Porém, eritema das trompas e edema são descobertas
comuns durante a fase menstrual do ciclo menstrual normal.
Além disso, pelo menos uma das seguintes descobertas
também devem ser apresentadas: (a) pus visível
na trompa distal ou na trompa (piossalpinge); (b) aderências
periovarianas recentes; e/ou (c) um exsudato na superfície
da trompa. O valor diagnóstico da laparoscopia não
foi avaliado sistematicamente. A sensibilidade e a especificidade
desta técnica para o diagnóstico de DIP não
são totalmente conhecidas. Por exemplo, mulheres
sem nenhuma descoberta além das trompas avermelhadas
podem, na verdade, ter salpingite. Além disso, algumas
mulheres com trompas aparentemente normais realmente têm
endossalpingite, como demonstrado no exame patológico
de biópsias das trompas e/ou citologia das trompas
obtidas em mulheres que não têm nenhuma evidência
laparoscópica de DIP (2).
Os estudos
de imagem são úteis no diagnóstico de
DIP?
A ultra-sonografia
pélvica apresenta pouca utilidade no diagnóstico
de DIP suave ou moderada, mas pode ajudar na identificação
de complicações de DIP não tratadas,
como abscesso e hidrossalpinge. Além disso, a ultra-sonografia
pode ajudar a excluir outros diagnósticos, como apendicite,
massa e torção ovarianas e fibromas uterinos.
As limitações desta técnica também
se aplicam a outras modalidades de imagem, inclusive aquisição
de imagem por TC (tomografia computadorizada) e RM (ressonância
magnética).
Referências:
1. Centers for Disease Control and Prevention. 1998 Guidelines
for Treatment of Sexually Transmitted Diseases. MMWR 1998;
47(RR-1):1-118.
2. Walker C, Kahn J, Washington A, Peterson H, Sweet R.
Pelvic inflammatory disease. Meta-analysis of antimicrobial
regimen efficacy. J Infect Dis 1993; 168:969-78.
3. Jacobson L, Weström L. Objectivized diagnosis of
acute pelvic inflammatory disease. Diagnostic and prognostic
value of routine laparoscopy. Am J Obstet Gynecol 1969;
105:1088-98.
4. Stacey C, Munday P, Thomas B, Gilchrist C, Taylor-Robinson
D, Beard R. Chlamydia trachomatis in the fallopian tubes
of women without laparoscopic evidence of salpingitis. Lancet
1990; 336:960-3.
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