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Disfunção Sexual Feminina. O que o urologista precisa saber

A disfunção sexual feminina é um importante problema de saúde pública e afeta a qualidade de vida de 30- 50 das mulheres nos EUA. 9,7 milhões de mulheres apresentam desconforto no intercurso e dificuldade de atingir o orgasmo, segundo o censo americano. Estudo sobre menopausa mostrou a prevalência de 88 de disfunção sexual.

Estudo do comportamento sexual do brasileiro (ECOS) avaliou 1.502 mulheres de 18 anos e residentes em 7 cidades. As principais disfunções sexuais relatadas foram: falta de desejo sexual e ausência de orgasmo.

Etiologias

1- Vascular
Doenças como hipertensão arterial, níveis altos de colesterol, tabagismo e alterações cardíacas estão associadas à disfunção sexual no homem e na mulher. Ainda, a insuficiência vascular secundária à aterosclerose da artéria hipogástrica e pudenda, está diretamente relacionada à diminuição do fluxo sanguíneo genital. A diminuição do fluxo sanguíneo pélvico devido à doenças aortoilíacas, causa fibrose do músculo liso do clitóris e da parede vaginal, resultando em sintomas como vagina seca e dispareunia.

2- Neurológica
Lesão medular, doenças do SNC e do sistema nervoso periférico e diabetes, que causam disfunção erétil em homens, podem causar disfunção sexual na mulher. Mulheres com lesão medular têm mais dificuldade de atingir o orgasmo.

3- Hormonal
O decréscimo de estrogênio ou da testosterona causa diminuição da libido, da excitação e do trofismo vaginal, e está relacionado com a idade. Além disso, ocasiona labilidade emocional, distúrbios do sono e da memória. A diminuição dos estrógenos causa diminuição no fluxo sanguíneo vaginal, do útero e do clitóris. O declínio da testosterona é lento e conseqüente ao decréscimo na produção de andrógenos pela adrenal e pelo ovário.
A testosterona apresenta efeitos periféricos na vagina. Estudos demonstraram receptores estrogênicos e androgênicos na pele genital feminina. O epitélio vaginal responde a testosterona de maneira similar ao estrogênio, mesmo na sua ausência. A testosterona pode ter um papel regulador do fluxo sanguíneo e relaxamento da musculatura lisa vaginal.

4- Muscular
Durante o intercurso sexual, devido à distenção vaginal provocada pela penetração do pênis, há início do reflexo vaginopuboretal, com resultante contração do elevador do ânus. O elevador também se contrai pelo estímulo clitoriano e do cérvix uterino. Essas alterações aumentam a resposta sexual. Os músculos bulbocavernoso e isquiocavernoso, voluntariamente contraídos, contribuem para o aumento da excitacão e o orgasmo. Os músculos bulboesponjoso e isquiocavernoso são responsáveis pelas contrações rítmicas e involuntárias durante o orgasmo. Hipertonia do elevador do ânus contribui para o desenvolvimento do vaginismo, causando dispareunia e outras desordens sexuais. Quando o elevador é hipotônico, observa-se hipoanestesia vaginal e anorgasmia, além da incontinência urinária, que pode ocorrer durante o intercurso ou orgasmo.

5- Antidepressivos
É importante notar que nem todos os antidepressivos causam disfunção sexual na mesma proporção. Estudo prospectivo multicêntrico de 1.022 mulheres fazendo uso de antidepressivos, mostrou incidência de 59,1 de disfunção sexual. A maior incidência foi com o uso da recaptação da serotonia (fluoxetina, sertalina, paroxetina).

6- Dor
Dispareunia: dor na penetração que também pode ocorrer durante a estimulação sexual.
Causas de dor superficial: vulvovaginites, herpes genital. Uretrite, atrofia vulvovaginal, irritantes (espermaticidas e látex), episiotomias, radioterapia local e traumas sexuais. Causas de dor profunda: trauma pélvico durante o intercurso sexual, doença inflamatória pélvica, fibromialgia, cirurgia abdominal, pélvica ou ginecológica, aderência pós-operatória, endometriose, tumores pélvicos e genitais. Vaginismo: é a associação da atividade sexual com dor e medo. O vaginismo é um espasmo involuntário da musculatura. Pode ser causado por abuso físico ou sexual, procedimentos médicos realizados durante a infância, dor no primeiro intercurso sexual, medo da gravidez ou da intimidade.

Como é feita a Avaliação

A abordagem médica deve incluir história, exame físico, inclusive dos órgãos pélvicos e avaliação hormonal (FSH- hormônio folículo-estimulante, LH- hormônio luteinizante, testosterona, prolactina, SHBG - proteína de ligação de esteróides gonádicos, DHEA- diidroepiandrosterona, DHEAS- diidroepiandrosterona-sulfato e níveis de estradiol). Medicações que afetam o desejo sexual devem ser investigadas: antidepressivos, anti-hipertensivos, anticolinérgicos, assim como drogas de adição e tabagismo. Para a investigação de fatores emocionais deve haver avaliação psicológica concomitante.

Referências:
1. Abdo, C.H.N.; Oliveira Jr, W.M; Moreira, E.D.; Fittipaldi, J.A.S. Perfil sexual da população brasileira: resultados do estudo do comportamento sexual (ECOS) do brasileiro. Rev Bras Med. 59 (4): 250-7, 2002.
2. Lopes, G.P; CLARO, J.A.; Rodrigues Jr, O.M Disfunções sexuais femininas. International Braz J Urol 29 (Suppl. 4): 29-34, 2003
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