Diretrizes para o tratamento da osteoporose
Estratégias gerais
Suplementos de cálcio,
com ou sem suplementos de vitamina D, ou dieta rica em cálcio
Exercícios com peso
Evitar bebidas alcóolicas,
tabaco, drogas e excesso de cafeína
TRE até cinco anos após
a menopausa, por pelo menos 10 anos
Alendronato (Fosamax)
Raloxifeno (Evista)
Calcitonina (Calcimar)
Estratégias para pacientes em uso de glicocorticóides
Uso da menor dose possível
de glicocorticóides de curta duração, ou uso de preparações tópicas sempre
que possível
Dieta balanceada, com
ingestão diária de 2 a 3 g de sódio
Exercícios com peso
e isométricos, para a prevenção de fraqueza muscular proximal
Ingestão de cálcio de
1500 mg por dia e de 400 a 800 UI de vitamina D por dia, após o controle da
hipercalciúria
TRE em todas as mulheres
na pós-menopausa e na pré-menopausa com baixos níveis de estradiol
Medida da DMO basal
e a cada 6 a 12 meses durante os primeiros dois anos, para avaliar a eficácia
do tratamento
Tratamento com calcitonina
ou bisfosfonados, quando ocorrer perda óssea durante o tratamento ou houver
contra-indicação à TRE
TRE =
terapia de reposição de estrógeno DMO
= densidade mineral óssea
Os médicos de família freqüentemente
se deparam com pacientes com osteoporose, uma condição muitas vezes assintomático
até o aparecimento de fraturas. O tratamento das fraturas deve ser iniciado
sem exames diagnósticos adicionais. O tratamento da osteoporose inclui (1)a
prevenção de maior perda óssea através da terapia de reposição hormonal, exercícios
com peso, raloxifeno e suplementos de cálcio, além de evitar o tabagismo e bebidas
alcóolicas; (2) tratamento da dor relacionada às fraturas, com analgésicos e
calcitonina; (3) incorporar massa óssea, quando necessário, com o uso do alendronato;
e (4) mudanças comportamentais que aumentam o risco de quedas. Os pacientes
sem fraturas e que apresentam risco de osteoporose também podem se beneficiar
dessas medidas preventivas. Além disso, mulheres de todas as idades devem ser
incentivadas a manter uma ingestão diária de cálcio de 1000 a 1500 mg e praticar
exercícios com peso por 30 minutos três vezes por semana, reduzindo o risco
de quedas e fraturas. As pessoas com risco elevado devem evitar medicações que
comprometem a densidade óssea, como os glicocorticóides, hormônios tireoideanos
e o uso crônico de heparina.
A abordagem dos pacientes
é orientada pela apresentação clínica. O maior desafio para os médicos é identificar
os pacientes assintomáticos que apresentariam benefícios com o rastreamento
da osteoporose, em vez de apenas determinar um esquema terapêutico para aqueles
com o diagnóstico. Todas as garotas e mulheres adultas devem ser aconselhadas
em relação a uma ingestão diária de cálcio adequada e a prática de atividades
físicas. A avaliação do risco da doença também é importante durante o seguimento
de pacientes com doenças crônicas que causam osteoporose secundária. As medidas
preventivas devem ser sempre a primeira etapa do tratamento.
Quando o médico suspeita
de osteoporose em pacientes do sexo masculino, ou quando encontra evidências
de fraturas patológicas em homens ou mulheres, os próximos passos são avaliar
o risco do paciente, através de história clínica detalhada, e determinar a densidade
mineral óssea (DMO). A medida da DMO e outros exames laboratoriais são necessários
para documentar o grau de comprometimento ósseo e descartar causas secundárias
de osteoporose. Quando existem indícios clínicos de uma condição particular,
a avaliação deve ser direcionada para a suspeita clínica após os exames laboratoriais
fundamentais.
Mudança comportamental
Em pacientes que precisam
de uma avaliação do risco para osteoporose, apenas uma história clínica e exame
físico, além de orientações gerais, podem ser suficientes. Os pacientes com
maior risco de desenvolver a doença devem ser aconselhados sobre mudanças comportamentais
que podem reduzir o risco de perda óssea. O tabagismo e o consumo excessivo
de bebidas alcóolicas e cafeína devem ser evitados. Recomenda-se uma dieta balanceada,
com uma ingestão adequada de cálcio e vitamina D, além de exercícios físicos
regulares. O uso de medicamentos que reduzem a massa óssea (os glicocorticóides,
por exemplo) deve ser evitado, sempre que possível. A importância da manutenção
dos níveis de estrógeno deve ser ressaltada. A medida da DMO deve ser considerada
em pacientes que apresentam faotores de risco mas precisam de "uma prova" para
aceitar a adoção de medidas preventivas.
Atividade física
Mais de 20 estudos controlados
e randomizados sugerem que a prática regular de atividades físicas pode reduzir
o risco de osteoporose e retardar a diminuição fisiológica da DMO. Os programas
de exercício de curto e longo prazo (até 12 meses), como a caminhada, jogging
e step em mulheres saudáveis na pós-menopausa resultaram numa elevação da DMO.
O componente mineral ósseo aumentou mais de 5% após a prática de exercícios
com peso a curto prazo. Com a redução desses exercícios, a massa óssea retornou
rapidamente aos níveis basais. Elevações equivalentes na DMO foram observadas
em mulheres que participaram de exercícios de resistência. Em pacientes mais
idosas, os exercícios progressivos de resistência têm se demonstrado seguros
e eficazes na redução dos fatores de risco para quedas, além de elevarem a DMO.
Referências:
a.. Taxel P. Osteoporosis: detection, prevention, and treatment in primary
care. Geriatrics 1998;53(8): 22-33.
b.. Ernst E. Exercise for female osteoporosis. A systematic review of
randomised clinical trials. Sports Med 1998;25:359-68.
c.. Dalsky GP, Stocke KS, Ehsani AA, Slatopolsky E, Lee WC, Birge SJ.
Weight-bearing exercise training and lumbar bone mineral content in postmenopausal
women. Ann Intern Med 1988;108:824-8.
Editora responsável: Dra. Elisabete Almeida - drabetty@lincx.com.br
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