Um estudo publicado
recentemente no Journal of Ultrasound in Medicine analisou o papel da avaliação
mamográfica associada à ultra-sonografia em pacientes com lesões
mamárias palpáveis. Radiologistas do Baylor College of Medicine
e The Woman's Hospital of Texas avaliaram 388 pacientes com 411 lesões
palpáveis da mama. A avaliação mamográfica incluiu
as incidências em perfil, mediolateral oblíqua/lateromedial oblíqua
e crânio-caudais. Marcadores radiopacos foram colocados no local da lesão.
Eles determinaram que 40,1% das lesões
eram benignas, dentre as quais 58,7% foram identificadas com ambos os métodos
de imagem e apenas 40% puderam ser identificadas com a avaliação
ultra-sonográfica isolada. Dentre as 60 lesões consideradas suspeitas,
49 foram biopsiadas e 14 representavam carcinomas.
De acordo com os investigadores,
'a sensibilidade (14 de 14) e o valor preditivo negativo (186 de 186) com a
associação da mamografia e ultra-sonografia representam valores
de 100%; a especifidade foi de 80,1% (186 de 232)'. Nesse estudo, a prevalência
de malignidade entre as lesões palpáveis foi de 3,4%.
Foram realizadas biópsias
em 20 pacientes com exames de imagem normais por uma maior suspeita clínica,
mas todas elas apresentaram resultados benignos. O valor preditivo positivo
(VPP) para câncer entre as lesões com achados inconclusivos foi
de 23,3%, enquanto o VPP entre as lesões submetidas a biópsia
foi de 28,5%.
'Portanto, a ultra-sonografia representa
um método complementar à mamografia nas pacientes que apresentam
lesões palpáveis da mama; suas vantagens residem na possibilidade
de identificar lesões obscurecidas pelo parênquima mamário
denso e de caracterizar lesões palpáveis observadas ou não
à mamografia', afirmam os autores.
Os autores concluem que 'a avaliação
mamográfica associada à ultra-sonografia é uma abordagem
adequada para caracterizar a maioria das lesões mamárias palpáveis,
evitando intervenções cirúrgicas desnecessárias
nos casos onde os achados por imagem são claramente benignos'. Eles apontam,
ainda, que a associação de exames mamográficos e ultra-sonográficos
negativos têm especificidade elevada, devendo ser considerada confiável.
Referência
Shetty, M. et al. J Ultrasound Med 2003 March; 22:263-268.