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Associação entre TRH e piora do rastreamento do câncer de mama com a mamografia

Sabe-se que a precisão diagnostica da mamografia no rastreamento do câncer de mama é bastante variável, dependendo da idade da paciente, densidade da mama e história familiar da doença. A terapia de reposição hormonal (TRH) pode aumentar a densidade do tecido mamário; dessa forma, pode interferir com a especificidade da mamografia na identificação precoce do câncer de mama. Na Austrália, acredita-se que mais de 20 por cento das mulheres com idade igual ou superior a 40 anos utilizam TRH. Tendo em vista que as mulheres nessa faixa etária devem realizar mamografias para o rastreamento do câncer de mama, a precisão diagnostica do exame em mulheres que usam TRH é de fundamental importância. Kavanagh e colaboradores avaliaram o efeito da TRH sobre a sensibilidade e especificidade do rastreamento de pequenos tumores da mama com a mamografia.

Mulheres australianas com idade maior ou igual a 40 anos que participaram de um programa de dois anos para o rastreamento do câncer de mama foram incluídas no estudo. O grupo-alvo do trabalho consistiu de mulheres entre 50 e 69 anos de idade. Os dados do programa foram relacionados aos registros de casos de câncer e de outras bases de dados para identificar casos de câncer de mama entre as mulheres submetidas ao rastreamento. Os dados referentes a mais de 103.700 pacientes assintomáticas que realizaram o primeiro exame de rastreamento em 1994 estavam disponíveis.

Em todo o grupo, 27 por cento das mulheres usavam TRH. Essa proporção variou de 9,4%, entre as mulheres com mais de 70 anos, até cerca de 40% naquelas do grupo-alvo. A sensibilidade da mamografia foi 12,5% menor nas pacientes que usavam TRH. No primeiro ano após o rastreamento inicial, estimou-se a sensibilidade em 91,4% e 83,7%, respectivamente nas mulheres que não usavam e naquelas que usavam TRH. Uma redução semelhante da sensibilidade ocorreu entre as usuárias de TRH no grupo etário alvo do estudo. A diferença foi estatisticamente significativa. Além disso, a especificidade também foi significativamente menor entre as usuárias de TRH. Entre as mulheres com diagnóstico de câncer durante o período do rastreamento, as usuárias de TRH apresentaram uma maior probabilidade de falsos negativos, mesmo após o controle de variáveis de confusão, como idade e história familiar. As usuárias de TRH que não receberam o diagnóstico de câncer durante o rastreamento apresentaram uma probabilidade um pouco maior de resultados falsos positivos. Do ponto de vista global, o risco de identificação de um pequeno câncer de mama foi menor entre as usuárias de TRH. A diferença, entretanto, não foi estatisticamente significativa.

Os autores concluem que a sensibilidade e especificidade do rastreamento com a mamografia é comprometida em usuárias de TRH, provavelmente pelo aumento da densidade do tecido mamário causado pelo tratamento. Entre as usuárias de TRH no grupo entre 50 e 69 anos de idade, a sensibilidade da mamografia mostrou ser 10% menor no primeiro ano de rastreamento. Durante o segundo ano, a sensibilidade foi 15% menor nesse grupo. Tendo em vista a tendência crescente ao uso de TRH por essas pacientes, é fundamental alertar as pacientes e os profissionais de saúde sobre o possível impacto da TRH na precisão diagnostica do rastreamento do câncer de mama através da mamografia.

Referência

Kavanagh AM, et al. Hormone replacement therapy and accuracy of mammographic screening. Lancet January 22, 2000;355:270-4.

Editora responsável: Dra. Elisabete Almeida - drabetty@lincx.com.br


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