O surgimento de cistos
ovarianos durante a gravidez não é raro. Geralmente derivado do corpo lúteo,
são sempre benignos e desaparecem espontaneamente na metade do segundo trimestre
da gestação. Podem, porém, apresentar complicações como torção, ruptura e infecção.
De 29 mulheres grávidas
acompanhadas neste estudo, 9 sofreram aspiração do cisto com agulha fina (AAF)
guiada por ultra-sonografia. Em quatro casos houve resolução do cisto após a
primeira punção; três casos necessitaram de duas aspirações, um precisou de
3 e uma paciente requereu ressecção cirúrgica do cisto três meses após o parto.
Todos os procedimentos foram
realizados por via trans-abdominal, utilizando-se um transdutor transvaginal
apenas para auxiliar a localização do cisto.
A seleção das pacientes
para aspiração foi baseada em dois critérios: um cisto que aumentou de tamanho
persistentemente pelo menos por duas semanas e dor ou desconforto abdominal
com cisto maior que 65 cm2 pelo menos por uma semana. Existe um risco de disseminação
através da AAF se o cisto for resultante de doença maligna. Os autores concordaram
que a US é adequadamente acurada para distinção entre cistos malignos e benignos
do ovário. As características sonográficas de uma lesão benigna são: margens
regulares, massas completamente anecóicas e uniloculares restritas ao lado E
ou D da lesão.
Uma cirurgia durante a gravidez
traz riscos tanto para a mãe quanto para o feto, mas a AAF dos cistos ovarianos,
com cobertura antibiótica e seguimento pós-aspiração é bem tolerada e praticamente
livre de complicações.
Referência:
Guarglia L. et al. FNA of ovarian cysts during pregnancy.
European Journal of Obstetrics & Gynecology and Reproductive Biology
82:5-9, 1999.