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Células Tronco - Perspectivas e Desafios

Até onde alcançam hoje nossos conhecimentos, é certo afirmar que as células embrionárias são as únicas verdadeiramaente totipotentes e portanto, as únicas que guardam todas as informações necessárias para conhecermos os intrincados processos de diferenciação e organização das células que culminam no desenvolvimento e adequado funcionamento de órgão e sistemas complexos que consituem o maravilhoso organismo humano1. Os estudo, em laboratórios de pesquisa, com células tronco embrionárias trarão as informações necessárias para desvendar, em especial, as doenças genéticas e , certamente, contribuirão para tornar realidade a engenharia de tecidos como alternativa terapêutica para tratar e/ou subsitituir órgãos e sistemas lesados2.

Entretanto, as células tronco embrionárias não são, hoje, utilizadas com fins terapêuticos por grupos científicos mundialmente respeitados, seriamente regulamentados e que se pautam pelo rigoroso respeito aos direitos humanos, porque3:

  • O implante experimental de células tronco embrionárias em organismos adultos levou à formação de teratomas( tumores com elementos de diferentes tecidos,tais como cabelo, dentes, , mucosa intestinal, etc) no local do implante.
  • Diferentemente das células tronco adultas que são retiradas do próprio indivíduo a ser tratado, as células tronco embrionárias são de um outro indivíduo e portanto possuem potencial de causar rejeição, o que implicaria na necessidade de utilização de medicamentos que podem deixar o paciente mais vulneravel a infecções.
  • O cultivo de células tronco embrionárias requer a participação de material biológico animal, representando risco de transmissão de doenças virais. Alguns grupos têm exaustivamente trabalhado para desenvolver linhagens de células humanas embrionárias, , ainda experimentais, em condições de culltivo que possam resistir à ausência de material biológico animal como suporte.
  • Alguns grupos consideram que as células tronco adultas do próprio paciente, que eliminam a possibilidade de rejeição e são pluripotentes (têm capacidade de se diferenciar, não em todos mas, em vários tipos celulares) representam uma alternativa mais realista e segura para o emprego da terapia celular4-5.

As células tronco adultas mais estudadas são aquelas derivadas da medula óssea cuja aplicação clínica já é bem establecida na reconstituição da medula óssea após quimioterapia para tratamento de determinados tipos de câncer6. Orlic e colaboradores7 sugeriram que, células tronco derivadas da medula óssea, eram capazes de substituir células do músculo cardíaco lesadas após infarto, demonstrando, em camundongos, a melhora da função cardíaca com este procedimento.

Hoje, resultados de ensaios clínicos atestam que a injeção de células tronco autólogas da medula óssea nas áreas isquêmicas do miocárdio acometido pela doença arterial coronária, resulta em melhora da perfusão do tecido lesado que é acompanhado por ganho funcional com melhora da fração de ejeção do miocárdio8-10.

O cordão umbilical representa outra fonte valiosa de células tronco que podem ser mantidas in vitro por mais de seis meses e apresentam maior capacidade de auto-renovação de que as células tronco da medula óssea11. O uso de células de cordão umbilical para reconstituição da medula óssea em transplantes entre indivíduos não aparentados requer um banco com amplo painel de doadores para que sejam contemplada a variabilidade genética de determinada população. No Brasil, 12.000 cordões seriam suficientes para atender à variabilidade da população mas infelizmente não existe ainda esta prática para doação a bancos públicos que na Europa e EUA já está bem estabelecida e que atendem as necessidades da população12.

Embora outros tecidos também contenham células tronco13,14, o tecido adiposo apresenta indiscutíveis vantagens como fonte destas células pela facilidade de obtenção por meio da lipoaspiração. Além disso o número de células tronco obtidas do tecido adiposo é muito superior àquele obtido da medula óssea15-17.

Em nosso estudo experimental, realizado na Universidade de Nice na França, demonstramos a grande capacidade destas células de induzir a formação de novos vasos sanguíneos no local do implante18. Os resultados de vários outros estudos preliminares19,20 embasaram as propostas dos primeiros ensaios clínicos com uso de células tronco do tecido adiposo para tratamento do infarto do miocárdio e de feridas de dificil ciacatrização21-23.

Estes ensaios clínicos controlados são mandatórios para establecer a eficácia e a segurança dos novos procedimentos e é fundamental aguardarmos a publicação dos resultados para só então considerarmos o uso de células tronco adultas como terapia reconhecida pela classe médica e pelos órgãos regulatórios.

Fonte: Isa Dietrich
Médica, Doutora em Ciências pela FMUSP
Membro Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica
Membro Fundadora da Sociedade Européia de Engenharia de Tecidos
Pesquisa a utilização de células tronco do tecido adiposo para reparação tecidual

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