A infecção por Helicobacter pylori é uma infecção crônica, transmissível, de
longo período assintomático e potencialmente grave. Mais de 70% das pessoas
infectadas têm sintomas muito leves, mesmo na ausência de tratamento.
A infecção
pelo H. pylori é caracterizada pelo dano progressivo das estrututura e função
gástricas. A bactéria reside na superfície do estômago, no interior do muco,
aderida às células mucosas e epiteliais. Inclui-se entre os sintomas a úlcera
péptica, complicação que ocorre em aproximadamente 1 a cada 6 pessoas infectadas.
A presença da infecção também está associada a um aumento no risco de adenocarcinoma
gástrico. As doenças relacionadas ao H. pylori predominam nos mais idosos e
em outros grupos minoritários. Infelizmente, não é possível predizer a evolução
da infecção pelo H. pylori.
Graham revisou
as estratégias atualmente utilizadas para o tratamento da infecção. A estratégia
de examinar e tratar vem sendo rapidamente substituída por uma abordagem a três
tempos: diagnosticar, tratar e confirmar a cura. A maior disponibilidade de
exames não-invasivos, como o teste do sopro da uréia e pesquisa de antígenos
nas fezes, facilitam a confirmação. Atualmente, os principais obstáculos para
um tratamento efetivo da infecção são a presença de cepas resistentes aos antibióticos
e a baixa aderência ao tratamento prescrito.
De forma geral,
as taxas de cura relatadas estão ao redor de 85%. Os tratamentos atualmente
de preferência estão demonstrados na tabela abaixo.
Estudos sugerem
que doses maiores e um maior tempo de tratamento melhoram a eficácia do tratamento.
Por exemplo, o tratamento por 14 dias tende a ser superior ao de 10 dias, que
tende, por sua vez, a ser superior ao de 7 dias. O surgimento de cepas resistentes
à claritromicina e metronidazol é um problema importante. Resistência à amoxicilina
e tetraciclina é rara. A elevação da dose de metronidazol de 1g para 1.5g ao
dia melhora os resultados no tratamento de cepas metronidazol-resistentes.
Os autores
concluem que apesar de ainda não haver um tratamento ideal, os fatores que influenciam
a evolução dos pacientes estão cada vez mais claros. Estudos futuros podem ajudar
a esclarecer os esquemas terapêuticos mais eficazes e os métodos mais adequados
para a confirmação da cura.
Referência:
Graham DY. Therapy of Helicobacter pylori: current status and issues.
Gastroenterology February 2000;118:S2-8.
Tratamentos
de eleição para infecção por helicobacter pylori
Tratamento
triplo com inibidor de bomba duas vezes ao dia ou com ranitidina citrato de
bismuto*
Um inibidor
de bomba de prótons ou ranitidina citrato de bismuto
+
Dois dos seguintes:
amoxicilina (1 g), claritromicina (500 mg) ou metronidazol (500 mg)
Terapia
quádrupla
Inibidor de
bomba de prótons duas vezes ao dia
Tetraciclina (500 mg) quatro vezes ao dia
Subsalicilato or subcitrato de bismuto quatro vezes ao dia
Metronidazol (500 mg) três vezes ao dia
NOTA: O
escore sugere que o tratamento por 14 dias seja superior ao tratamento por 10
dias e que o de 10 dias seja superior ao de 7 dias.
* Os
dados sugerem que não há diferença entre o tratamento triplo com ranitidina
citrato de bismuto ou inibidor de bomba protônica quando o H. pylori é sensível.
Provavelmente, há uma discreta vantagem no tratamento triplo com ranitidina
citrato de bismuto quando a bactéria presente é resistente.
Referência:
Gastroenterology 2000;118:S3