Os resultados de três
estudos clínicos publicados mostram que o rastreamento com a pesquisa de sangue
oculto nas fezes reduz a mortalidade pelo câncer de cólon e reto. Essa redução
é resultado da detecção precoce e da subseqüente remoção dos tumores malignos
antes do aparecimento de metástases e, possivelmente, a detecção e retirada
de pólipos adenomatosos pré-malignos. Os resultados do Minnesota Colon Cancer
Control Study demonstram que, durante um período de 13 anos, a incidência
do câncer de cólon e reto foi 12% menor em pacientes submetidos ao rastreamento
com a pesquisa de sangue oculto nas fezes, em comparação com os indivíduos não
rastreados. Os pesquisadores publicaram recentemente os dados de incidência
da doença relativos a um período de 18 anos de acompanhamento.
Esse estudo, com início
em 1975, avaliou a eficácia da pesquisa de sangue oculto nas fezes para a redução
da mortalidade pelo câncer de cólon e reto. Os adultos entre 50 e 80 anos de
idade foram recrutados para o estudo, sendo distribuídos aleatoriamente em grupos
que foram submetidos ao rastreamento anual, a cada dois anos, ou que não foram
rastreados (controle). Os participantes foram solicitados a preparar duas amostras
para cada uma de três evacuações consecutivas e enviar o material. Para os indivíduos
com sangue em pelo menos uma amostra, ofereceu-se a realização de exames diagnósticos
adicionais, incluindo o enema opaco, a sigmoidoscopia flexível ou a colonoscopia.
Os exames de rastreamento terminaram em 1992, e todos os pacientes foram acompanhados
desde então.
O estudo incluiu 22.323
homens e 24.122 mulheres. Os indivíduos randomizados para os grupos que foram
rastreados anualmente ou a cada dois anos foram submetidos a 11 e 6 exames de
rastreamento, respectivamente; a aderência à estratégia proposta foi de 75 e
78 por cento, respectivamente. Entre os pacientes que apresentaram pelo menos
uma amostra positiva, 83 por cento no grupo avaliado anualmente e 84 por cento
naqueles avaliados a cada dois anos, outros exames diagnósticos foram utilizados
(colonoscopia ou a associação da sigmoidoscopia flexível e o enema opaco com
duplo contraste). No 18o. ano do estudo, 91% dos pacientes tinham sido acompanhados
adequadamente, dispondo-se do atestado de óbito de todos os 15.783 que faleceram
durante o período, exceto em três casos.
Até o 18° ano do estudo,
foram diagnosticados 417 novos casos de câncer no grupo com rastreamento anual,
em comparação com 435 nos pacientes avaliados a cada dois anos e 507 no grupo
controle. As razões das taxas de incidência nos dois grupos rastreados foram
de 0,8 e 0,83, respectivamente, em comparação com o grupo controle. No grupo
rastreado anualmente, o valor preditivo positivo para uma amostra positiva foi
de 0,87%, elevando-se para 4,53% com seis amostras positivas. Esses valores
foram equivalentes nos pacientes examinados a cada dois anos. Para o pólipo
adenomatoso com diâmetro maior ou igual a 1 cm, encontrou-se uma associação
entre o número de amostras positivas e o valor preditivo positivo dos exames
em ambos os grupos rastreados.
Com base nesses dados,
os autores concluem que a utilização da pesquisa de sangue oculto nas fezes
- anual ou a cada dois anos - reduz o risco de câncer de cólon e reto. A detecção
precoce e o tratamento da doença nesse estágio reduzem a morbidade e a mortalidade
observadas.
Referência: Mandel
JS, et al. The effect of fecal occult-blood screening on the incidence of colorectal
cancer. N Engl J Med November 30, 2000;343:1603-7.