Dois estudos
recentemente publicados no New England Journal of Medicine colocaram
em dúvida a relação protetora das dietas ricas em fibras e pobres em gorduras
com o câncer de cólon. Os pesquisadores acompanharam um grande numero de pessoas
com diferentes tipos de dieta e contaram todos os crescimentos potencialmente
cancerosos no reto e cólon dos participantes por um período de até 4 anos. Acabaram
ficando desapontados em não conseguir demonstrar nenhum efeito protetor nos
participantes que usaram dietas pobres em gordura e ricas em fibras ou que usaram
algum tipo de complementação de fibra.
Um resultado
similar já havia sido publicado em janeiro de 1999, num estudo em que foram
seguidas 88.757 mulheres participantes do Nurses Health Study por um
período de até 16 anos e não se encontrou relação entre o risco de câncer colo-retal
e a proporção de fibras na dieta dos participantes. O estudo concluía achando
que o mesmo resultado podia ser aplicado também aos homens.
Um dos novos
estudos foi realizado no National Cancer Institute e em 8 outros centros de
tratamento de câncer. Foram acompanhados 1.905 pacientes com adenomas recorrentes
ou pólipos de intestino grosso. Os pólipos foram retirados de todos os pacientes
no início do estudo e os pacientes divididos em dois grupos. Um dos grupos limitou
a ingestão de gorduras a 20% do total de calorias da dieta e ingeriu 5 a 8 porções
de frutas ou vegetais por dia. Outro grupo manteve sua dieta habitual. Após
4 anos, a recorrência de pólipos foi de 39% em ambos os grupos. A média do número
e do tamanho dos pólipos foi a mesma.
"Foi muito
desapontador", afirmou o Dr. Arthur Schatzkin, o pesquisador-chefe do National
Cancer Institute. "Um resultado positivo poderia ter criado um argumento definitivo".
No outro estudo, pesquisadores da Universidade do Arizona não encontraram diminuição
no risco de câncer colo-retal em pacientes submetidos a uma dieta rica em fibras.
Existe a teoria de que uma dieta pobre em gorduras e rica em fibras neutralizaria
quimicamente substancias cancerígenas, promoveria alterações protetoras nas
células do revestimento intestinal e reduziria a ação dos ácidos biliares que
produzem irritação da mucosa intestinal e promovem o crescimento de pólipos.
No editorial
do New England Journal of Medicine, o Dr. Tim Byers não estava otimista:
"Há muitas razões para se fazer uma dieta rica em fibras e pobre em gorduras,
mas prevenir o aparecimento de adenomas colo-retais, ao menos nos primeiros
3 ou 4 anos, não é uma delas".
Referência:
Cancer and fiber diet. New England Journal of Medicine. Jan/99 e April/2000.
Sites recomendados: [www.nccra.org]
[www.ccalliance.org]
[www.acg.gi.org]