Escore identifica o risco de pacientes com hemorragia digestiva alta
A hemorragia aguda com
origem no trato digestivo superior é uma condição clínica comum nos serviços
de emergência. Os pacientes podem apresentar um amplo espectro de eventos, desde
um sangramento leve e auto-limitado até uma hemorragia maciça e fatal. Vários
sistemas de pontuação foram desenvolvidos com o objetivo de avaliar rapidamente
esses pacientes, mas tais instrumentos não vêm sendo utilizados na prática clínica.
Muitos são baseados no risco de morte ou de ressangramento e não incorporam
o impacto das opções terapêuticas mais modernas. Blatchford e colaboradores
desenvolveram e avaliaram um sistema simples de pontuação para identificar os
pacientes de risco mais elevado que necessitam de internação e tratamento agressivo
para o controle do sangramento digestivo.
Os dados foram obtidos de
1740 pacientes admitidos em hospitais da Escócia com quadro de hemorragia digestiva
alta. O modelo de regressão logística construído a partir desses dados concentrou-se
na necessidade de transfusão sangüínea, intervenção endoscópica ou cirúrgica
para controlar o sangramento, óbito, ressangramento ou uma queda significativa
na concentração de hemoglobina, identificando e ordenando os vários fatores
de risco associados (tabela abaixo). A dosagem dos níveis de hemoglobina
e uréia no sangue, além do pulso e da pressão arterial, são critérios facilmente
disponíveis e que se mostraram de importante valor preditivo, sendo utilizados
para a realizar o sistema de pontuação. Em um segundo estudo, esse sistema foi
usado prospectivamente em 197 adultos consecutivos que procuraram três hospitais
dentro de um período de três meses com queixa de hemorragia digestiva alta.
Marcadores de risco na admissão para hemorragia digestiva e valores dos componentes
associados
| Marcador
de risco |
Valor
do escore
|
Marcador
de risco |
Valor
do escore
|
| Uréia
(BUN) - mg/dL (mmol/L) |
|
Pressão
arterial sistólica - mmHg |
|
| >=18.2
e <22.4 (>=6.5 e <8.0 ) 2 |
2
|
100 a 109
|
1
|
| >=22.4
e <28.0 (>=8.0 e <10.0) 3 |
3
|
90 a 99 |
2
|
| >=28.0
e <70.0 (>=10.0 e <25.0) 4 |
4
|
<90 |
3
|
| >=70.0
(>=25) 6 |
6
|
Outros
marcadores |
|
| Hemoglobina
em homens - g/dL (g/L) |
|
Pulso >=100
por minuto |
1
|
| >=12.0
e <13.0 (>=120 e <130) 1 |
1
|
Apresentação
com melena |
1
|
| >=10.0
e <12.0 (>=100 e <120) 3 |
3
|
Apresentação
com síncope |
2
|
| <10.0 (<100)
6 |
6
|
Doença
hepática |
2
|
| Hemoglobina
em mulheres - g/dL (g/L) |
|
Insuficiência
cardíaca |
2
|
| >=10.0
and <12.0 (>=100 and <120) 1 |
1
|
|
|
|
<10.0 (<100) 6 |
6
|
|
|
O novo sistema de escore
apresentou um alto valor preditivo para a necessidade de intervenção clínica
a fim de controlar o sangramento. Além disso, apresentou uma grande correlação
com o tempo de internação e o uso de transfusões sangüíneas. Os autores estimam
uma sensibilidade de 99% e uma especificidade de 32%. Com o novo sistema de
pontuação, foi possível identificar os pacientes de alto risco mais precisamente
que com o escore de Rockall, normalmente utilizado nos hospitais que participaram
do estudo.
Os autores ressaltaram a
facilidade para calcular o novo escore no atendimento inicial, identificando
muito bem os pacientes de risco mais elevado. Eles aguardam uma maior experimentação
e validação clínica do método, enfatizando a identificação de pacientes de menor
risco.
Ref.: Blatchford
O, et al. A risk score to predict need for treatment for upper gastrointestinal
haemorrhage. Lancet October 14, 2000;356:1318-21.
Editora responsável: Dra. Elisabete Almeida - drabetty@lincx.com.br
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