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Divertículo de Meckel: Revisão e conduta

O divertículo de Meckel resulta da obliteração incompleta do ducto vitelínico ou onfalomesentérico. Embora possam ocorrer diferentes alterações, 90% das malformações do ducto vitelínico são divertículos de Meckel com ou sem ligação com o mesentério ou a cicatriz umbilical. O divertículo de Meckel contém todas as estruturas da parede intestinal normal (ou seja, é um divertículo verdadeiro), localizado mais comumente a até 100 cm da válvula ileocecal. Trata-se da malformação congênita mais comum do trato digestivo, com uma relação homem: mulher de 3:2. Yahchouchy e colaboradores fazem uma revisão das complicações e conduta em pacientes com divertículo de Meckel.

A incidência de complicações durante toda a vida é de aproximadamente 4 por cento, mais freqüentemente causadas pela presença de tecido ectópico. Mais de 50 por cento dos pacientes que desenvolvem sintomas têm menos de 10 anos de idade. Os sintomas também são mais comuns no sexo masculino. As complicações incluem obstrução, inflamação, sangramento (em geral relacionado a mucosa gástrica heterotópica), e tumores (com incidência elevada de carcinóide).

O diagnóstico do divertículo de Meckel pode ser feito pelo estudo contrastado do intestino delgado (convencional ou por enteróclise). A tomografia computadorizada e a ultra-sonografia, em geral, não são úteis porque não é fácil diferenciar o divertículo e as alças intestinais. Quando há sangramento, o estudo com radioisótopos e a arteriografia podem ser úteis. A laparoscopia também pode ser uma ferramenta diagnóstica importante.

O divertículo de Meckel sintomático é tratado através da ressecção cirúrgica através de laparotomia ou laparoscopia. As indicações para a diverticulectomia incidental em pacientes assintomáticos não são bem estabelecidas, e não existem critérios biológicos ou anatômicos definidos para avaliar o risco de complicações. Estudos epidemiológicos recentes compararam pacientes que realizaram intervenções cirúrgicas por complicações e aqueles que realizaram a remoção profilática do divertículo de Meckel identificado de forma incidental. Os achados dos estudos demonstram que o risco de complicações é maior em pacientes com divertículo de Meckel, em comparação com aqueles submetidos à ressecção profilática.

Tendo em vista que o risco de complicações não diminui com a idade, os autores concluem que os benefícios da diverticulectomia incidental ultrapassam a morbimortalidade relacionada à intervenção cirúrgica.

Referência

Yahchouchy EK, et al. Meckel's diverticulum. J Am Coll Surg May 2001;192:658-62.

Editora responsável: Dra. Elisabete Almeida - drabetty@lincx.com.br


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