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Diagnóstico ultra-sonográfico de tumores pancreáticos

Alguns estudos apontam uma sensibilidade de 94% da ultra-sonografia no diagnóstico dos tumores pancreáticos. Entretanto, outros trabalhos sugerem uma sensibilidade menor que 70%. Os motivos levantados para explicar a diferença incluem diferente experiência dos radiologistas e limitações metodológicas. Karlson e colaboradores investigaram o papel da ultra-sonografia no diagnóstico dos tumores pancreáticos em um estudo de 919 pacientes consecutivos avaliados em dois anos.

O diagnóstico ultra-sonográfico de pequenos tumores pancreáticos baseou-se na identificação de uma pequena massa hipoecogênica localizada no pâncreas. Os tumores maiores são mais heterogêneos, com margens irregulares ou lobuladas. Os dados sobre o diagnóstico definitivo do tumor e óbitos foram obtidos a partir dos registros de óbitos e casos de câncer. Em 84% dos casos, foi possível obter o diagnóstico histológico do tumor.

Em 140 pacientes (15,2%), diagnosticou-se câncer no primeiro ano após o exame ultra-sonográfico. Os tumores incluíram tumores primários endócrinos e exócrinos (102 pacientes), neoplasias do ducto biliar comum, da papila duodenal e duodeno (17 pacientes), além de metástases (21 pacientes). A cabeça do pâncreas foi o local mais acometido, seguida pelo corpo e a cauda. O tamanho médio dos tumores foi de 4 cm.

A ultra-sonografia demonstrou tumor em 124 (88,6%) dos 140 pacientes com neoplasias pancreáticas. A sensibilidade na identificação das neoplasias exócrinas do pâncreas foi de 90% (79 entre 88 pacientes). O diagnóstico de câncer deixou de ser realizado pela ultra-sonografia em 16 casos, incluindo 9 pacientes com tumores exócrinos, 5 com neoplasias do ducto biliar comum e 2 com tumores da papila duodenal.

Houve 9 resultados falsos positivos no grupo de pacientes sem tumores, resultando em uma especificidade de 98,8% (770 entre 779 pacientes). Os resultados falsos positivos ocorreram em pacientes com pancreatite e cistos pancreáticos.

O valor preditivo positivo e negativo da ultra-sonografia no diagnóstico de tumores pancreáticos foram de 93,2% (124 entre 133 pacientes) e 98% (770 entre 786 pacientes), respectivamente. Entre os nove pacientes com câncer cujo diagnóstico não foi realizado pela ultra-sonografia, o diagnóstico foi realizado nos dois meses seguintes através da tomografia computadorizada em 2 pacientes, por novo exame ultra-sonográfico em 1 paciente, pela laparotomia em 4 pacientes, na autópsia em 1 paciente, e por um método desconhecido em outro paciente.

Os autores também analisaram as informações sobre 94 exames. Os exames foram realizados por médicos experientes em 73% dos casos; nos outros pacientes, a avaliação foi supervisionada por médicos mais experientes. A suspeita de tumor e a história de sintomas compatíveis com tumor pancreático não influenciaram na escolha de médicos mais experientes.

Os autores concluem que os resultados defendem o uso da ultra-sonografia como o método de imagem de escolha para a investigação inicial de pacientes com suspeita de fumor pancreático. Eles ressaltam que a precisão diagnóstica parece ser influenciada pela experiência do ultra-sonografista.

Referência

Karlson BM, et al. Abdominal US for diagnosis of pancreatic tumor: prospective cohort analysis. Radiology October 1999;213:107-11.


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