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Diagnóstico de adenoma hepático

O adenoma hepático é um tumor benigno raro do fígado, fortemente associado ao uso de anticoncepcionais orais. Nos EUA, do total de 320 casos de adenomas hepáticos diagnosticados a cada ano, 282 são atribuídos ao uso de anticoncepcionais orais.

O adenoma está mais relacionado às mulheres que usaram anticoncepcionais orais por mais de 2 anos.

Epidemiologia

O aparecimento do adenoma hepático está relacionado ao tipo de anticoncepcional, tempo de uso e idade da paciente (mais de 30 anos). Sua incidência foi reduzida após a introdução das pílulas com menor quantidade de estrógeno. Nagorney et cols revisaram os antecedentes de 22 mulheres com diagnóstico de adenoma hepático entre 1989 e 1993, encontrando duração média do uso de contraceptivos de 14 anos.

O adenoma hepático pode ocorrer isoladamente ou como lesão múltipla, associado à doença de depósito de glicogênio. Os adenomas múltiplos estão mais freqüentemente relacionados à doença de depósito. O danazol também foi implicado como fator importante para o desenvolvimento de adenomas hepáticos. Também já foi sugerida a existência de adenomas familiares. A incidência em homens é extremamente rara.

Diagnóstico

Para que o diagnóstico possa ser feito corretamente, é importante a diferenciação entre adenoma hepático e hiperplasia nodular focal. O adenoma assintomático não é usual.

Rook e cols relatam, em sua revisão sobre o tema, a ocorrência de sangramento intraperitoneal em 34% das pacientes, hemorragia intra-tumoral em 15%, queixas de massa abdominal em 47% e dor abdominal episódica ou vaga em 19% dos casos. Por outro lado, a maioria dos pacientes com hiperplasia nodular focal é assintomática. Não há relato de relação causal entre hiperplasia nodular focal e anticoncepcionais orais.

O achado de hematoma em estudos de imagens é indicativo de adenoma hepático.

A US é o método de imagem de escolha para o diagnóstico de adenoma hepático. Ela pode mostrar lesões hipo, hiper ou isoecóicas, tanto em casos de adenoma hepático como de hiperplasia nodular focal.

O achado de cicatriz avascular central em exame de RM sugere o diagnóstico de hiperplasia nodular focal. Como a hiperplasia nodular focal é um tumor vascular, a captação da cintilografia com colóide marcado encontra-se normal ou aumentada.

A TC é útil para confirmar a presença de hematoma, já que os adenomas hepáticos não contêm células de Kupfer e, portanto, não apresentam captação de colóide na cintilografia de colóide marcado com tecnécio.

Histologicamente, não há presença de ductos biliares e tratos portais no adenoma hepático, havendo, ocasionalmente, peliose hepática. A presença de cicatriz estrelada central em exame patológico é característica da hiperplasia nodular focal.

Conclusão

É necessário estar atento aos efeitos colaterais dos anticoncepcionais orais, como é o caso do adenoma hepático, entre outros. Apesar de rara, esta complicação pode ocorrer em pacientes que usam anticoncepcionais mesmo por períodos breves, como de um ano.

Referências

  • Rooks JB, Ory WH, Ishak KG, Strauss LT, Greenspan JR, Hill AP, et al. Epidemiology of hepatocellular adenoma. The role of oral contraceptive use. JAMA 1979;242:644-8.
  • Baum JK, Bookstein JJ, Holtz F, Klein EW. Possible association between benign hepatomas and oral contraceptives. Lancet 1973;2:926-9.
  • Edmondson HA, Henderson B, Benten B. Liver-cell adenomas associated with use of oral contraceptives. N Engl J Med 1976;294:470-2.
  • Kerlin P, Davis GL, McGill DB, Weiland LH, Adson MA, Sheedy PF 2nd. Hepatic adenoma and focal nodular hyperplasia: clinical, pathologic, and radiologic features. Gastroenterology 1983;84(5 Pt 1):994-1002.
  • Nagorney DM. Benign hepatic tumors: focal nodular hyperplasia and hepatocellular adenoma. World J Surg 1995;19:13-8.

Editora responsável: Dra. Elisabete Almeida - drabetty@lincx.com.br


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