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Abordagem da colangite aguda calculosa

Abordagem da colangite aguda calculosa A colangite aguda é uma complicação grave encontrada em portadores de cálculos biliares. Há alguns anos, a abordagem clássica consistia na exploração de vias biliares através de abertura no ducto biliar comum (EDBC), procedimento associado a índices elevados de morbidade e mortalidade. Nos últimos 10 anos, foram realizados grandes avanços na abordagem de pacientes com cálculos biliares, principalmente no emprego da colecistectomia laparoscópica (CL), da colangiopancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE) e da papilotomia endoscópica (PE). O uso dessas técnicas vem diminuindo significativamente a morbidade e a mortalidade associadas com essa condição clínica. A abordagem de cálculos no ducto biliar comum através da CPRE com PE e CL é um assunto controverso. Poon e colaboradores realizaram uma análise retrospectiva de 184 pacientes com colangite calculosa que foram acompanhados por um período de 4 anos.

O estudo incluiu uma distribuição equivalente de homens e mulheres. A idade média dos pacientes foi de 70,5 anos, variando entre 25 e 96 anos. A presença de co-morbidades foi comum, incluindo a hipertensão, cardiopatia isquêmica, doença pulmonar obstrutiva crônica, diabetes mellitus e insuficiência renal crônica. O diagnóstico de colangite aguda baseou-se em história de dor no abdome superior, febre com calafrios e icterícia. Todos os pacientes foram avaliados pela mesma equipe cirúrgica de fígado e vias biliares, de acordo com um protocolo padronizado. Esse protocolo incluía a administração endovenosa de antibióticos de amplo espectro imediatamente após o diagnóstico. Os pacientes foram submetidos à CPRE e PE logo depois ou no dia seguinte à admissão. Nos casos em que foi possível retirar os cálculos do DBC por via endoscópica, realizou-se a CL em 6 a 12 semanas. Nos pacientes em que a CPRE e PE não apresentaram bons resultados, as abordagens subseqüentes foram determinadas pela gravidade da colangite. Os pacientes com colangite severa foram submetidos à cirurgia de emergência para exploração através de abertura do DBC; nos casos mais leves, com boa resposta à antibioticoterapia, os pacientes realizaram cirurgia eletiva para exploraçao através de abertura do DBC.

A CPRE foi bem sucedida em 175 casos (95%), sendo encontrado cálculos biliares em 147 pacientes (84%). A retirada dos cálculos por via endoscópica foi possível em 132 pacientes (90%). A morbidade após CPRE ou PE foi de 4%. Os autores concluem que a PE - para drenagem biliar e retirada de cálculos - seguida por CL após um intervalo de tempo é um procedimento seguro e eficaz.

Referência: Poon RT, et al. Management of gallstone cholangitis in the era of laparoscopic cholecystectomy. Arch Surg January 2001;136:11-6.

Editora responsável: Dra. Elisabete Almeida - drabetty@lincx.com.br


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