Este estudo demonstrou que
a ultra-sonografia é capaz de estimar a probabilidade da presença
de cálculos no ducto biliar comum (CDBC) em pacientes com litíase
biliar assintomática.
Foi analisada a prevalência
de cálculos assintomáticos no ducto biliar comum em pacientes
com e sem pequenos cálculos biliares. Cálculos assintomáticos
no ducto biliar comum foram ncontrados em 9,5% dos pacientes com diagnóstico
ultra-sonográfico de colecistopatia calculosa, e em apenas 2,3% dos pacientes
sem cálculos na vesícula biliar, conforme os autores. Trezentos
pacientes foram examinados antes da cirurgia e a ultra-sonografia demonstrou
o tamanho e o número de cálculos corretamente em 95% dos pacientes.
Em 15 casos, houve dois
motivos para erros na descrição ultra-sonográfica do tamanho
dos cálculos: múltiplos cálculos adjacentes foram interpretados
como um grande cálculo, ou a sombra acústica posterior de um cálculo
grande impediu a identificação de cálculos menores.
Foi descrito um risco 4
vezes maior de cálculos no DBC em pacientes com cálculos na vesícula
biliar, em comparação com pacientes sem colecistopatia calculosa.
Segundo os autores, embora a especificidade e acurácia tenham sido baixas
(44,8% e 47,3%), a alta sensibilidade (84,2%) sugere que a ultra-sonografia
deve ser incluída na rotina pré-operatória de pacientes
submetidos à colecistectomia laparoscópica.
Os resultados demonstraram
que menos da metade dos pacientes com cálculos no DBC eram assintomáticos,
mas utilizando os critérios dos autores apenas 15,8% dos pacientes com
CDBC não necessitariam de tratamento.
Foi recomendado que, no
caso de ausência de cálculos (sem dilatação do ducto
biliar comum) à ultra-sonografia, nenhum outro método diagnóstico
seja empregado. Os autores concluem que evidências ultra-sonográficas
da presença de pequenos ou múltiplos cálculos de tamanhos
variáveis na vesícula biliar representam um fator de risco para
a presença de cálculos no DBC, mesmo em pacientes assin-tomáticos.
Quando a ultra-sonografia identifica microcálculos na vesícula
biliar e um ducto biliar comum dilatado, sem antecedente cirúrgico, os
autores recomendam a utilização do sistema de escores, para ajudar
no planejamento cirúrgico.
Referência
Costi, R et al. Preoperative ultrasonographic assessment of the number and
size of gallbladder stones: is it a useful predictor of asymptomatic choledochal
lithiasis? J Ultrasound Med 2002 September; 21:971-976.