A estenose hipertrófica de piloro (EHP) é uma condição relativamente comum,
acometendo cerca de três em cada 1000 nascidos vivos. Os achados clínicos incluem
vômitos não biliosos em jato, aumento da peristalse gástrica e a presença de
massa palpável na região epigástrica. Essa massa pode indicar a intervenção
cirúrgica, mesmo na ausência de exames de imagem para confirmar o diagnóstico.
Quando o exame físico é inconclusivo, no entanto, o estudo radiográfico do trato
digestivo superior e a ultra-sonografia abdominal são solicitados, uma vez que
apresentam alta sensibilidade e especificidade diagnóstica. Considera-se que
o estudo radiográfico apresenta uma melhor relação custo-benefício, tendo em
vista que os pacientes com ultra-sonografia normal precisam de exames adicionais
para identificar a causa dos sintomas. Mandell e colaboradores avaliaram crianças
com história de vômitos para criar um algoritmo utilizando o método volumétrico
na seleção do exame de imagem mais adequado para diagnosticar a causa responsável
pelos achados clínicos. Também procuraram definir melhor o papel do cirurgião
pediátrico na avaliação desses pacientes.
O estudo incluiu
crianças com hipótese diagnóstica de EHP encaminhadas para um serviço ambulatorial
de radiologia durante um período de quatro anos. Foram obtidas informações sobre
a duração e o tipo de vômito, o peso da criança, o momento da última refeição
e do último vômito. Os pacientes que haviam recebido alimentação até uma hora
antes do exame foram excluídos. Um radiologista pediátrico introduziu uma sonda
nasogástrica número 8 no estômago da criança e, em seguida, aspirou e mediu
o volume do conteúdo gástrico. Volumes inferiores a 5 mL eram pouco sugestivos
de obstrução, indicando-se a fluoroscopia. No exame ultra-sonográfico, definiu-se
a espessura e comprimento da musculatura do piloro em 4 mm e 14 mm, respectivamente.
Os cirurgiões pediátricos foram responsáveis pela história clínica e exame físico
da maioria dos pacientes.
Um total de
89 pacientes (67 do sexo masculino e 22 do sexo feminino) foram avaliados. Entre
eles, 23 (26%) receberam o diagnóstico de EHP com base no volume do aspirado
gástrico e foram submetidos a cirurgia. A sensibilidade desse método diagnóstico
foi de 91%, observando-se dois resultados falsos negativos e oito falsos positivos.
Mais da metade (67%) dos pacientes com EHP apresentavam história de emagrecimento
ou ausência de ganho de peso, em comparação com apenas 22% daqueles sem a doença.
A duração média dos episódios de vômito foi de 19 dias. Entre os 66 pacientes
avaliado pelo estudo radiográfico do trato digestivo superior, 52 (79%) apresentavam
refluxo gastroesofágico e 9 (14%) apresentavam esvaziamento gástrico lento.
A avaliação realizada pelos cirurgiões pediátricos foi correta em 82% dos casos,
identificando-se uma massa palpável em 19 (53%) crianças com diagnóstico confirmado
de EHP. A utilização do algoritmo com o volume do aspirado gástrico (veja figura
abaixo) permitiu a não realização de 62 estudos radiológicos.
Os autores
concluem que a medida do conteúdo gástrico de crianças com vômitos não biliosos
é importante antes da solicitação de exames complementares. O uso desse algoritmo
simples pode diminuir o número de procedimentos diagnósticos realizados nesses
pacientes, reduzindo o tempo e os custos empregados.
Referência
Mandell GA, et al. Cost-effective imaging approach to the nonbilious vomiting
infant. Pediatrics June 1999;103: 1198-1202.