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Que diferenças na estrutura corporal entre homens e mulheres contribuem para as diferentes sensações de dor?

Apesar de existirem inúmeras diferenças como altura, peso, composição muscular, distribuição de gordura, estas são apenas diferenças quantitativas ou estatísticas, e não qualitativas entre homens e mulheres. O que de fato difere ambos os sexos é a presença de diferentes órgãos reprodutores. Homens possuem um pênis, ducto deferente, epidídimo, próstata e vesículas seminais enquanto as mulheres possuem vagina, clitóris, cérvice, útero, trompas de falópio e ovários. Esses órgãos causam diferentes organizações dos músculos pélvicos e da estrutura óssea dessa área, assim como diferenças nas associações entre os aparelhos reprodutivo, urinário e gastrintestinal. Apesar de estar documentado que as mulheres sentem mais dor nesses órgãos reprodutores, e, portanto, procuram ajuda médica com mais freqüência, ainda se sabe muito pouco sobre a influência das diferenças desses órgãos no mecanismo da dor.

Um mecanismo sugerido para explicar a maior sensação de dor nas mulheres, seria o acesso mais fácil aos órgãos pélvicos internos pelo canal vaginal. Esse acesso mais facilitado favoreceria o encontro de patógenos com os órgãos mais internos. A vagina pode ser particularmente mais suscetível à invasão de patógenos devido a algumas razões como relação sexual, uso de absorventes e o.b. durante a menstruação, ou outros instrumentos utilizados em procedimentos ginecológicos e obstétricos. É possível que as raízes nervosas aferentes associadas ao útero, cérvice e vagina da mulher (T10-L1 e S2-S4) de alguma forma contribuem para maior vulnerabilidade e morbidade uma vez que se sabe que eventos patológicos periféricos podem modificar as respostas de neurônios dentro da medula ou do cérebro gerando hiperexcitabilidade ou sensibilização central.

As evidências da vulnerabilidade e morbidade aumentadas para estados de dor nas mulheres devido a sua anatomia reprodutora incluem:

  • Sensibilização central
  • Atividade da fibra C aumentada (tipo de nervo primário que inerva a vagina e o cérvice)
  • Acesso viral via ductos periféricos aferentes para o cérebro e medula
  • Divergência e convergência intramedular
  • Hiperexcitabilidade e inflamação retrógrada

Referências:
1. Berkley KJ. Sex differences in pain. Behavioral and Brain Sciences 1997; 20:371-80.
2. Slocumb JC. Neurological factors in chronic pelvic pain: trigger points and the abdominal pelvic pain syndrome. American Journal of Obstetrics & Gynecology 1984; 149(5):536-43.

Editora responsável: Dra. Elisabete Almeida - drabetty@lincx.com.br


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