A
avaliação do funcionamento da tireóide é realizado utilizando-se provas in
vitro e in vivo, como mostra a tabela 1. A seguir, são descritos
alguns testes mais utilizados.
Tabela
1
Provas da função tiroidiana
| Provas
in vitro |
Provas
in vivo |
| Dosagem sérica
de T4 e T3 total |
Captação de
radionucleotídeos pela tireóide |
| Indice de ligação
do hormônio tireóideo |
Mapeamento tiroidiano |
| Teor sérico dos
hormônios livres |
Mapeamento do
corpo inteiro |
| Dosagens do TSH |
|
Dosagem
sérica de T4 e T3 total
T4 é
um hormônio produzido pela tireóide que circula em grande parte, ligado uma
proteína como por exemplo a albumina. Apresenta menor sensibilidade que a dosagem
de TSH ou T4 livre no diagnóstico de hiper ou hipotiroidismo. Pode estar elevado
ou reduzido nas seguintes situações:
| Elevado
|
Reduzido |
- Hipertiroidismo
- Portadores de hipertebegenemia
- Indivíduos que fazem uso de amiodarona
e propanolol
- Indivíduos com hipertiroxemia familiar
- Presença de anticorpos anti-T4
|
- Hipotiroidismo
- Portadores de hipotebegenemia
- Portadores de doenças sistêmicas graves
|
A dosagem
do T4 é realizada pelo método de fluorimunoensaio e o valor de referência para
indivíduos adultos é de 4,5 a 12,0 microgramas/dL.
O hormônio
T3 é produzido pela tireóide (1/3) e a partir de T4 (2/3) nos tecidos periféricos.
Sua concentração é cerca de 1/70 daquela de T4. Assim como T4, circula associado
a proteínas como a albumina. Sua dosagem é realizada para o diagnóstico de hipertiroidismo.
Pode estar reduzido em situações como pós operatório, doenças graves, jejum,
uso de corticoides, propranolol, amiodarona e em pessoas idosas.
Sua dosagem
também é realizada por fluorimunoensaio e os valores de referências para adultos
são: · 20 a 25 anos - 70 a 200 ng/dL · 50 a 90 anos - 40 180 ng/dL
Índice
de ligação do hormônio tireóideo (captação de T3 em resina)
O método
de captação de T3 em resina ( RT3) destina-se a contornar o problema representado
pelas variações dos níveis séricos da TBA ( globulina transportadora de tiroxina)
e evidencia os sítios de fixação de hormônio tireóideo que estão livres nessa
globulina. Este índice não representa uma medida da T3 circulante. Em indivíduos
normais, 25 a 35% dos sítios de ligação na TBG estão ocupados pelo hormônio
tireóideo.
A amostra
de soro do indivíduo é incubado com uma quantidade de T3 marcada. Uma parcela
desta liga-se na aos sítios na TBG que estão desocupados. Após o equilíbrio,
retira-se a fração do hormônio marcada não ligada a TBG, por meio de uma resina,
medindo-se sua atividade. O resultado é expresso em % de hormônio marcado captado
pela resina.
Portanto,
no hipotiroidismo, caracterizado por baixos níveis de hormônio tireóideo circulante,
menos sítios de ligação da TBG estão ocupados e mais T3 marcada está ligada
a esta proteína. O contrário acontece no hipertitoidismo.
Índice
de tiroxina livre
O índice
de tiroxina livre (FT4I) expressa, geralmente, o estado funcional da tireóide
independente das alterações das proteínas transportadoras. Ele é calculado pela
multiplicação do valor de T4 total (T4t) pelo valor da captação de T3 em resina,
como ilustra a fórmula a seguir:
Ft4I
= T4t x Rt3
Este
índice encontra-se elevado no hipertiroidismo e reduzido no hipotireoidismo.
Dosagem
do TSH (Hormônio Tireoestimulante)
O TSH
é um hormônio secretado pela hipófise anterior e estimula a tireóide a liberar
T3 e T4. Sua dosagem é realizada pelo método de imunoensaiofluorométrico, sendo
utilizada para o diagnóstico de hipotiroidismo primário e de hipertiroidismo
(onde é indetectável). Seus valores de referência é de: 0,3 a 4,0 mUI/L. para
adultos.
Mapeamento
tiroidiano
A imagem
da glândula tireóide pode ser realizada pela a administração de radionucleotídeos
a serem captados pela glândula ou através de scanning fluorescente. A obtenção
de imagem de tecido tiroidiano é indicada nos seguintes casos:
Avaliação
anatômica e funcional de bócios
Avaliação
após tratamento ablativo
Detecção
de variantes anatômicas
Pesquisa
de metástases tiroidianas
Mapeamento
do corpo inteiro
O mapeamento
do corpo inteiro é um dos métodos mais sensíveis para detecção de metástases
funcionantes do carcinoma da tireóide. O exame é indicado após a tiroidectomia
total, de preferência com mais de 15 dias de cirurgia. O iodo radioativo é administrado
via oral e a cintilografia de corpo inteiro é realizada entre 24 e 48 horas
após a dose.
Referência
MILLER,
O. Laboratório para o clínico. 8ªed.São Paulo: Editora Atheneu, 1998,
p. 123.
NUNES,
C.C. Diagnóstico laboratorial das doenças tiroidianas. Ars Curandi:
1979.