Artigos Científicos  
     Artigos Médicos

Buco - Maxilo

Cardiologia

Cirurgia Geral

Dermatologia

Endocrinologia

Fisiologia

Gastroenterologia

Genética

Geriatria

Ginecologia

Hematologia

Medicina Nuclear

Moléstias Infecciosas

Nefrologia

Neurologia

Obstetrícia

Oncologia

Ortopedia

Pediatria

Pneumologia

Radiologia

Reumatologia

Urologia

Vascular

Outras Especialidades


Endocrinologia

Revisão sobre o diagnóstico e tratamento dos distúrbios da ATM

Aproximadamente 70% da população adulta apresentam pelo menos um sinal de distúrbio da articulação têmporo-mandibular (ATM), mas apenas 25% têm sintomas e somente cerca de 5% procuram atendimento médico. Dimitroulis fez uma revisão sobre as características clínicas e o papel das medidas terapêuticas conservadoras nesses pacientes.

O tipo de distúrbio da ATM mais comum é a disfunção e dor miofascial, geralmente provocadas pelo bruxismo. Esse hábito pode estar relacionado ao estresse, ansiedade, depressão ou dor crônica. Mais raramente, pode ser causada por problemas mecânicos ou osteoartrose.

Os três principais achados são dor orofacial, limitação funcional da mandíbula e ruídos articulares. Os pacientes também podem se queixar de dores nos ouvidos, pescoço e ombros, zumbido e cefaléia generalizada, bem como sintomas relacionados ao estresse, particularmente a insônia. O movimento da mandíbula é muitas vezes descrito como “apertado”. Os pacientes que afirmam que a mandíbula repentinamente “prende” ou “cola” geralmente apresentam alguma disfunção da articulação. Uma apresentação clínica clássica é dor em frente ao trago, com irradiação para os ouvidos, mandíbula, face e região temporal. Normalmente, a dor é pior durante a manhã e pode ocorrer em ciclos. Os pacientes também podem se queixar de “clics” ou “rangidos” durante a mastigação, com limitação progressiva da abertura da boca.

O exame físico pode revelar maior sensibilidade da região da articulação, que deve ser examinada durante a abertura, fechamento e excursão lateral da mandíbula. O atrito articular pode ser identificado através da palpação ou com um estetoscópio localizado na frente do trago. Em alguns casos, a radiografia e a ressonância magnética podem fornecer informações úteis. Um exame físico cuidadoso é importante para descartar outras causas de dores nos ouvidos, dentes, cavidade oral, pescoço, mandíbula e glândulas salivares que podem mimetizar a apresentação clínica dos distúrbios da ATM.

O tratamento conservador tem bons resultados em mais de 80% dos casos. É fundamental explicar a condição e educar o paciente sobre a doença. Eles devem identificar os fatores responsáveis pelo estresse e modificar a mastigação e outros hábitos que exigem movimentação excessiva da mandíbula. Entre as recomendações mais importantes, destacam-se as massagens, aplicação de calor local e exercícios. Os anti-inflamatórios não hormonais são úteis no combate à dor causada pela sinovite ou miosite. Nos casos em que o estresse desempenha um papel importante, antidepressivos triciclícios ou tranqüilizantes em baixas doses vêm sendo utilizados. Todos os medicamentos devem ser prescritos com uma posologia e por um período de tempo definidos. O uso de medicações “conforme necessário” é menos eficaz e pode causar dependência ou abuso. Os aparelhos de oclusão dentária são bastante utilizados e melhoram os sintomas em mais de 70% dos pacientes. Em casos selecionados, a psicoterapia, a terapia comportamental e física podem ser indicadas. O tratamento cirúrgico é necessário em menos de 5% dos pacientes.

Referência
Dimitroulis G. Temporomandibular disorders: a clinical update. BMJ July 18, 1998;317:190-4.

 

Editora responsável: Dra. Elisabete Almeida - drabetty@lincx.com.br


A LINCX Serviços de Saúde possui todos os direitos autorais dos artigos e imagens publicados neste portal