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Hiperlipidemia em pacientes com diabetes tipo 2

A doença coronariana é a principal causa de óbito em pacientes diabéticos. Alterações lipídicas estão freqüentemente relacionadas com o diabetes, particularmente nos pacientes com o tipo 2 da doença (anteriormente denominado diabetes não-insulino dependente).

As alterações mais comuns incluem hipertrigliceridemia e níveis reduzidos da fração HDL do colesterol. Embora esses valores sejam parcialmente corrigidos com a normalização dos níveis glicêmicos, valores normais geralmente não são obtidos.

Tendo em vista a correlação entre todas as formas e doença vascular em pacientes com diabetes tipo 2 e a hiperlipidemia, é fundamental identificar e tratar essas alterações. O’Brien e colaboradores revisaram estudos recentes relacionados à avaliação e abordagem desse problema.Recomenda-se o rastreamento anual de alterações lipídicas em pacientes adultos com diabetes. Os exames devem incluir a dosagem de colesterol total, HDL, LDL e triglicerídeos.

Os valores aceitáveis de LDL são < 130 mg/dL, enquanto os níveis de triglicerídeos devem estar abaixo de 200 mg/dL.

Em pacientes com evidências clínicas de doença vascular, os níveis de LDL e triglicerídeos devem ser < 100 mg/dL e 150 mg/dL, respectivamente. Se esses valores devem ou não ser aplicados a todos os pacientes com diabetes, independente de evidências de doença vascular, ainda é motivo de discussão. Níveis de HDL acima
de 45 mg/dL são recomendados.

A abordagem de pacientes com hiperlipidemia deve começar com o controle glicêmico
e a perda de peso. A prática regular de atividade física deve ser incorporada ao programa, permitindo emagrecer e controlar o peso. Com a perda de peso, é possível reduzir os níveis de triglicerídeos e aumentar o HDL.

Antes de iniciar a atividade física, condições clínicas que podem aumentar o risco da prática de exercícios devem ser levadas em consideração, incluindo a presença de retinopatia proliferativa, neuropatia e o pé diabético. É importante solicitar um teste de tolerância ao esforço para descartar a isquemia miocárdica, principalmente em pacientes acima de 35 anos de idade.

Caso os níveis lipídicos desejados não tenham sido alcançados após 3 a 6 meses de dieta, exercícios e controle glicêmico, deve-se iniciar o tratamentofarmacológico.

O tratamento inicial de pacientes com hipertrigliceridemia grave (níveis de triglicerídeos > 1.000 mg/dL) também deve incluir medicamentos.

A classe de droga utilizada deve levar em consideração a alteração lipídica observada. Em pacientes com hipercolesterolemia sem hipertrigliceridemia, deve-se utilizar os inibidores da HMG-CoA redutase; naqueles com hipercolesterolemia e hipertrigliceri-demia, pode-se empregar um inibidor da HMG-CoA redutase ou o genfibrizol; nos pacientes com hipertrigliceridemia, o genfibrizol é uma boa opção.

Os pacientes com níveis reduzidos de HDL podem se beneficiar do uso de inibidores da HMG-CoA redutase ou da niacina (tendo em vista que pode estar relacionada a um efeito indesejável sobre o controle glicêmico, a niacina deve ser empregada com cautela).

Estudos mostram que os ácidos graxos ômega 3 (encontrados em peixes, por exemplo) reduzem os níveis lipídicos em indivíduos saudáveis.

Em pacientes com diabetes tipo 2, entretanto, foram descritas algumas reações adversas com o uso desses ácidos graxos, como a elevação da glicemia de jejum e dos níveis glicêmicos pós-prandiais. Em pacientes não responsivos à monoterapia, pode-se utilizar a associação de drogas. Um exemplo é a combinação de doses baixas de quelantes de ácidos biliares e inibidores da HMG-CoA redutase.

A associação de inibidores da HMG-CoA redutase e fibratos ou niacina está relacionada com um risco elevado de miopatia. Embora não seja contra-indicada, essa combinação deve ser usada com cautela.

Os autores concluem que a hiperlipidemia é uma das responsáveis pela prevalência de doença vascular encontrada em pacientes com diabetes. Nesses pacientes, a hipertrigliceridemia e a redução dos níveis de HDL devem ser tratadas agressivamente.

O tratamento adequado exige uma associação de medidas farmacológicas e não-farmacológicas. Todos os pacientes adultos com diabetes devem realizar um perfil lipídico anualmente.

Referência
O’Brien T, et al. Hyperlipidemia and diabetes mellitus. Mayo Clin Proc October 1998;73:969-76.

Editora responsável: Dra. Elisabete Almeida - drabetty@lincx.com.br


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