O diabetes melito é uma
doença condicionada por expressão poligênica que acomete principalmente adultos
a partir da quarta década de vida, caracterizada por hiperglicemia, deficiência
relativa ou absoluta na secreção e/ou ação da insulina, alterações no metabolismo
de carboidratos, proteínas e lipídeos, podendo levar a complicações micro e
macrovasculares e neurológicas.
O Expert Committee on
the Diagnosis and Classification of Diabetes Mellitus baseado na National
Diabetes Data Group (NDDG) e World Health Organization (WHO) reconhece
as duas formas mais representativas do diabetes melito: O diabetes melito tipo
1 (insulino-dependente) e o diabetes melito tipo 2 (não-insulino-dependente)
que corresponde a 85-90% dos casos de diabetes. A prevalência do diabetes melito
tipo 2 vêm aumentando em todo mundo, acompanhada pela presença do sedentarismo
e obesidade e mudança do hábito alimentar. Atualmente, cerca de 2 a 3% da população
ocidental apresenta esta doença. No Brasil, o estudo multicêntrico sobre a prevalência
de diabetes melito, encontrou uma taxa de 7,5% de diabéticos na faixa etária
de 30 a 69 anos, com uma freqüência maior (17,4%) no grupo etário de 60 a 69
anos de idade.
O conjunto de alterações
associadas ao diabetes melito tipo 2 - obesidade, hipertensão arterial, dislipidemia,
doença coronariana, hiperuricemia, aumento da atividade do sistema nervoso simpático
e alteração dos fatores de coagulação - é denominado Síndrome de Reaven ou Síndrome
X.
Atualmente, mesmo com todos
os recursos terapêuticos disponíveis, o diabetes melito tipo 2 evolui com elevados
índices de morbidade e mortalidade. Os sintomas nem sempre presentes, pouco
específicos e muitas vezes tardios no desenvolvimento da doença dificulta o
diagnóstico precoce. No Brasil, há cerca de 4,5 milhões de diabéticos, onde
2 milhões desconhecem sua condição.
Diagnóstico e controle
Segundo o Expert Committee
on the Diagnosis and Classification of Diabetes Mellitus, o critério diagnóstico
para o diabetes melito se baseia em três métodos. Cada um destes métodos deve
ser confirmado no dia subsequente pelo próprio método ou pelos outros dois.
São eles:
1. Sintomas do
diabetes associados a uma concentração de glicose plasmática casual superior
a 200mg/dL. O termo casual é definido como qualquer período do dia. Os sintomas
clássicos do diabetes incluem a poliúria, polidipsia e perda de peso.
2. Glicose plasmática
de jejum superior ou igual a 126mg/dL. O jejum é definido como 8 horas sem
ingerir nenhum alimento ou produto que forneça calorias.
3. Teste oral de
tolerância à glicose apresentando glicose plasmática com níveis superiores
a 200mg/dL 2 horas após a ingestão de 75g de glicose dissolvida em água.
Grupos de indivíduos com
níveis intermediários de glicose plasmática em jejum ou durante o teste oral
de tolerância à glicose, embora não reuna os critérios diagnósticos para o diabetes,
devem ser monitorados. Os níveis categóricos de glicose plasmática em jejum
e durante o teste oral de tolerância à glicose são mostrados nas tabelas 1 e
2, respectivamente.
Tabela
1 - Níveis categóricos da glicose
plasmática em jejum
Glicose
plasmática em jejum
Classificação
< 110 mg/dL
Normal
>= 110 mg/dL
e < 126 mg/dL
Intolerância
à glicose
>=126 mg/dL
Diabetes melito*
Fonte:Expert Committee on the Diagnosis and Classification of Diabetes Mellitus * Este diagnóstico deve ser confirmado, como descrito acima.
Tabela
2 - Níveis categóricos da glicose
plasmática durante o teste oral de tolerância à glicose
Glicose
plasmática 2h. após a ingestão de alimentos
Classificação
< 140 mg/dL
Normal
>= 140
mg/dL e < 200 mg/dL
Intolerância
à glicose
>= 200
mg/dL
Diabetes melito*
Fonte:Expert Committee on the Diagnosis and Classification of Diabetes Mellitus * Este diagnóstico deve ser confirmado, como descrito acima.
O controle do diabetes melito
deve ser realizado no sentido de prevenir futuras complicações próprias do diabetes
e avaliar a aderência pelo paciente ao tratamento. Este controle pode ser realizado
pelos seguintes métodos:
Concentração da hemoglobina
glicosilada: este procedimento é usado no controle glicêmico do diabético
e estima a média da concentração sérica de glicose por um período de 2 a 3
meses antes do teste. Há uma correlação positiva entre a glicosilação da hemoglobina
e o índice glicêmico. Os valores normais de hemoglobina glicosilada no sangue
é de 4 a 6%.
Concentração da frutosamina:
estudos recentes mostram que a determinação da concentração de frutosamina
pode ser um bom método no controle glicêmico de indivíduos diabéticos, tendo
a mesma eficiência que a concentração de hemoglobina glicosilada, com a vantagem
de ser obtida mais rapidamente e ter um custo menor. A concentração de frutosamina
estima a média de glicose no sangue nos últimos 15 dias. Seus valores sangüíneos
normais em indivíduos adultos é de 205 a 285 mmol/ L.
Tratamento
O tratamento do diabetes
melito tipo 2 baseia-se em mudança no estilo de vida, na dieta e no programa
de exercícios físicos, e tem como objetivo a redução da resistência periférica
à insulina e a preservação da função das células beta pancreáticas (produtoras
de insulina). Entretanto, sabe-se que estas medidas apresentam uma baixa aderência
e se tornam ineficientes a longo prazo. A tendência do diabetes melito tipo
2 progredir em muitas situações, apesar do êxito terapêutico inicial, enfatiza
a necessidade de agentes farmacológicos que previnam a deterioração das células
beta, mantendo a secreção insulínica adequada e/ou melhorarem a ação insulínica
periférica no sentido de evitar a hiperglicemia e seus efeitos a longo prazo.
Há diferentes classes de drogas que auxiliam no tratamento do diabetes melito
tipo II como os hipoglicemiantes orais (Sulfoniluréias), os antihiperglicemiantes
(biguanidas, inibidores da alfa-glicosidase) e os potencializadores da ação
insulínica (biguanidas e tiazolinedionas).
Conclusão
O diabetes melito tipo 2
tem se tornado uma das doenças crônicas mais prevalentes no mundo, sendo considerado
um problema de saúde pública. Por isso, seu diagnóstico precoce auxilia o tratamento
da doença. Hoje, recomenda-se o controle dos índices glicêmicos por meio de
exames laboratoriais conscientização do paciente quanto a importância da manutenção
dos níveis de glicemia normais a fim de se evitar e/ou minimizar as complicações
comuns dessa doença. A manutenção da glicemia em níveis normais é promovida
por meio de uma dieta adequada ao indivíduo, a prática de exercícios físicos
e uso de hipoglicemiantes orais, antihiperglicemiantes ou potencializadores
da ação da insulina.
Referência bibliográfica
AUSTIN, G.E.
et al. Usefulness of fructosamine for monitoring outpatients with diabetes.
The American Journal of the Medical Sciences, 318(5):316-23, 1999.
BAILEY, C.J. Biguanides
and NIDDM. Diabetes Care, 15(6):755-72, 1992.
KUMAN, S. et
al. Troglitazone, na insulin action enhancer, improves metabolic control in
NIDDM patients. Diabetologia. 39(6):701-9, 1996.
MALERBI, D.A.
; FRANCO. L.J. AND THE BRAZILIAN COOPERATIVE GROUP ON THE STUDY
OF DIABETES PREVALENCE. Multicenter study of the prevalence of diabetes
mellitus and impaired glucose tolerance in the urban Brazilian Population
aged 30 -69 yrs. Diabetes Care, 15(11):1509-16, 1992.
REAVEN, G.M. Role
of insulin resistance in human disease. Diabetes, 37:1595-607, 1988.
RIDDLE, M.C. Combined
therapy with a sulfonylurea plus evening insulin: Safe reliable and becoming
routine. Hormone and Metabolic Research, 18:430-3, 1996.
THE EXPERT COMMITTEE
ON THE DIAGNOSIS AND CLASSIFICATION OF DIABETES MELLITUS. Report of the
Expert Committee on the Diagnosis and Classification of Diabetes Mellitus.
Diabetes Care, 22(suppl 1): S5-S19, 1999.
Autoras:
Cecília Lacroix de Oliveira e Alexandra Magda Rodrigues
A LINCX Serviços de Saúde possui todos os direitos autorais dos artigos e imagens publicados neste portal