Artigos Científicos  
     Artigos Médicos

Buco - Maxilo

Cardiologia

Cirurgia Geral

Dermatologia

Endocrinologia

Fisiologia

Gastroenterologia

Genética

Geriatria

Ginecologia

Hematologia

Medicina Nuclear

Moléstias Infecciosas

Nefrologia

Neurologia

Obstetrícia

Oncologia

Ortopedia

Pediatria

Pneumologia

Radiologia

Reumatologia

Urologia

Vascular

Outras Especialidades


Endocrinologia

Deficiência de zinco na infância e adolescência

O zinco é um oligoelemento de grande importância orgânica contribuindo em diversos sistemas enzimáticos como componente de metaloenzimas ou como co-fator para ativação de enzimas que, por sua vez, estão envolvidas em processos bioquímicos do sistema imunológico, integridade celular, formação óssea, crescimento e desenvolvimento.

A deficiência de zinco na infância e adolescência, associada a uma ingestão inadequada deste mineral e uma baixa qualidade nutricional, poderá interferir no crescimento e desenvolvimento, já que este mineral é essencial para a síntese do DNA, além de desempenhar papel importante na síntese do RNA, podendo afetar o processo de divisão celular.

O organismo humano possui cerca de 1,5 a 2,0g de zinco, onde 80% deste encontra-se no músculo esquelético e ossos. Ele ainda pode ser encontrado no fígado, intestino, rins, retina, pele, cabelo, entre outros. No sangue, o zinco está presente nos eritrócitos ou ligado a albumina, macroglobulinas e aos aminoácidos histidina e cistina.

O requerimento diário de zinco varia de acordo com a idade do indivíduo e está ilustrado na tabela 1. O controle dos níveis internos deste mineral é tão eficiente que praticamente não existe toxicidade relacionada a ele e seus principais mecanismos de regulação são a absorção e excreção intestinal.

Tabela 1 - Necessidade diária de zinco, de acordo com a idade.

Idade
Necessidade de zinco
0-6 meses
2,0 mg
7 - 12 meses
3,0 mg
1 - 3 anos
3,0 mg
4 - 8 anos
5,0 mg
9 - 13 anos
8,0 mg
14 - 18 anos (meninas)
9,0 mg
14 - 18 anos (meninos)
11,0 mg

Fonte: Dietary References Intakes, 2000.

Clinicamente, a deficiência de zinco em crianças e adolescentes pode ser dividida em leve, moderada ou severa.

  • Leve: É a mais comum e a mais difícil de ser diagnosticada. Pode ocorrer devido à baixa ingestão de zinco, alta ingestão de fitato que inibe a absorção do mineral e pela perda sanguínea decorrente de infestações como esquistossomose e ascaris. Além desses fatores, infecções como pneumonia, tuberculose, infecção generalizada e transpiração excessiva podem levar à deficiência de zinco.
  • Moderada: Inclui manifestações como o retardo de crescimento , redução do apetite e da capacidade sensorial (especialmente gustativa), diminuição da hipogonadismo em meninos, pele seca e áspera, dificuldade na recuperação de feridas, adaptação anormal ao escuro, letargia mental e disfunções imunes.
  • Severa: A acrodermatite entero-hepática - desordem genética que afeta a absorção do zinco, a nutrição parenteral sem reposição do mineral e o consumo excessivo de álcool por adolescentes são condições que normalmente estão associadas à deficiência severa de zinco. Nestes casos, são observadas alterações neuropsíquicas como irritabilidade, desordens emocionais, tremores e ataxia cerebelar. Em adolescentes, a deficiência de zinco e ferro severa pode retardar a maturação sexual, bem como prejudicar o indivíduo a alcançar o crescimento longitudinal máximo.

Laboratorialmente, a concentração de zinco no plasma de sangue não hemolizado e sem contaminação com minerais menor que 50mg/dl indica deficiência de zinco. Índices de maior confiança para o diagnóstico são a qualificação de zinco dos neutrófilos e a medição da atividade da fosfatase alcalina dos leucócitos. Além disso, já se propôs uma prova de tolerância a uma carga oral. Na deficiência de zinco, a excreção urinária normalmente de 500mg/24h pode estar reduzida, auxiliando o diagnóstico.

Quando os níveis de zinco estiverem normais, a única maneira prática de diagnosticar a deficiência deste mineral é por meio da resposta clínica à suplementação. Entretanto, o melhor método de avaliação do estado nutricional de zinco em crianças e adolescentes é a observação do crescimento e desenvolvimento.

A suplementação de zinco para esta população deve ser considerada somente quando a dieta apresenta pouca quantidade de zinco absorvível, além de déficit de crescimento e/ou zincemia reduzida, e também quando há diarréia persistente.

A administração de zinco em doses fisiológicas para pacientes com deficiência é uma prática aceita. O zinco pode exercer efeito terapêutico na duração dos resfriados, agindo como inibidor da replicação viral. Além disso, ele promove a recuperação da diarréia aquosa aguda, reduzindo a duração e gravidade do episódio e a diminuição do déficit de crescimento associado à diarréia. A dose ideal única diária possui vantagens sobre a administração de múltiplas doses por dia. A duração da terapia ainda está por ser definida e depende da resposta do paciente ao tratamento.

Referência: bibliográfica ALLEN, L.H. Zinc and micronutrient supplements for children. Am. J. Clin. Nutr., 1998; 68(suppl.): 495S-8S. Dietary Reference Intakes (DRIs): Recommended Intakes for Individuals, Vitamins and Minerals. Food and Nutrition Board, Institute of Medicine, The National Academies, 2000. FISBERG, M. et al. Deficiência de zinco em pediatria. Nutrição em Pauta, 2001; ano IX, nº48: 50-6. PRASAD, A.S. Role of zinc in human health.Bol. Assoc. Med. P.R., 1991; 83(12):558-60. PLOYSANGAM, A. et al. Effect of marginal zinc deficiency on human growth and development. Jornal of Tropical Pediatrics, 1997; 43:192-8 .

Editora responsável: Dra. Elisabete Almeida - drabetty@lincx.com.br


A LINCX Serviços de Saúde possui todos os direitos autorais dos artigos e imagens publicados neste portal