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Consenso Latino-americano de obesidade

Participantes: Dr. Alfredo Halpern, Dra. Alice de Mesquita Carvalho, Dr. Amélio F. de Godoy Matos, Dr. César De Leon P.; Dr. Carlos Bayard Rodrigues; Dra. Daise dos Santos Amaral Baptista, Dr. Ernesto Irrazabal, Dr. Giuseppe Repetto, Dra. Gladys Olaya Bello, Dr. Jayme Ariza, Dr. Jorge Gonzalez Barranco, Dr. José Carlos Appolinário, Dr. Julio Montero, Dr. Marcio C. Mancini, Dr. Mário Kehdi Carra. Dra. Mônica Duchesne, Dra. Patrícia Restrego, Dr. Patrício Mois Yudilevich. Dr. Pedro kaufmann, Dr. Rafael Gómez Blasco, Dr. Rafael Gómez Cuevas, Dr. Raul Pisabarro, Dr. Ricardo Güell, Dr. Fernando Manuel, Dr. VictorSaavedra Gajardo, Dr. Walmir Ferreira Coutinho

1. Obesidade

É uma doença crônica que é acompanhada de múltiplas complicações, tais como o diabetes mellitus, hipertensão arterial, dislipidemias, alterações osteo-musculares, aumento da insidência de alguns tipos de carcicoma e aumento do índice de mortalidade. Define-se a obesidade como o acúmulo excessivo de gordura de uma forma tal que comprometa a saúde.

2. Tratamento

Farmacoterapia: A prescrição de medicamentos deve ser considerada nos seguintes pacientes:

  • I.M.C. igual ou maior que 30.
  • I.M.C. igual ou maior que 24, se acompanhado de outros fatores de risco como hipertensão arterial, diabetes mellitus tipo 2, hiperglicemia, etc.
  • Quando o tratamento convencional não obteve êxito.

As premissas fundamentaid para indicação da farmacoterapia na obesidade são:

  • A medicação não deve constituir um critério único de tratamento.
  • Deve estar enfocada no tratamento integral do paciente obeso e não exclusivamente na redução do peso.
  • Sempre deve ser prescrita e acompanhada por um médico

3. Classificação

Fundamentalmente, os medicamentos para o tratamento da obesidade se dividem em 3 categorias:
1. Aquelas que atuam sobre o sistema nervosos central, modificando o apetite ou a conduta alimentar.
2. Aquelas que agem incrementando a termogênese.
3. Aquelas que atuam sobre o sistema gastrintestinal, inibindo a absorção de gordura.

4. Duração do tratamento

Sabe-se que há uma perda no efeito dos medicamentos quando eles são temporariamente suspensos (como ocorre também com medicação antidiabética ou anti-hipertensiva), pelo que se aconselha que a duração do tratamento deva ser prolongada, tanto quanto se verifique necessário, em particular nos pacientes que apresentem outros fatores de risco. Além disso, deve-se observar que os medicamentos disponíveis atualmente não têm um longo tempo de avaliação clínica.

5. Perfil dos principais medicamentos

a) Catecolaminérgicos

Fetermina
Mecanismo de ação: Diminui a ingestão alimentar por um mecanismo noradrenérgico.
Dose: 30 – 60mg/dia
Efeitos colaterais: Boca seca, insônia, taquicardia, ansiedade.

Fenproporex
Mecanismo de ação: Diminui a ingestão alimentar por um mecanismo noradrenérgico.
Dose: 20 - 50 mg/dia
Efeitos colaterais: Boca seca, insônia, taquicardia, ansiedade.

Amfepramona (Dietilpropiona)
Mecanismo de ação: Diminui a ingestão alimentar por um mecanismo noradrenérgico.
Dose: 40 - 120 mg/dia
Efeitos colaterais: Boca seca, insônia, taquicardia, ansiedade.

Mazindol
Mecanismo de ação: Diminui a ingestão alimentar por mecanismo noradrenérgico e dopaminérgico. Nãoé derivado da fenietilamina como as três drogas anteriores.
Dose: 1 - 3 mg/dia
Efeitos colaterais: Boca seca, insônia, taquicardia, ansiedade.

Fenilpropanolamina
Mecanismo de ação: Age aumentando a ação afrenérgica.
Dose: 50 - 75 mg/dia
Efeitos colaterais: Sudoreses, taquicardia, eventualmente aumenta a pressão arterial.

b) Serotoninérgicos

Fluoxetina
Mecanismo de ação: Inibidor da recapitação de serotonina. Apesar de não ser especificamente para a obesidade, pode ser útil em alguns tipos de pacientes obesos como comedores compulsivos, aqueles com bulimia nervosa e obesos deprimidos.
Dose: 20 - 60 mg/dia
Efeitos colaterais: Cefaléia, insônia, ansiedade, sonolência e redução da libido.

Sertralina
Mecanismo de ação: Inibidor da recapitação de serotonina. Apesar de não ser especificamente para a obesidade, pode ser útil em alguns tipos de pacientes obesos como comedores compulsivos, aqueles com bulimia nervosa e obesos deprimidos.
Dose: 50 - 150 mg/dia
Efeitos colaterais: Cefaléia, insônia, ansiedade, sonolência e redução da libido.

c) Serotoninérgico e catecolaminérgico

Sibutramina
Definição: É um inibidor da recaptura da serotonina e da noradrenalina (SNRI).
Mecanismo de ação: É central e periférico, reduzindo a ingestão alimentar e aumentando o gasto calórico
Dose: 10 - 20 mg/dia
Efeitos colaterais: Secura da boca, constipação, taquicardia, sudorese, eventual aumento da pressão arterial.

d) Termogênicos

Efedrina
Mecanismo de ação: Agonista adrenérgico.
Dose: 50 - 75 mg/dia
Efeitos colaterais: Sudorese, taquicardia, eventual aumento da pressão arterial.

Cafeína
Mecanismo de ação: Aumenta a ação da noradrenalina nas terminações nervosas, potencializando o efeito da efedrina.
Dose: 100 - 300 mg/dia
Efeitos colaterais: Gastrite, taquicardia.

Aminofilina
Mecanismo de ação: Aumenta a ação da noradrenalina nas terminações nervosas, potencializando o efeito da efedrina.
Dose: 300 - 450 mg/dia
Efeitos colaterais: Gastrite, taquicardia. Os anorexíneos catecolaminérgicos têm também uma ação termogênica.

e) Inibidor de absorção de gorduras

Orlistat
Mecanismo de ação: Desativa a ação enzimática necessária para absorver os triglicérides. Sua atividade se desenvolve no lúmem intestinal, sendo mínima a sua absorção.
Dose: 120 mg no máximo três vezes ao dia junto com as refeições principais.
Efeitos colaterais: Produz esteatorréia por seu próprio mecanismo de ação. Caso a ingestão de gordura seja exasgerada, pode provocar diarréias e incontinência fecal. Para interferir na absorção de vitaminas lipossolúveis, por isso ocasionalmente é necessária uma suplementação alimentar.

6. Resumo

Em geral, existem poucos ensaios clínicos terapêuticos controlados mostrando a eficácia de tratamentos hormonais para a obesidade.

Na literatura existem artigos mostrando que diversos tratamentos hormonais podem, em casos especiais, diminuir de forma aguda a quantidade de tecido adiposo e fundamentalmente resultar em benefícios metabólicops, promovendo o decréscimo da gordura viceral.

Apesar disso, nenhum dos estudos mostrou ser efetivo no manejo de pacientes obesos a longo prazo.

Resultados esperançosos surgem dos primeiros relatos do tratamento com leptina; provavelmente em um futuro próximo poderemos contar com uma alternativa de tratamento hormonal eficaz para a obesidade.


 


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