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Como abordar os pacientes com diabetes tipo 2 acima do peso e com hipertrigliceridemia

A abordagem dos pacientes com diabetes tipo 2 torna-se mais difícil pela necessidade de restrição calórica numa sociedade marcada pelo estresse e que oferece bebidas e grandes refeições ricas em carboidratos e gorduras, além de limitar a prática regular de atividade física. Alguns pesquisadores estão estudando os benefícios da redução de carboidratos na dieta e da ingestão de gorduras monoinsaturadas em pacientes com diabetes tipo 2, particularmente naqueles com níveis elevados de triglicerídeos. Por incrível que pareça, os pacientes têm maior facilidade em seguir essa dieta, talvez em decorrência da hiperinsulinemia.

Para o paciente com diabetes tipo 2, acima do peso, com hipertrigliceridemia e preparo físico inadequado, uma dieta hipocalórica com quantidade reduzida de carboidratos facilita o controle glicêmico e ajuda a diminuir os níveis de triglicerídeos (quando os valores iniciais são menores que 1000 mg/dL). Além disso, tendo em vista que a diminuição na concentração da insulina circulante aumenta a sensibilidade à insulina e diminui a dose necessária de hipoglicemiantes orais, deve ocorrer perda de peso. Qualquer aumento na atividade física também contribui para melhorar a sensibilidade à insulina e diminuir a glicemia, a concentração de triglicerídeos e o peso. Levando-se em consideração as limitações físicas dos pacientes, os exercícios aeróbicos aquáticos ou as caminhadas na água são bem toleradas.

As necessidades calóricas dependem bastante da altura do paciente. Em indivíduos com altura abaixo de 1,60 m, uma dieta com 1200 kcal/dia é adequada. Entre 1,60 e 1,72 m, considera-se apropriada uma ingestão de 1400 a 1600 kcal/dia. A fração de carboidratos, proteínas e gorduras deve respeitar a tabela a seguir:

Kcal/dia
Carboidratos
g/dia
Proteínas
g/dia
Gorduras
g/dia
1200
135
60
47
1400
158
70
54
1600
180
80
62

Até o momento, as pesquisas recomendam dietas com 45% de carboidratos. Embora os pesquisadores estejam analisando os efeitos de dietas pobres em carboidratos (com 25%, por exemplo), ainda não existem evidências suficientes para recomendar a ingestão a longo prazo dessas dietas. A maioria dos carboidratos devem ser complexos e obtidos a partir de alimentos ricos em fibras, como as verduras e grãos integrais.

De acordo com a American Diabetes Association, a ingestão protéica deve responder por 10 a 20 por cento das calorias da dieta. Considerando-se a redução na ingestão de carboidratos, uma maior ingestão de proteínas pode ser necessária para alcançar a quantidade de calorias recomendadas.

As calorias restantes devem ser obtidas a partir das gorduras, na sua maioria de produtos monoinsaturados. Os alimentos ricos em gorduras monoinsaturadas incluem o azeite de oliva, azeitonas, manteiga natural de amendoim e abacates. As nozes também são uma fonte saudável de gorduras. Com esse tipo de dieta, tendo em vista que não se recomenda uma alimentação rica em gorduras saturadas, é fundamental que os pacientes compreendam a importância da seleção das gorduras monoinsaturadas.

Finalmente, para conseguir implementar essa dieta, o paciente precisa ser educado de forma adequada para mudar o modo de selecionar, comprar e preparar os alimentos.

Refeferência:

1. Gutierrez M, Akhavan M, Jovanovic L, Peterson CM. Utility of a short-term 25% carbohydrate diet on improving glycemic control in type 2 diabetes mellitus. J Am Coll Nutr 1998;17:595-600.

2. Hudgins L. Effect of high-carbohydrate feeding on triglyceride and saturated fatty acid synthesis. Proc Soc Exp Biol Med. 2000;225:178-183.

3. Golay A, Eigenheer C, Morel Y, Kujawski P, Lehmann T, de Tonnac N. Weight loss with low or high carbohydrate diet? Int J Obes Relat Metab Disord 1996;20:1067-1072.

4. American Diabetes Association. Nutrition recommendations and principles for people with diabetes mellitus. Diabetes Care 2001;24 (suppl 1):S44-S47.

Editora responsável: Dra. Elisabete Almeida - drabetty@lincx.com.br


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