Os
exames de rastreamento vêm aumentando a freqüência do diagnóstico
de hiperparatireoidismo primário assintomático. Sabendo que um
grande número de pacientes com essa condição e sintomas
vagos podem ser acompanhados sem intervenção cirúrgica,
especialistas desenvolveram estratégias terapêuticas para esse
grupo de pacientes.
Recomendam-se consultas
a cada 2 anos, devendo-se medir a pressão arterial e determinar o clearance
de creatinina e os níveis séricos de cálcio e creatinina.
A radiografia e a ultra-sonografia
de abdome, uma amostra de urina de 24 horas para estabelecer a eliminação
urinária de cálcio e medidas da massa óssea são
recomendadas anualmente, podendo-se estender esse período quando os exames
não mostram alterações.
Medidas importantes incluem
atividades físicas e dieta com quantidades normais de cálcio.
Bilezikian e cols publicaram um workshop sobre hiperparatireoidismo primário
assintomático, no qual foram levantadas algumas questões relacionadas
a essa condição.
O diagnóstico de
hiperparatireoidismo primário é confirmado por níveis elevados
de cálcio de forma persistente, na presença de níveis elevados
do hormônio paratireoideano (PTH). As drogas que causam hipercalcemia
devem ser suspensas sempre que possível, e os pacientes devem repetir
os exames. A hipercalcemia hipocalciúrica benigna familiar é uma
condição benigna rara com achados semelhantes, causada por uma
mutação genética e diagnosticada por uma relação
clearance de creatinina-cálcio < 0,01, que no hiperparatireoidismo
primário é geralmente > 0,02.
A diferenciação
entre essas duas condições é importante porque intervenções
cirúrgicas não são indicadas em pacientes com hipercalcemia
hipocalciúrica benigna familiar. Além disso, alguns pacientes
apresentam níveis normais de cálcio e elevados de PTH, constituindo
o hiperparatireoidismo primário normocalcêmico.
Nesse grupo, deve-se investigar
causas de elevação secundária do PTH, como uma menor absorção
de cálcio por má absorção, insuficiência renal,
deficiência de vitamina D ou hipercalciúria de origem renal.
A avaliação
inicial no hiperparatireoidismo primário deve incluir a avaliação
de órgãos-alvo, com a densitometria óssea, ultra-sonografia
renal ou radiografia de abdome, e clearance urinário de creatinina e
cálcio em 24 horas. Os exames de acompanhamento em pacientes que não
têm indicação cirúrgica incluem a dosagem sérica
de cálcio a cada 6 meses, a dosagem sérica anual de creatinina
e densitometria óssea anual da coluna lombar, quadril e antebraço.
A cirurgia é o único tratamento definitivo para o hiperparatireoidismo
primário. Outros fatores que apresentam impacto desconhecido na decisão
terapêutica incluem alterações neuropsíquicas, a
menopausa, doenças cardiovasculares, sintomas gastrointestinais e os
marcadores urinários e séricos do metabolismo ósseo.
Não existem abordagens
terapêuticas clínicas para o hiperparatireoidismo primário.
Atualmente, o raloxifeno, bisfosfonados e agentes semelhantes ao cálcio
vêm sendo estudados. Recomenda-se uma ingestão de quantidades adequadas
de vitamina D entre 1.000 mg e 1.200 mg de cálcio. Os autores concluem
ressaltando a importância do reconhecimento da doença em estágios
iniciais, quando a única evidência dessa condição
pode ser a elevação dos níveis séricos de PTH.
A história natural
da doença deve ser melhor compreendida antes de recomendar a dosagem
de PTH na rotina dos programas de rastreamento. O papel da deficiência
vitamínica na atividade da doença em pacientes com hiperparatireoidismo
primário também deve ser melhor conhecido.
Referência
Bilezikian JP, et al. Summary statement from a workshop on asymptomatic primary
hyperparathyroidism: a perspective for the 21st century. J Clin Endocrinol Metab
December 2002;87:5353-61.