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Uso de antibióticos na prevenção da insuficiência coronariana

Atualmente, acredita-se que o processo inflamatório mediado por patógenos intracelulares como a Chlamydia pneumoniae contribui para o desenvolvimento da aterosclerose. Determinados antígenos e outras evidências imuno-histológicas apontam para uma relação desse microorganismo com a doença coronariana. O estudo WIZARD (sigla, em inglês, de Weekly Intervention with Zithromax for Atherosclerosis and its Related Disorders) foi desenhado para avaliar o impacto do tratamento durante 12 semanas com azitromicina versus placebo em uma população de pacientes com antecedente de infarto miocárdico (IM) e evidências de infecção pela C. pneumoniae.

Foram incluídos pacientes com IM documentado mais de 6 semanas antes do início do estudo e evidências de infecção pela C. pneumoniae. Esses pacientes foram distribuídos aleatoriamente em 2 grupos, um recebendo azitromicina (600 mg uma vez por dia durante 3 dias seguidos de 600 mg por semana durante 11 semanas) e outro recebendo placebo. Os eventos primários analisados incluíram óbito por qualquer causa, IM recorrente, procedimentos de revascularização miocárdica (cirurgia de revascularização ou intervenções coronarianas percutâneas), ou internação por angina, o que tiver ocorrido primeiro. Eventos ateroscleróticos não-coronarianos, como o AVC, parada cardíaca ou internação por insuficiência cardíaca congestiva foram considerados eventos secundários.

Os pacientes foram randomizados em 2 fases, com 3.538 participantes no primeiro grupo e 4.209 no segundo grupo; mais de 90% dos indivíduos completaram o tratamento proposto. O tempo médio de seguimento foi de 25 meses no primeiro grupo e 14 meses no segundo grupo.

O índice de eventos primários por ano no grupo placebo foi de 8,02%. No grupo que recebeu o tratamento com azitromicina, observou-se uma redução de 7% no risco de eventos primários, não significativa do ponto de vista estatístico, sem redução significativa do risco para qualquer um dos eventos primários isoladamente. Também não se observou associação significativa entre os títulos de C. pneumoniae e o efeito do tratamento. Observou-se uma tendência a diferença na redução do risco em alguns subgrupos de pacientes. Entre os diabéticos fumantes, por exemplo, o índice de eventos primários por ano foi de 14,6% no grupo que recebeu azitromicina, em comparação com 53% naqueles que receberam placebo.

Não se demonstrou uma redução na taxa de mortalidade, IM recorrente, internação por angina ou procedimentos de revascularização miocárdica após 12 semanas de tratamento com azitromicina em pacientes com antecedente de IM e evidências de exposição à C. pneumoniae. É possível que existam alguns efeitos positivos do tratamento com azitromicina em populações de alto risco; novos estudos são necessários para confirmar esses achados. Durante o estudo, os títulos de C. pneumoniae não apresentaram valor preditivo em relação ao desenvolvimento de um dos eventos pesquisados. Os autores não recomendam o uso da azitromicina na prevenção da insuficiência coronariana recorrente em pacientes com antecedente de IM.

Referência: O'Connor CM, et al. Azithromycin for the secondary prevention of coronary heart disease events. The WIZARD study: a randomized controlled trial. JAMA September 17, 2003;290;1459-66.

Editora responsável: Dra. Elisabete Almeida - drabetty@lincx.com.br


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