Troponinas cardíacas
O que
são as troponinas cardíacas?
As troponinas
são componentes protéicos que fazem parte
da musculatura estriada cardíaca e que existem em
três tipos, a troponina C, a troponina T e a troponina
I ligadas entre si e a tropomiosina. A troponina C possui
a mesma estrutura no músculo esquelético e
no músculo cardíaco. Mas as troponinas cardíacas
como a troponina (cTnT) e a troponina I (cTnI) são
produtos de diferentes genes em comparação
as troponinas T e I da musculatura esquelética. Ambas
as troponinas cTnT e cTnI podem ser medidas por radioimunoensaio
que usam técnicas similares e os mesmos instrumentos
laboratoriais para testes mais familiares como o hormônio
estimulante da tireóide (TSH). Isto significa que
o laboratório pode realizar as medidas de forma conveniente,
rápida e de forma ininterrupta (24 horas por dia
nos 7 dias da semana).
Os níveis
de cTnT e cTnI são indetectáveis no sangue
pelos métodos disponíveis na atualidade de
forma que os valores normais de cTnT e cTnI são efetivamente
zero. Após o infarto do miocárdio. Após
o infarto do miocárdio ocorre necrose do tecido miocárdio
e a liberação na circulação
de componentes intracelulares, incluindo conhecidas enzimas
como creatino-kinase (CK), suas isoenzimas (CK-MB) bem como
as troponinas cTnT e cTnI, as quais podem ser detectadas
no mesmo espaço de tempo que as CK e CK-MB. Todos
os casos de infarto de miocárdio apresentam níveis
detectáveis de cTnT e cTnI cerca de 12 horas após
o evento ou mesmo mais precocemente. As enzimas também
servem para indicar a resposta a uma variedade de tratamentos
usados como heparinas de baixo peso molecular, antagonistas
da glicoproteína IIb/IIa e revascularização.
Por
que as troponinas são importantes no IAM?
As troponinas
cardíacas apresentam uma série de características
específicas:
-
São liberadas apenas após necrose
miocárdica isquêmica (1).
A CK e a CK-MB ocorrem tanto no músculo esquelético
como na musculatura cardíaca. Logo, uma lesão
da musculatura esquelética causa elevações
da CK e CK-MB tornando o diagnóstico da IAM difícil.
Por exemplo, a dor torácica após uma maratona
com níveis elevados de CK e CK-MB torna esta
dosagem sem utilidade, pois ambas estão elevadas
devido ao trauma muscular. Por outro lado, níveis
de cTnT e/ou cTnI não aumentam a não ser
no caso de ocorrência real de infarto do miocárdio.
-
As enzimas ficam elevadas por um considerável
período de tempo.
Ao contrário da CK e CK-MB , as enzimas cTnT
and cTnI podem ser detectadas por até 5 dias
(cTnI) ou mesmo 7 a 10 dias (cTnT) após o infarto
do miocárdio. Logo, o infarto pode ser detectado
mesmo tardiamente. Um paciente que seja atendido com
história de precordialgia 3 a 5 dias atrás,
a dosagem da cTnT e/ou cTnI pode permitir o diagnóstico
ou exclusão da IAM. Mas todo paciente com dor
torácica dentro das primeiras 12 horas sugestiva
de IAM necessita de avaliação hospitalar
rápida.
-
O método é bastante sensível.
A CK e CK-MB são liberadas pela musculatura esquelética
em baixos níveis de forma permanente havendo
por isto sempre algum nível detectável.
Isto não ocorre com as proteínas estruturais
do miocárdio como as cTnT e cTnI. Logo elas são
altamente sensíveis e específicas. Cerca
de 1/3 dos pacientes com quadro clínico de Síndrome
Coronariana Aguda, sem elevações no segmento
ST ao ECG, que antigamente recebiam diagnóstico
de angina instável, pois o diagnóstico
de IAM pode ser excluído através das dosagens
de CK e CK-MB apresentam níveis elevados de cTnT
e cTnI, devendo, portanto deve ser feito o diagnóstico
de Infarto Agudo do Miocárdio com terapêutica
específica. Estudos de seguimento destes pacientes
evidenciam que eles apresentam um maior risco de morte,
IAM subseqüente ou readmissão com angina
instável em comparação com pacientes
que não apresentam níveis detectáveis
de cTnT ou cTnI.
Alterações
diagnósticas
A sensibilidade
e a precisão diagnóstica das cTnT e cTnI levaram
a “European Society of Cardiology” e o “American
College of Cardiology” a propor novos critérios
diagnósticos para o infarto do miocárdio.
Estes consideram a dosagem de cTnT e cTnI o teste bioquímico
mais importante. Logo, um infarto pode ser diagnosticado
quando ocorrer alguma das situações abaixo:
- Alterações
definitivas no ECG (onda Q e elevação do segmento
ST)
- Alterações
isquêmicas no ECG
- Sintomas cardíacos
mais um aumento (e queda ) de cTnT ou cTnI.
Problemas
Deve ser lembrado
que a falta de elevação de cTnT ou cTnI não
exclui o diagnóstico de doença isquêmica
do coração. Um paciente que é internado
com suspeita de IAM, mas que não apresenta níveis
detectáveis de cTnT ou cTnI, ainda requer uma investigação
adicional como em teste de esforço ou obtenção
de imagens cardíacas para excluir uma estenose que
limite o fluxo sanguíneo coronariano. A multiplicidade
de métodos para a dosagem de cTnI significa que nem
todos exames proporcionam um mesmo resultado ou mostram
uma sensibilidade igual. Por isto é importante o
médico conhecer o laboratório que efetua as
dosagens, a sensibilidade e a reprodutibilidade do método
de dosagem.
Outro problema
ocorre devido a grande especificidade e sensibilidade das
enzimas cTnT e cTnI para a detecção de lesão
cardíaca. A elevação de cTnT ou cTnI
é um indicado absoluto da existência de lesão
cardíaca, mas esta pode ocorrer devido outras causas
além do IAM. Uma miocardite, um trauma cardíaco
devido cirurgia ou acidente de tráfego, o espasmo
arterial coronariano devido uso de cocaína, uma insuficiência
cardíaca grave e uma embolia pulmonar podem causar
lesão miocárdica com uma elevação
associadas das troponinas cardíacas. Finalmente,
ambas a cTnT e cTnI podem estar elevadas de forma permanente
em pacientes com insuficiência renal crônica
e indicam um alto risco de morte em longo prazo. No IAM
as enzimas se elevam mas depois voltam a níveis indetectáveis.
Conclusões
O papel das
troponinas cardíacas pode ser resumido conforme a
seguir:
· Para confirmar ou excluir o diagnóstico
de IAM dentro das primeiras 12 horas após a admissão
de um paciente com sintomas cardíacos.
· Para orientar as decisões em relação
ao tratamento em pacientes internados com o diagnóstico
de angina instável.
· Para confirmar ou excluir o diagnóstico
de IAM em pacientes avaliados tardiamente, p.ex, 2 a 3 dias
após um episódio de sintomas cardíacos
onde a admissão imediata ao hospital não é
necessária.
· Para confirmar ou excluir o diagnóstico
de IAM em pacientes nos quais outros testes (CK, CK-MB)
não são confiáveis devido a existência
de trauma ou devido um excesso de exercícios.
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Editora responsável: Dra. Elisabete Almeida - drabetty@lincx.com.br
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