Se você apresenta um ou
mais fatores de risco para doença cardíaca, ou tem diabetes - mesmo com valores
moderados de colesterol -, o seu médico possivelmente deseja rever o seu esquema
de tratamento para a redução do colesterol. Novas diretrizes foram lançadas
nos EUA, para o tratamento da hipercolesterolemia.
As novas recomendações sugerem
o tratamento mais agressivo - incluindo dieta, exercícios e, muitas vezes, medicamentos
- de pacientes com determinados níveis de colesterol e outros fatores de risco
para doença cardíaca.
Baseado em um grande número
de artigos divulgados nos últimos oito anos, o trabalho ressalta a importância
dos medicamentos (particularmente a classe das estatinas) na redução
do colesterol e do risco de doença cardíaca, mesmo em pacientes sem doença coronariana.
Estima-se que, com a implementação
dessas novas diretrizes, o número de pacientes que utilizam medicamentos para
a redução do colesterol seja triplicado. Dando maior ênfase à prevenção primária,
espera-se que ocorra uma redução na incidência de doenças cardíacas.
As maiores mudanças no tratamento
devem ocorrer em três grupos de pacientes:
Diabéticos
Indivíduos com múltiplos
fatores de risco mas sem antecedente de AVC, infarto do miocárdio ou outra
doença cardíaca.
Pacientes com HDL
(conhecido como "colesterol bom") inferior a 40 mg/dL..
Da mesma forma que a American
Diabetic Association defende há vários anos, o trabalho recomenda o tratamento
de todos os pacientes diabéticos com a mesma agressividade empregada em indivíduos
que já apresentaram infarto do miocárdio, através de dieta, exercícios físicos
e, sempre que necessário, medicamentos. A mesma estratégia de tratamento é recomendada
para pacientes com múltiplos fatores de risco para doença cardíaca. Além disso,
o valor mínimo do HDL passou de 35 para 40 mg/dL, adicionando um fator de risco
a mais para grande parte da população.
As recomendações atuais
dividem os pacientes em três categorias, para as quais estão indicadas diferentes
abordagens terapêuticas - que incluem dieta, atividade física e uso de medicamentos
- a fim de reduzir o LDL ("colesterol ruim"). Essa divisão é baseada em um escore
que leva em consideração a presença de diferentes fatores de risco, utilizado
para calcular o risco de ataque cardíaco em 10 anos. Quanto mais elevado o risco,
menor o LDL desejado.
Os pacientes de risco mais
elevado incluem aqueles com doença coronariana, diabetes, doença
sintomática da artéria carótida, doença arterial periférica, aneurisma
de aorta abdominal ou múltiplos fatores de risco que levam a um risco de
ataque cardíaco em 10 anos maior que 20% na escala de Framingham.
Os fatores de risco listados
incluem o tabagismo, hipertensão, HDL baixo, história
familiar de doença cardíaca precoce (antes dos 55 anos em pai ou irmão,
ou antes dos 65 em mãe ou irmã) e idade (homens com 45 anos ou mais,
e mulheres com 55 anos ou mais).
Aqui estão algumas recomendações
para os três grupos de risco:
Risco mais elevado:
esse grupo inclui pacientes com diabetes, insuficiência coronariana
ou equivalente, ou um risco de ataque cardíaco em 10 anos maior que 20%.
O objetivo é reduzir o LDL abaixo de 100 mg/dL. Pacientes com valores acima
desse limite devem fazer dieta e exercício físico, além de outras mudanças
no estilo de vida. Em indivíduos com valores iguais ou acima de 130 mg/dL,
a administração de drogas para a redução do colesterol deve ser levada em
consideração.
Dois ou mais fatores
de risco: inclui pacientes com um risco de ataque cardíaco em 10 anos
menor ou igual a 20%. Mudanças no estilo de vida devem ser realizadas por
pacientes com LDL maior ou igual a 130 mg/dL. O uso de drogas deve ser considerado
em pacientes com risco em 10 anos entre 10 e 20%, além daqueles cujo risco
é inferior a 10% mas o LDL é maior ou igual a 160 mg/dL.
Nenhum ou um fator
de risco: mudanças no estilo de vida devem ser empregadas em pacientes
com LDL maior ou igual a 160 mg/dL, sugerindo-se o uso de drogas quando atingir
valores maiores ou iguais a 190 mg/dL.
Nessas diretrizes, pela
primeira vez, é dada importância a um conjunto de riscos (chamados, coletivamente,
de síndrome metabólica) que elevam o risco de doença cardíaca. Essa síndrome
é definida como a presença de pelo menos três entre as características a seguir:
Obesidade abdominal:
medida da cintura acima 100 cm em homens, ou de 90 cm em mulheres
Elevação de triglicerídeos:
definida como valores maiores ou iguais a 150 mg/dL (anteriormente, considerava-se
o limite de 200 mg/dL)
Redução do HDL:
definido como valor abaixo de 40 mg/dL em homens, ou 50 mg/dL em mulheres
Hipertensão arterial:
valores maiores ou iguais a 130 mmHg (sistólica) ou 85 mmHg (diastólica)
Elevação da glicemia
de jejum: maior ou igual a 110 mg/dL
Assim como no caso de outros
fatores de risco, os pacientes com a síndrome metabólica devem ser tratados
com dieta e exercício físico. As diretrizes formuladas, apesar de muitos considerarem
excessivamente voltadas para o uso de drogas, sempre ressaltam a importância
das mudanças no estilo de vida como forma inicial de tratamento para todos os
pacientes.
Esse trabalho reforça o
papel dessas mudanças. Portanto, pratique exercícios e evite os alimentos ricos
em gordura.