A proteína C reativa é
uma proteína imunologicamente anômala, caracterizada pela capacidade de precipitar-se
frente ao polissacarídeo C somático isolado de pneumococo. Surge frequentemente
no soro durante a evolução de numerosos processos inflamatórios, especialmente
nos de caráter agudo. Representa um indicador extremamente sensível de inflamação,
sendo sua presença um sinal muito significativo de processo patológico.
Na clínica, a determinação
da proteína C reativa mostra-se particularmente útil na avaliação da atividade
do processo reumático, na avaliação de fator de risco para doença cardiovascular,
no diagnóstico e acompanhamento do infarto do miocárdio. Sua ausência no soro
de pacientes com poliartrite indica fase de repouso. Na febre reumática não
tratada, suas concentrações mostram-se elevadas desde as primeiras fases da
doença, antes mesmo do aparecimento de sinais clínicos.
Os conceitos atuais de infarto
do miocárdio consideram a patologia como também um processo inflamatório e relacionam
a dosagem da proteína C reativa com risco de desenvolvimento para isquemia do
músculo cardíaco.
O infarto do miocárdio (oclusão
arterial que leva à necrose do músculo cardíaco) é causado, em mais de 90 %
dos casos, pela aterosclerose. Três são os mecanismos básicos que participam
da instalação dessa oclusão:
Há dois tipo de infartos:
transmural e não-transmural.O
infarto transmural leva ao comprometimento de toda a espessura do miocárdio,
do epicárdio ao endocárdio, já o não-transmural não se estende através de toda
a espessura da parede ventricular, abrangendo, geralmente, o terço interno do
miocárdio.
Um teste positivo de proteína
C reativa é encontrado em 90% dos casos de infartos transmurais. Começa a positivar-se
12 horas a 5 dias após o episódio agudo, permanecendo positivo até 14 a 50 dias.
A proteína C reativa pode
ser detectada pelo método da precipitação em tubo capilar ou, mais comumente,
pela técnica da aglutinação com látex PCR. Esta última utiliza partículas de
látex poliestireno sensibilizadas com globulinas purificadas anti-PCR e é realizada
em lâmina. O método qualitativo indica a presença ou ausência de proteína C
reativa pela presença ou ausência de aglutinação, que pode ser graduada em cruzes.
Os casos positivos podem ser submetidos ao método semi-quantitativo pela diluição
progressiva do soro. O título obtido pode ser transformado em mg/dL. No adulto,
um valor de 0,3mg/dL já pode ser considerado anormal. Entretanto, apenas métodos
ultra-sensíveis são capazes de detectar esses valores. A tabela 1 ilustra os
valores de referência PCR na avaliação de risco de doença cardiovascular e do
processo inflamatório ou infeccioso.
Tabela 1 - Valores de
referência de PCR na avaliação de risco de doença cardiovascular e do processo
inflamatório ou infeccioso
|
Quadro
clínico
|
Valores
de PCR (mg/dL)
|
| Risco de
doença vascular |
0,3
|
| Processo
inflamatório ou infeccioso |
0,5
|
A dosagem da proteína C
reativa é uma forma importante de avaliar o risco para doenças cardiovascular,
bem como acompanhar a evolução da doença. Porém, ainda é pouco utilizada na
clínica devido a necessidade de técnicas ultra-sensíveis.
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