As
pesquisas realizadas ao longo dos últimos anos no campo das prevenções primária
e secundária da Doença Arterial Coronariana (DAC) e, em particular, da própria
Aterosclerose, confirmaram, através de resultados consistentes, que alterações
do perfil lipídico, constituem um fator de risco indiscutível para complicações
cardiovasculares de natureza aterosclerótica.
Diversos estudos sugerem
existir uma correlação inversa entre os níveis de lipoproteína de alta densidade
- HDL colesterol (HDL-c) e o risco de aterosclerose. Isto se deve ao fato desta
lipoproteína estar envolvida no chamado transporte reverso do colesterol para
que este possa ser excretado no fígado. O HDL-c contêm cerca de 50% de proteínas
e captam ácidos graxos das células periféricas e, através da ação da enzima
lecitina-colesterol-acil-transferase (LCAT), incorporam ácido graxo, tornando-o
esterificado. Entretanto, as HDL-c não são uma partícula única e uniforme, exibindo
características estruturais e de composição diversas, de acordo com a fase de
sua atividade. As frações mais importantes são:
HDL2 - densidade
entre 1,063 e 1,125 g/ml.
HDL3 - densidade entre
1,124 e 1,210 g/ml.
A HDL3 é precursora da HDL2,
que se forma pela incorporação da apolipoproteína C, de fosfolípides e de colesterol
liberados durante a lipólise.
A quantidade de HDL2, teria, portanto, papel importante, pois definiria a capacidade
de remoção maior ou menor de colesterol dos tecidos. Alguns estudos mostram
que coronariopatas apresentam quantidades menores de HDL2.
Alguns fatores contribuem
para a redução da HDL-c como:
As lipoproteínas de baixa
densidade - LDL colesterol (LDL-c) resultam da transformação metabólica das
lipoproteínas de densidade muito baixa - VLDL colesterol (VLDC-c). Contêm cerca
de 25% de proteínas, principalmente sob a forma de apoproteína B; 42% de ácidos
graxos; 8% de colesterol livre; 20% de fosfolípides e mínima proporção de triglicérides
(5%). São responsáveis pelo transporte de 65 a 75% do colesterol. A LDL-c é
a molécula lipídica mais aterogênica no sangue. Pesquisas indicam que níveis
elevados de LDL-c no plasma são a maior causa para o desenvolvimento da doença
arterial coronariana.
Em condições normais, aproximadamente
15% das LDL-c que circulam no plasma atravessam o endotélio e penetram na camada
íntima das artérias, sendo essencial para a formação das membranas celulares.
Sua captação é mediada por receptores específicos: os LDL-receptores. Entretanto,
existem mecanismos fisiológicos que tendem a diminuir a concentração de LDL-c
na íntima, como a atividade das células musculares, de monócitos, e a capacidade
de remoção das HDL-c. Caso não ocorra controle eficiente através desses mecanismos,
há acúmulo de lipoproteínas na camada íntima e maior poder de oxidação das LDL-c,
tendo um importante papel na gênese da placa aterogênica. Assim como as HDL-c
têm diferentes frações, as LDL-c também são heterogêneas, sendo dividida em
duas subclasses:
Existem evidências que a
LDL-c tipo B é mais aterogênica. Este tipo também está associado com níveis
plasmáticos elevados de triglicerídeos, VLDL-c e apoproteína B e reduzidos de
HDL-c e Apolipoproteína A, perfil típico de um indivíduo obeso com acúmulo de
gordura na região abdominal.
Estudos têm mostrado uma
melhor correlação do LDL-c com o risco de aterosclerose do que o colesterol
total. A dosagem de LDL-c tem sido a base para decisões sobre o início de terapia.
A dosagem de HDL-c e LDL-c
são realizadas pelo método enzimático. Recentemente, o terceiro relatório do
"National Cholesterol Education Program" (NCEP), propôs uma nova classificação
segundo os valores de referência para as lipoproteínas HDL-c e LDL-c (Tabela
1). Entretanto, a presença de fatores de risco para doenças cardiovasculares
(Quadro 1) pode modificar os valores desejáveis de LDL-colesterol (sem risco
para o desenvolvimento da doença cardiovascular (Tabela 2).
Tabela
1: Classificação segundo o III NCEP dos valores de LDL e HDL colesterol
| LDL-colesterol
(mg/dl) |
| <100 |
Ótimo |
| 100-129 |
Próximo do ótimo |
| 130-159 |
Limítrofe |
| 160-189 |
Alto |
| >=190 |
Muito alto |
| HDL-colesterol
(mg/dl) |
| <40 |
Baixo |
| >=60 |
Alto |
Quadro
1: Fatores de risco para doença cardiovascular que modificam os valores
desejáveis de LDL-colesterol.
- Tabagismo
- Hipertensão (pressão arterial >= 140/90
mm Hg ou uso de anti hipertensivo
- HDL-c baixo (<40 mg/dL)
- História familiar prematura para doença
cardiovascular (DC) (DC em homens < 55 anos e em mulheres < 65 anos)
- Idade (homens >= 45 anos e mulheres
>=55 anos)
|
Tabela
2: Três categorias de risco que modificam valores desejáveis de LDL-colesterol.
| Categoria de
risco |
Meta do LDL-colesterol
(mg/dL) |
Doença cardiovascular e fatores
de risco
equivalentes (diabetes) |
< 100 |
Dois ou mais fatores de risco
para doença
cardiovascular |
<130 |
Nenhum ou um fator de risco para
doença
cardiovascular |
<160 |
Referência
Executive Summary of
the Third Report of the National Cholesterol Education Program (NCEP) Expert
Panel on Detection, Evaluation, and Treatment of High Blood Cholesterol in
Adults. Jama, 285 (19):2486-2496, 2000.
Tchernof A, Lamarche
B, et al. The Dense LDL Phenotype. Association with plsama lipoprotein levels,
visceral obesity, and hyperinsulinemia in men. Diabetes care, 19 (6):
629-637, 1996.
Vergès B. Insulinosensibilité
et Lipides. Diabetes Metab, 27: 223-227, 2001.
Editora responsável: Dra. Elisabete Almeida - drabetty@lincx.com.br