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É possível a imunização contra hipertensão

Apesar da disponibilidade de uma gama de terapias eficazes, apenas cerca de 1/3 dos adultos americanos com hipertensão têm a sua pressão arterial sob controle. Nenhuma aderência à terapia convencional é um fator importante na incapacidade de controlar adequadamente a PA. Este estudo mostra a terapia fornecida como uma injeção a cada poucos meses, que poderia resolver muitos dos problemas na aderência de pacientes.

A vacina foi testada em adultos saudáveis com hipertensão média a moderada (140 a 179 mm Hg sistólico e 90 a 109 mm Hg diastólica) recentemente diagnosticados, atualmente não tratados, ou que poderiam interromper com segurança a medicação hipertensiva. Além da hipertensão secundária e severa hipertensão essencial, exclusões incluíram insuficiência renal, doença cerebrovascular, diabetes pouco controlada, IMC > 32 kg por m², dislipidemia, doença autoimune, condições imunosupressivas, e condições psiquiátricas.

Os 72 participantes foram escolhidos ao acaso para receber injeções subcutâneas de placebo, CYT006-AngQb 100 mcg, ou CYT006-AngQb 300 mcg no começo do estudo e nas semanas 4 e 12. Todos os participantes pararam a terapia hipertensiva por 2 semanas antes da 1ª injeção, e foram observados no hospital de um dia para o outro após cada injeção. Duas semanas após a dose final, 24 horas da PA monitorada foi realizada em todos os pacientes.

Resultados: O grupo estudado foi composto principalmente por homens brancos. A idade média era de 52 anos e a PA média no começo do estudo era de 149/96 mm Hg. Todos os 48 participantes que receberam injeções de AngQb desenvolveram títulos de alta imunoglobulina G (IgG) contra angiotensina II. A meia-vida média da resposta imunitária foi 3,2 semanas, mas foi fortemente impulsionada por injeções repetidas.
A resposta IgG foi significativamente maior após doses de 300-mcg do que após as doses de 100-mcg. No grupo de 300-mcg, a média da PA foi reduzida de base por 9.0 mm Hg sistólica (P=.015) e 4.0 mm Hg diastólica (P=.064). A dose de 300-mcg também proporcionou reduções altamente significativas na pressão sanguínea súbita no começo da manhã comparada com placebo (a redução média foi 25 mm Hg sistólica e 13 mm Hg diastólica). No grupo de 100-mcg, as mudanças na pressão sanguínea não diferem muito do placebo. Cinco pacientes dos grupos de tratamento deixaram o estudo. Três participantes do grupo de 100-mcg e 7 do grupo de 300-mcg desenvolveram sintomas sugestivos de uma resposta sistêmica à vacina (pirexia e sintomas de gripe) que resolveram em 2 dias. Além de reações leves à injeções locais, todos os eventos adversos monitorados durante oito meses de acompanhamento não foram relacionados ao tratamento.

Conclusão: A imunização com 300 mcg de CYT006-AngQb resultou em uma resposta imunitária suficiente para reduzir significativamente a PA, com impacto especial no começo da manhã. Os autores concluíram que essa redução poderia ter impacto clínico significativo porque o início da manhã é também associado com o aumento do risco de AVC e hemorragia intracerebral. 

Ref: Tissot AC, et al. Effect of immunisation against angiotensin II with CYT006-AngQb on ambulatory blood pressure: a double-blind, randomised, placebo-controlled phase IIa study. Lancet. March 8, 2008;371(9615):821-827.

Comentário: O estudo nos mostra uma nova perspectiva sobre o potencial para gerir eficazmente, e mesmo prevenir, a hipertensão essencial. Para muitos pacientes, uma injeção dada a cada 3 meses seria uma alternativa eficaz e atrativa para a medicação diária. A estratégia poderia ainda ser eficiente em termos de custo, se for evitada as conseqüências cardiovasculares e cerebrovasculares de baixa adesão aos tratamentos hipertensivos.
Esse estudo também nos desafia a questionar o porquê o sistema renina-angiotensina-aldosterona ativa em algumas pessoas, e se estratégias visando os mecanismos básicos ao nível molecular poderiam ser desenvolvidas para impedir o desenvolvimento clínico da hipertensão em pessoas suscetíveis. Este estudo certamente acrescenta um novo interesse ao, por vezes, tedioso processo de monitoramento, incentivando e ajudando nossos pacientes a controlar sua pressão sanguínea e reduzir os outros fatores de risco cardiovasculares. 

 


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