Hiperglicemia
relacionada ao estresse, em valores entre 110 e 143 mg/dl (6,1 a 8,0 mmol/l),
está relacionada a um aumento de até quatro vezes no risco de morte de pacientes
não diabéticos, internados com infarto agudo do miocárdio, segundo pesquisa
publicada recentemente na revista Lancet.
"A hiperglicemia
de estresse também está associada a um risco maior de morte entre pacientes
diabéticos com infarto, mas o efeito é menor que entre os não diabéticos", afirma
o estudo.Os autores examinaram os efeitos da hirperglicemia resultante de estresse
na evolução de pacientes com IM, utilizando a metodologia da meta-análise. Através
de uma revisão sistemática da literatura médica a respeito, a equipe encontrou
15 estudos de coorte ou ensaios clínicos nos quais esta associação foi verificada.
Em pacientes
não diabéticos, aqueles que apresentavam níveis de glicemia entre 110 e 143
mg/dl ou maior, no momento da internação, tinham um aumento de 3,9 vezes no
risco de morte intra-hospitalar, se comparados a pacientes com níveis mais baixos
de glicose. Pacientes não diabéticos com glicemias superiores a 179 mg/dl também
tinham maior risco de apresentar ICC e choque cardiogênico, de acordo com o
relato.
Entre os pacientes
diabéticos, níveis de glicose entre 179 e 197 mg/dl ou maiores, aumentavam um
pouco o risco de morte (risco relativo = 1,7) mas não o de IC ou de CC. As diferenças
observadas nos efeitos da hiperglicemia de stress sobre a evolução do IM podem
ser explicadas de diversas maneiras. A definição de hiperglicemia de estresse
é vaga, e o limiar parece ter sido muito baixo na maioria dos estudos. Além
disso, a maioria dos pacientes diabéticos infartados já usavam insulina e continuaram
seu uso durante a internação, o que pode ter diminuído os efeitos da hiperglicemia
na evolução da doença.
A forte e
consistente relação encontrada entre a hiperglicemia de estresse no momento
da internação e a má evolução do infarto vista nos pacientes diabéticos ou não,
sugere que a glicemia é um fator muito relevante na morbidade e mortalidade
após um infarto agudo do miocárdio, conclui o estudo.
São necessários
novos estudos para que se observe se a reversão dessa hiperglicemia de estresse
e o controle do fluxo associado de ácidos graxos livres que se seguem ao IM
podem melhorar o prognóstico destes casos.
Referência:
Lancet 2000; 355: 773-778.