Algumas mudanças no estilo
de vida podem promover a elevação dos níveis séricos da fração HDL do colesterol
(sigla, em inglês, de high-density lipoprotein). As intervenções não-farmacológicas
descritas como eficazes na elevação nos níveis de HDL incluem controlar o peso,
manter uma dieta saudável, praticar exercícios físicos, parar de fumar e ingerir
quantidades moderadas de álcool. Grinsberg, através da revisão da literatura
relacionada, aborda as intervenções não-farmacológicas cujo objetivo é aumentar
os níveis séricos de HDL.
Existe uma relação clara
entre o aumento do índice de massa corpórea (IMC) e a redução nos níveis séricos
de HDL. Cerca de 25% dos homens com IMC acima de 30 kg/m² apresentam HDL abaixo
de 35 mg/dL (1 mmol/L), em comparação com 7% das mulheres com IMC equivalente.
A explicação fisiológica exata para essa observação ainda não foi determinada.
A perda de peso pode levar a um aumento de 4 a 6 por cento nos níveis de HDL,
enquanto o ganho de peso reduz os níveis de HDL em 3 a 5 por cento. Em pessoas
que querem perder peso, não existem evidências que suportam a teoria de que
a variação do peso (emagrecimento seguido de ganho de peso) é menos desejável
que nenhuma perda de peso. A importância da prática regular de exercícios aeróbicos
intensos é bem estabelecida, embora o suporte para exercícios moderados seja
menos claro.
Comparando-se com a dieta
média do americano (37% de gordura, com 16% de gorduras saturadas), mudanças
na dieta reduzem os níveis de LDL e HDL em 7% (com uma dieta composta de 30%
de gordura e 9% de gordura saturada) e em 11% (com uma dieta constituída de
26% de gordura e apenas 5% de gordura saturada). Os benefícios de adotar uma
dieta rica em carboidratos e pobre em gorduras ainda são controversos. Dados
epidemiológicos sugerem que uma dieta rica em carboidratos diminui a incidência
de doença coronariana, mas os resultados de estudos com animais e seres humanos
apontam que esse tipo de dieta também pode elevar os níveis de triglicerídeos
e reduzir o HDL sérico. A diminuição na quantidade de ácidos graxos trans da
alimentação melhora o perfil lipídico, enquanto uma dieta muito pobre em gorduras,
em associação com mudanças no estilo de vida que reduzem o estresse, mostrou-se
eficaz na redução de doença coronariana.
Indivíduos que ingerem
quantidades leves a moderadas de álcool parecem ter níveis séricos de HDL mais
elevados, menor incidência de doenças cardiovasculares e menor mortalidade,
em comparação com pessoas que não ingerem bebidas alcóolicas; no entanto, esses
benefícios são menores que as desvantagens proporcionadas pela ingestão de grandes
quantidades de álcool. Os resultados de um estudo de quatro anos demonstraram
que a ingestão moderada de vinho está associada com uma redução na taxa de mortalidade
maior que com qualquer outra variável avaliada no estudo (ou seja, o consumo
de gorduras animais, verduras e legumes, frutas). O álcool, em vez de possíveis
oxidantes ou outros componentes do vinho, parece ser o responsável por esses
achados.
O tabagismo tem sido fortemente
associado com a redução nos níveis de HDL em homens e mulheres. Pessoas que
fumam charutos ou cachimbos, bem como aquelas que pararam de fumar há mais de
um ano, não apresentam níveis menores de HDL que os indivíduos não fumantes.
Os fumantes passivos também mostram redução nos níveis de HDL.
Grinsberg conclui que o
aumento de gordura visceral, mais comum em homens que em mulheres, está inversamente
relacionado com as concentrações séricas de HDL. A perda de peso prolongada
está associada com níveis de HDL mais elevados. Uma dieta rica em carboidratos
pode diminuir discretamente os níveis de HDL; uma alimentação rica em gorduras
monoinsaturadas também podem diminiuir os níveis de HDL, mas em valores bem
menores. A prática de exercícios físicos moderados parece ter pouco significado,
mas exercícios aeróbicos intensos regularmente promovem uma elevação nos níveis
de HDL. A ingestão de quantidades moderadas de álcool, bem como parar de fumar,
aumenta os níveis de HDL (veja tabela em anexo).
Referência: Ginsberg
HN. Nonpharmacologic management of low levels of high-density lipoprotein cholesterol.
Am J Cardiol December 21, 2000;86(suppl):41L-5L.
Nota do editor: Níveis
reduzidos de HDL colesterol parecem representar um fator preditivo independente
de doença coronariana. A via inversa do transporte de colesterol que permite
a captação de colesteril ester do HDL pelo fígado é melhor compreendida. A independência
desse mecanismo da captação de LDL mediada por receptores demonstra a relevância
dos níveis séricos de HDL. Além disso, vários constituintes do HDL, como a apolipoproteína
A-1 e 2, parecem reduzir a formação de um composto altamente aterogênico, a
fração LDL oxidada. Concentrações ainda mais baixas estão associadas com a intensidade
de aterosclerose nas artérias coronárias, demonstrada por angiografia, sendo
observada uma relação linear. A diminuição nos níveis de HDL também parece estar
relacionada com maior risco de estenose recidivante após a angioplastia coronariana
transluminal percutânea. A elevação nos níveis dessa fração do colesterol vem
ganhando importância, e métodos com esse objetivo precisam ser melhor explorados.
O relatório mais recentemente publicado pelo National Cholesterol Education
Program (http://www.nhlbi.nih. gov/chd) identifica o nível de HDL abaixo do
normal como um fator de risco para doença coronariana e recomenda o rastreamento
em todos os adultos.
Tabela:
Dados sobre o controle dos níveis da fração HDL do colesterol
Para cada 4,5 kg de emagrecimento
persistente, o HDL sérico eleva-se em 2 mg/dL (0.05 mmol/L).
A variação no peso (emagrecimento, seguido de ganho de peso) é melhor que nenhuma
perda de peso.
A ingestão moderada de álcool aumenta os níveis séricos de HDL.
A associação de dieta e atividade física eleva os níveis de HDL.
O tabagismo está associado com níveis reduzidos de HDL HDL = sigla, em inglês,
de lipoproteína de alta densidade.
Retirado de Ginsberg
HN. Nonpharmacologic management of low levels of
high-density
lipoprotein cholesterol. Am J Cardiol 2000;86(suppl):45L.