A ecocardiografia transesofâgica deve ser feita nos pacientes com fibrilação atrial?
Inúmeros estudos
multicêntricos já foram realizados na década passada e documentaram claramente
a superioridade da anticoagulação sistêmica na prevenção primária de acidente
vascular cerebral em pacientes com fibrilação atrial de causa não-valvular.
Apesar desses achados, existe controvérsia em relação ao exato papel da ecocardiografia
transesofágica (ETE) em pacientes com fibrilação atrial. Os resultados do terceiro
estudo de prevenção de acidente vascular cerebral em fibrilação atrial (Stroke
Prevention in Atrial Fibrilation - SPAF - III) parecem sugerir que a ETE pode
ser útil na estratificação do risco em pacientes com fibrilação atrial de origem
não-valvular.
Pacientes
com trombo em átrio esquerdo, contraste espontâneo no átrio esquerdo e velocidade
diminuída na aurícula atrial esquerda parecem ter maior risco para fenômenos
tromboembólicos. A demonstração de placa complexa em aorta utilizando ETE também
parece identificar uma população de maior risco nos pacientes com fibrilação
atrial. Além disso, estudos recentes sugerem que o ETE pode ser utilizado antes
da realização da cardioversão, com o objetivo de diminuir o tempo de anticoagulação
pré-cardioversão e, nos pacientes na faixa etária entre 65 e 75 anos sem fatores
de riscos clínicos, como forma de estimar o tipo e intensidade da anticoagulação
necessária.
Cirurgia de válvula: quando o eco é suficiente?
O exame que
utiliza a ecocardiogafia com Doppler tem se tornado o alicerce na avaliação
não-invasiva de indivíduos com doença valvular cardíaca conhecida ou suspeitada.
Desde a primeira aplicação clínica do Doppler, há mais de 2 décadas essa técnica
tem servido como padrão ouro na quantificação de lesões insuficientes ou estenóticas.
Além disso, a avaliação da função e do tamanho ventricular proporciona informações
importantes a respeito da indicação cirúrgica, prognóstico e tipo de intervenção
a ser realizada. A avaliação para uma possível reparação da válvula mitral seria
difícil, se não impossível, sem a avaliação ecocardiográfica. Apenas em circunstâncias
selecionadas, nas quais os sintomas, o exame físico, a avaliação ecocardiográfica
da geometria do ventrículo esquerdo e a gravidade da doença são muito discordantes
ou confusas, um estudo invasivo proporcionaria informações importantes no manejo
do paciente com doença valvular. É importante observar que, se um procedimento
invasivo for necessário, este deve ser realizado com cuidado, de forma completa
e precisa, para que sejam obtidos os melhores resultados.
Quando a ecocardiografia de estresse deveria ser realizada após infarto do miocárdio?
Imagens ecocardiográficas
realizadas em conjunto com exercício ou estresse induzido por fármaco proporcionam
várias vantagens na população de indivíduos pós-infarto agudo do miocardio (IAM),
sob o ponto de vista de diagnóstico e prognóstico. A melhora da mobilidade de
uma parede durante a infusão de baixa dose de dobutamina, num segmento de comportamento
hipocinético em repouso, é altamente preditiva de miocárdio viável em território
de coronária estenosada. Inúmeros estudos já demonstraram que o eco de estresse
pode ser realizado alguns dias após a lesão no miocárdio. Apesar disso, a acurácia
diagnóstica parece estar diretamente relacionada ao intervalo de tempo entre
o IAM e o exame.
Estudos recentes
demonstraram que a ecocardiografia de estresse tem validade comparável à tomografia
computadorizada com emissão de fótons (SPECT) e à tomografia por emissão de
pósitrons (PET) na avaliação da viabilidade do miocárdio, além de ser capaz
de predizer a recuperação miocárdica após cirurgia de revascularização pós-IAM.
A ecocardiografia
de estresse é atualmente recomendada como indicação classe IIa nas diretrizes
da AHA/ACC para IAM, por ser útil, custo-efetiva e trazer benefícios.
Referência:
1. Feigenbaum H, Tajik AT, chair. Controversies in Clinical Ecocardiography.
Presented at the American Heart Association 72nd Scientific Sessions, Atlanta,
Ga, November 7-10, 1999. Plenary Session VIII, Nov 9.
Editora responsável: Dra. Elisabete Almeida - drabetty@lincx.com.br
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