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Cardiologia

Emprego da proteína C reativa na avaliação do risco cardiovascular

Os níveis séricos de proteína C reativa (PCR) podem ser utilizados para identificar a presença e a intensidade de processos inflamatórios. Estudos recentes mostraram correlação entre elevações moderadas de PCR e risco aumentado de eventos cardiovasculares, validando esse exame para a avaliação do risco cardiovascular. Para demonstrar a elevação dos níveis de PCR, recomenda-se o emprego da técnica de alta sensibilidade (HSCRP). Kushner e Sehgal avaliaram a importância desse método na avaliação do risco cardiovascular, conforme recomendado pelas diretrizes da U.S. Preventive Services Task Force.

Para ser considerado útil, um exame de rastreamento deve:
(1) identificar uma condição em pacientes assintomáticos;
(2) apresentar resultados confiáveis;
(3) identificar a condição em estágios iniciais, permitindo uma melhor abordagem terapêutica.

A acurácia pode ser determinada pelo valor preditivo positivo do exame. Atualmente, os dados disponíveis sobre a relação entre os níveis de PCR e doenças cardiovasculares são insuficientes para determinar o índice de resultados falsos positivos. Dessa forma, não é possível determinar a acurácia e a relação custo-benefício do método.

A confiabilidade do exame exige a reprodutibilidade dos resultados. Os níveis séricos de PCR, entretanto, podem variar bastante em um mesmo dia, em determinado paciente, sendo também influenciado por fatores genéticos. Algumas condições não inflamatórias discretas também podem alterar os resultados do exame. Finalmente, ainda não foi estabelecida qual intervenção deve ser realizada em pacientes com elevação dos níveis de PCR, com o objetivo de reduzir o risco de eventos cardiovasculares. Com a redução dos níveis de PCR, não houve diminuição do risco cardiovascular. Os autores concluem que a importância clínica do método para o rastreamento do risco cardiovascular ainda não foi demonstrada.

Referência
Kushner I, Sehgal AR. Is high-sensitivity C-reactive protein an effective screening test for cardiovascular risk? Arch Intern Med April 22, 2002;162:867-9.


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