As pessoas
com diabete têm mais risco de ter doenças cardiovasculares
devido aos fatores de risco clássicos, como obesidade,
dislipidemia e hipertensão - comuns nesse grupo.
Entretanto,
a relação entre a doença cardiovascular
e a hiperglicemia ainda não está clara. Estudos
comprovaram que o controle da glicemia reduz o risco de
condições microvasculares (por exemplo: retinopatia,
neuropatia e nefropatia), mas o efeito nas doenças
cardíacas coronárias, derrames, doença
arterial periférica e outras doenças macrovasculares
não estão bem esclarecidos.
Selvin e colaboradores
realizaram uma análise sistemática de relatórios
publicados para explorar a relação entre controle
glicêmico em longo prazo e o risco de doenças
cardiovasculares em pessoas com diabete de tipo 1 e tipo
2.
Estudos realizados
entre 1966 e 2003 mostram as medidas A1C com pessoas com
diabete examinada para resultados cardiovasculares, como
doença arterial periférica, doença
cardíaca coronária e derrames.
Na análise
final, os autores coletaram dados de 17 relatórios
para medir o risco relativo (RR) estimado por aumento de
ponto porcentual em A1C para cada resultado cardiovascular.
Para pessoas
com diabete de tipo 1, o RR foi de 1,15 (95% do intervalo
de confiança [IC], 0,92 a 1,43) para doenças
cardíacas coronárias e 1,32 (95% IC, 1,19
a 1,45) para doença vascular arterial periférica.
Os dados de derrame por controle de A1C não estavam
disponíveis para esse grupo.
Para pessoas
com diabete de tipo 2, o RR foi de 1,18 (95% do intervalo
de confiança [IC], 1,10 a 1,26) para doenças
cardiovascular total, 1,17 (95% IC, 1,09 a 1,25) para derrames
e 1,28 (95% IC, 1,18 a 1,39) para doença vascular
arterial periférica.
Esses resultados
mostram que a hiperglicemia aumenta o risco cardiovascular
em pessoas com diabete de tipo 1 e 2. O único estudo
incluído nessa análise que avaliou especificamente
a habilidade das rotinas de redução da glicose
para reduzir a morbidade cardiovascular ou morte foi o Estudo
Provável sobre Diabete da Inglaterra. Embora o estudo
tenha descoberto que o controle da glicemia pode reduzir
moderadamente o risco cardiovascular (exceto derrame), não
demonstra significado estatístico.
Os autores
concluem que, de acordo com a análise meta, a hiperglicemia
está associada com o risco cardiovascular crescente
em pessoas com diabete de tipo 1 e 2.
Se estiver
certo, o controle glicêmico pode diminuir o risco
cardiovascular em pacientes com diabete. A doença
cardiovascular é comum entre pessoas com diabete
devido a fatores como a hiperglicemia; porém, são
necessários mais estudos para confirmar essa descoberta.
Também, o único estudo incluído nessa
análise que considerou especificamente a habilidade
das rotinas de redução da glicose para reduzir
a morbidade cardiovascular não mostrou resultados
estatisticamente relevantes.
NOTA:
Em um editorial da mesma edição, Gerstein
diz que os resultados da análise meta acima demonstram
a associação significativa entre níveis
elevados de A1C e o risco de doenças cardíacas
coronárias e doença vascular periférica.
Um estudo de 6 anos que avaliava a relação
entre a medição de A1C e casos cardiovasculares
em pessoas com e sem diabete descobriu que os níveis
de A1C podem ser um indicador independente das complicações
cardiovasculares. Gerstein conclui que, baseado nos resultados
desses dois relatórios, níveis de A1C elevados
em pessoas com e sem diabete deve ser acrescentado à
lista de fatores de risco cardiovasculares geralmente aceitos,
como hipertensão e níveis de colesterol alto.
Ainda são
necessários mais estudos para confirmar se a redução
dos níveis de A1C tem um impacto positivo nos riscos
cardiovasculares. Enquanto isso, o autor encoraja mudanças
no estilo de vida que podem ajudar a reduzir a diabete e
os níveis A1C –r.s.