O diabetes
acomete um número significativo de norte-americanos
e estima-se que esse número aumente consideravelmente
nos próximos anos. O diabetes é um fator de
risco para o desenvolvimento da insuficiência coronariana.
Apesar dos recentes avanços no tratamento da doença
coronariana, um grande número de diabéticos
são internados todos os anos por apresentarem doenças
cardiovasculares. Além disso, a doença coronariana
é responsável por 80% dos óbitos em
pacientes diabéticos. Um avanço significativo
no tratamento da insuficiência coronariana é
a revascularização percutânea, mas esse
método terapêutico tem como limitação
o desenvolvimento de re-estenose a longo prazo. Em comparação
com a população geral, os pacientes com diabetes
que são submetidos a intervenções coronarianas
percutâneas apresentam um maior risco de re-estenose.
Corpus e colaboradores avaliaram a relação
entre o controle glicêmico e a indicação
de revascularização em pacientes com diabetes
submetidos a intervenção coronariana percutânea
eletiva.
O estudo incluiu
pacientes que procuraram um centro especializado para a
realização de revascularização
coronariana percutânea eletiva, selecionando indivíduos
com diabetes tipo 2 que não controlavam a doença
exclusivamente com a dieta; os pacientes não-diabéticos
que também realizaram o procedimento constituíram
o grupo de comparação. Antes da intervenção,
foram dosados os níveis de A1C, fibrinogênio
e o perfil lipídico. Os medicamentos prescritos durante
e após o procedimento foram baseados em protocolos
habitualmente recomendados. O acompanhamento dos pacientes
incluiu entrevistas por telefone e a análise do prontuário
médico seis e doze meses após o procedimento.
Realizou-se uma nova cateterização em pacientes
com recorrência dos sintomas ou evidências objetivas
de isquemia. O controle ótimo do diabetes foi definido
como níveis de A1C menores ou iguais a 7%.
Foram acompanhados
179 pacientes consecutivos com diabetes e 60 pacientes não-diabéticos
selecionados aleatoriamente no grupo controle. Os pacientes
com diabetes que mantiveram um controle glicêmico
ótimo apresentaram taxas de revascularização
semelhantes àqueles do grupo controle. Indivíduos
diabéticos que apresentaram níveis de A1C
maiores que 7% apresentaram taxas de revascularização
significativamente maiores em comparação com
os pacientes que mantiveram níveis glicêmicos
considerados ótimos. Além disso, demonstrou-se
uma associação entre o controle glicêmico
ótimo e uma menor taxa de internação
hospitalar por causa cardíaca e angina recorrente
após 12 meses de acompanhamento. Níveis de
A1C acima de 7% representaram um fator preditivo independente
para a indicação de revascularização.
Os autores
concluem que pacientes diabéticos submetidos a revascularização
coronariana percutânea eletiva e controle glicêmico
ótimo apresentam melhor prognóstico que aqueles
que não apresentam níveis glicêmicos
controlados. Eles ressaltam os benefícios do tratamento
rigoroso da doença, procurando manter os níveis
de A1C menores ou iguais a 7%, resultando em um melhor prognóstico
após intervenções coronarianas percutâneas.