Pacientes
com insuficiência cardíaca congestiva (ICC)
estão no mais alto risco de arritmia ventricular
fatal; porém, há dados limitados na eficiência
de intervenções preventivas. Bardy e cols
realizaram um experimento controlado randomizado com placebo
comparando os efeitos da terapia convencional mais a amiodarona
(Cordarone), um desfribilador cardioversor implantado (DCI)
ou placebo na mortalidade de todas as causas em pacientes
com ICC.
Os pesquisadores
registraram 2.521 pacientes com ICC de classe I ou II na
Associação do Coração de Nova
York (NYHA)e teve uma fração de ejeção
ventricular de 35% ou menos (média: 25 %). A etiologia
da ICC poderia ser isquêmica ou não-isquêmica.
Os participantes eram principalmente homens brancos (77%).
Todos os pacientes receberam terapia padrão para
ICC, incluindo inibidores de enzima conversora de angiotensina
(ACE) e bloqueadores beta quando clinicamente apropriados.
Os participantes
foram randomizados para receber amiodarona e DCI ou placebo.
A administração de placebo e de amiodarona
foi duplo cega e parcialmente baseado no peso (dose média:
300 mg). Os desfribiladores foram colocados em um modo único
de choque já que a intenção principal
era tratar a taquicardia ventricular ou a fibrilação
ventricular. Os três grupos eram semelhantes em tamanho
e conjunto. Os pacientes que sobreviveram foram acompanhados
por pelo menos 2 anos, com acompanhamento médio de
45,5 meses.
As taxas de
descontinuação para a terapia com droga foram
de 22% para placebo e 32% para amiodarona. 7% dos pacientes
nos grupos de medicamento e de placebo terminaram em amiodarona
de estudo aberto e 14% dos pacientes no grupo de DCI passaram
para a amiodarona de estudo aberto durante o acompanhamento.
11% dos pacientes nos grupos do medicamento e do placebo
passaram para um DCI. Os efeitos colaterais negativos mais
comuns da amiodarona foram tremor (4%) e aumento no hipotireoidismo
(6%). As complicações no grupo DCI também
aconteceram, com 5% dos pacientes com problema na hora da
implantação e 9% durante o acompanhamento.
O que incluía eventos que precisavam de cirurgia,
hospitalização ou outra terapia médica.
Morte acorreu
em 29% dos pacientes que receberam placebo, 28% dos pacientes
que receberam amiodarona e 22% dos pacientes do grupo de
DCI. Assim, o uso do DCI reduziu o risco de morte em 7%.
A amiodarona não fez nenhuma diferença significativa.
Aproximadamente 1/3 dos pacientes no grupo de DCI receberam
choques dos dispositivos, com 68% tendo recebido por taquicardia
ventricular rápida ou fibrilação ventricular.
A terapia com IDC levou a uma redução absoluta
significante na mortalidade de 11,9% nos pacientes com ICC
de classe II do NYHA, mas nenhuma redução
de risco significante em pacientes da classe III. A amiodarona
não diminuiu o risco de morte em pacientes com ICC
classe II de NYHA, mas aumentou relativamente o risco de
morte em 44% nos pacientes com ICC de classe III de NYHA.
O uso dos DCIs reduziu o risco de morte absoluto em 7,2%
em 5 anos, onde a terapia com amiodarona não apresentou
nenhum benefício.
Os autores
concluíram que os DCIs programados e de choque reduziram
significantemente o risco relativo de morte em pacientes
com ICC, onde a amiodarona não tem nenhum efeito
positivo na sobrevivência. Outros estudos de desfribiladores
mostraram um aumento no benefício para pacientes
com frações de ejeção menores
ou com ICC de classe III no NYHA. Assim, a falta de benefício
descoberta para esses pacientes neste estudo deveria ser
considerada no contexto da base de evidência maior.
Como este estudo usou apenas tratamento com choque e fio
único, essas descobertas podem não ser aplicáveis
a todos os tipos de DCIs.